Já contei a vocês que está saindo do forno o meu novo livro: Apontamentos sobre a Cidade Imaginária de Belém. Já temos data e local para o lançamento: dia 17 de janeiro, às 18h, no Sesc Ver-o-Peso, em Belém.
Vai acontecer na semana do aniversário de Belém. Nada mais simbólico, porque meu livro dialoga com Belém. Aliás, o livro sai no começo do ano em que a cidade vai receber a Trigésima Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a COP 30, em 2025.
Não obstante todo momento ser apropriado para pensar Belém e o seu lugar de cidade Amazônica, este o é politicamente e, portanto, simbolicamente, um tanto mais instigante.
E vem a questão: como combater estereótipos num lugar tão pesado deles? O senso comum sobre a Amazônia, espaço sobre o qual ocorre uma grande batalha simbólica, impõe, a seus habitantes, que esqueçam sua história e suas identidades, tão complexas e polifônicas?
Penso que a literatura sempre foi um instrumento interessante para pensar Belém e a Amazônia e para combater estereótipos e lugares-comuns vindos de fora para dentro.
Apontamentos sobre a cidade imaginária de Belém é um livro de contos feito de dentro da Amazônia e participa dessa batalha simbólica.
Porém, como diz a Editora Patuá, na apresentação que fez do meu livro,
“Não pense, o leitor, que irá reconhecer a cidade de Belém do Pará neste livro. A narrativa labiríntica, poliédrica, de Fábio Horácio-Castro leva a contraleituras e a intertextos que se espelham, fazendo referências literárias e culturais que não cessam de dialogar umas com as outras”.
Ou seja, a Belém deste livro não é a das identidades convencionais ou convencionalizadas. É uma Belém reinventada, que coleta fragmentos das muitas culturas que fizeram a cidade e que disputaram o seu imaginário.
Uma Belém pós-sebastiana, talvez...
Entenderam a referência? Refiro-me ao livro A Cidade Sebastiana. Era da borracha, memória e melancolia numa capital da periferia da modernidade, minha dissertação de mestrado, que, no ano de 2025 também faz aniversário: 30 anos de sua defesa, na Universidade de Brasília.
São datas conjuntivas: 30 anos depois volto a escrever sobre Belém, num contexto de COP 30 e de reinserção da cidade no debate sobre si mesma.
Dando voz, novamente, à Editor Patuá:
“A Belém presente neste livro constitui um circuito secreto de cidades ficcionais. Para além das estampas convencionadas de identidade, território e história, o que se encontra, aqui, é a invenção literária de mundos e o diálogo permanente entre símbolos e alegorias”.
O texto do livro está centrado na dicotomia ciência/ficção – o diálogo entre o cientista social Fábio Fonseca de Castro, autor de A Cidade Sebastiana e “seu” heterônimo, o escritor Fábio Horácio-Castro. Essa dicotomia é o conflito central do livro. A ficção está dissimulada em aparências de realidade e de ciência. O mote do livro é desconstrução da narrativa convencional e a crítica da ideia de cultura.
Do ponto de vista narrativo, trata-se de um padrão de realismo fantástico que, talvez, possa ser compreendido como ensaio ficcional. O realismo fantástico atravessa o livro: bairros que mudam de lugar, bibliotecas enterradas, calígrafos sedutores, ventríloquos lascivos, duplos de seres humanos, poetas esquecidos da Cabanagem, faculdades secretas, luzes misteriosas no céu e o testamento político do cônego Batista Campos...
Aqui, nas minhas cartas a vocês, vou falando aos poucos sobre meu novo livro.
E espero vocês, conto com vocês, no lançamento.
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Ah, ele já pode ser comprado, desde já, na pré-venda: seja diretamente com a Editora Patuá, no seguinte endereço: www.editorapatua.com.br
Seja diretamente comigo, pelo email fabiohoraciocastro@gmail.com ou, ainda, pelo meu instagram, @fabiohoraciocastro.
O preço da venda é R$ 60. Comprando na pré-venda você pode optar por receber o livro logo agora, pelo correio (com taxa de envio), ou recebê-lo no lançamento.
E fica a sugestão de oferecer meu livro como presente de Natal!
Bisous,
Fábio.
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Ah, se quiserem me ler até lá, seguem os últimos textos, artigos e crônicas, que publiquei por aí:
Um artigo que acabou de sair na revista Movendo Ideias, escrito junto com os queridos Igor Blendon de Souza Costeira e Marina Ramos Neves de Castro.
Crônica sobre um avantesma familiar, Francisca da Gama Lobo de Castro, dona Chica, mana Chica, bisavó do meu avô. Mulher malvada, curiosa, futriqueira, poderosa e empoderada.
Histórias sobre gulosos: do imperador Vitelius, que espera todo mundo dormir palácio para vir comer as carnes oferecidas aos deuses e que lentamente assavam no fogo sagrado a Apicius, Churchill e Kwame Appiah. Ah, e também falo sobre garum, o molho romano feito com sangue, vísceras e outras partezinhas de peixes, crustáceos, moluscos e outros peixes esmagados.
Uma crônica sobre a I Guerra e sobre sua repercussão no Brasil, passando pelo jovem músico francês Darius Milhaud, pela militância do paraense José Veríssimo e chegando à mais interessante das “primeiras-damas” da história do país, Nair de Teffé, esposa do Marechal de Ferro, Hermes da Fonseca. Inesquecível a cena dela tocando no violão o Corta Jaca, de Chiquinha Gonzaga, em pleno jantar no Palácio do Catete e chicando as elites cariocas.
Mais uma crônica sobre as aventuras amorosas de d. João V, de Portugal. Além da bela e perspicaz d. Filipa de Noronha, aparecem outros romances do monarca: madre Paula, a plebeia Luísa Inês, a freira Madalena Máxima, a cigana Maria do Monte, a nobre Luísa Clara - alcunhada de A Flor de Murta... Daí, passamos ao "dobrão de duas faces", uma moeda hoje raríssima, mandada fazer pelo monarca para financiar as suas namoradas e que não tinha o lado "da Coroa", apenas a sua face (a cara), dos dois lados.
E sempre peço apoio de vocês para divulgarem esta newsletter.
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