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eu te Digo · Feb 19, 2026

🔵 184: Miopia generalizada

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Digo Lemos · eu te Digo

Terça-feira, tomando um café depois do almoço e scrollando o Instagram, aparece um vídeo pra mim de uma menina chamada Estela com uma reflexão profunda. Me fez parar pra assistir...

Corta pra quarta-feira, 20h44. Abro o Instagram e vejo um vídeo de um americano chamado Lucas falando a mesma coisa que a Estela falou. Pensei “uai”, achei estranho e fui confirmar. Pra facilitar sua vida e você não precisar abrir os vídeos, deixei a comparação:

Esse é o início do vídeo do Lucas, gravado no dia 14/dezembro/2025: “Not a single one of you wants to heart his, but once you become conscious, life stops being fun and becomes a curse. Try watching a movie […].

Esse é o início do vídeo da Estela, gravado 2 meses depois: “Nenhum de vocês quer ouvir isso, mas quando você se torna consciente, mas a vida deixa de ser entretenimento e se torna um fardo. Tente assistir um filme […]"

Momento ironia: fui pesquisar a Estela e encontrei esse vídeo de uma palestra dela falando pra você não copiar outras pessoas pra não virar uma cópia barata (risos).

Eu também poderia ter feito essa comparação com um vídeo, por exemplo, do Joel Jota falando que tem uma ferramenta de vida “se não é um sim óbvio, é um não” (que, na verdade, é o conceito central de um livro super legal do Derek Sivers “if it’s not a hell yeah, it’s a no”).

Eu poderia citar muitos outros exemplos. É o mesmo conteúdo, mas sem crédito, sem referência. Não conheço a Estela nem o Joel, muito menos quero parecer fiscal de Instagram aqui.

Remixes e uso de referências existem desde sempre (cópias também). Mas sabe o que me incomoda nisso tudo? O fato de que quem cita suas referências parece menos genial. Quando alguém apresenta uma ideia e diz que isso veio de outra pessoa, a aura de originalidade diminui e a pessoa parece menos dona do pensamento.

E é aí que eu quero te trazer uma provocação útil que talvez tenha passado despercebida pra você: quem cita suas referências parece menos genial, mas com certeza é mais confiável.

Quando uma pessoa está “apontando pra fora” citando fontes, influências e referências, ela também está dizendo implicitamente que se importa mais com a verdade do que com a sua imagem.

Citar suas referências é um sinal de maturidade intelectual (pelo menos isso é o que eu acredito, por exemplo, quando citamos várias referências nas edições do the jobs que escrevemos).

Esse é o primeiro sinal que eu uso pra realmente construir confiança em uma pessoa que conheço pelas redes sociais.

O segundo sinal é quando a pessoa traz dúvidas e limites, não só certezas. O Instagram valoriza demais as certezas e afirmações, mas a vida real pune quem tem muitas certezas e recompensa quem sabe fazer as boas perguntas. Não existe desenvolvimento pessoal sem humildade intelectual (mas, infelizmente, humildade intelectual não é necessária pra ter milhões de views e seguidores).

E o terceiro sinal é ver a pessoa mostrar o processo e os custos/sacrifícios. Eles não são instagramáveis, não são sexy… Mas são reais.

Esses 3 sinais não garantem nada, mas com certeza são um filtro melhor do que o número de seguidores ou a qualidade da edição do vídeo.

Os exemplos que dei da Estela e do Joel são só os primeiros que cruzaram meu feed, mas essa conversa poderia ir muito além:

Poderíamos falar do quanto nós já não conseguimos separar o que é verdade e o que é Inteligência Artificial nos conteúdos de redes sociais. Se você acha que conhece, recomendo dar uma olhada nesse estudo aqui, que mostrou que 104 pessoas, embora muito confiantes que saberiam diferenciar IA da realidade, acertaram apenas 29,04% das vezes quando uma imagem era criada por IA.

Tanto as cópias feitas por humanos quanto os conteúdos produzidos por IA só vão crescer daqui pra frente.

Eu pensei em escrever que nós estamos vivendo uma era de miopia generalizada, mas é mais que “uma era”. É o novo status quo. É uma condição que não vai retroceder. É difícil diferenciar o que é verdade do que é real, assim como é difícil diferenciar o que é performático do que é autêntico e isso só vai ficar mais difícil daqui pra frente, pra não falar impossível.

Esse foi um texto diferente de escrever. Ainda estou pensando enquanto chego ao final dele. Talvez seja só uma viagem minha… Mas eu acredito muito que nossa habilidade de filtrar em quem realmente confiar nas redes sociais vai ser cada vez mais relevante.

E aí a pergunta que deveria ficar pra você não é “se a pessoa que criou esse conteúdo é honesta/original?” e sim “essa pessoa me deixa capaz de pensar ou só mais dependente das conclusões dela?”.

Conteúdo que te faz depender é conteúdo que lucra com a sua miopia, e o conteúdo que te deixa mais capaz de perguntar é mais raro, performa pior e provavelmente aparece menos no seu feed.

Isso é um problema e a única saída que eu conheço é você ir atrás desse conteúdo, criando seu filtro muito bem:

  • Quem no seu feed ou inbox aponta pra fora (cita referências) com frequência?

  • Quem você segue que te dá perguntas melhores, não respostas mais rápidas?

  • Quem você acompanha e realmente mostra o processo real do que está construindo?

Falando, inclusive, sobre mostrar o processo, criei um formato novo de vlog no meu canal do YouTube. Depois me conta lá o que achou?

Muito obrigado por ler até aqui.

Vamos juntos,

Digo

Read the original on eutedigo.substack.com

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