Constantemente, temos vergonha de tudo que a gente já criou, fez, publicou. É normal olharmos para trás e julgarmos com a percepção que temos hoje. Nossa, aquele post flopou demais ou Meu deus, nem parece que fui eu que escrevi esse texto. A facilidade que temos em acabar com nós mesmas, é impressionante.
Na busca incansável por um objetivo ainda pouco definido, esquecemos de aprender com as maiores referências que nós temos: tudo que a gente já viveu. Mas não vou transformar isso aqui em um texto autoajuda, falando o que você faz de certo ou errado (até porque, quem sou, né?)
Sim, eu gosto de novelas e se você é brasileira e não gosta de novelas, algo está errado. Recentemente, a Globo encerrou um dos folhetins de maior sucesso dos últimos anos, Três Graças. E o último episódio, assim como a novela toda, veio cheio de referências de outras novelas do mesmo autor, Aguinaldo Silva.
Em outro contexto, novos personagens, atores e atrizes diferentes, mas aquele ângulo, aquela roupa, aquela frase que todo mundo, imediatamente, gritou e pensou “mano, isso é genial!” (adicionado do sotaque carioca que faz essa frase ter um quê a mais). Porque o Aguinaldo usar as coisas que ele fez no passado é genial, mas você só fica aí criticando sua eu do passado?
Críticas sempre vão existir e as novelas do passado do Aguinaldo também tiveram haters, comentários maldosos e, provavelmente, isso tudo fez ele questionar o que devia ter feito melhor. Isso é normal, mas não quer dizer que dentro de trabalhos que podem ser melhores, não existam algumas coisas realmente boas que podem ser aproveitadas.
E se novelas não é seu universo, tudo bem, eu finjo que entendo. Mas, você, com certeza, ouviu falar de O Agente Secreto, o filme com Wagner Moura que chegou ao Oscar. Nele, Kleber Mendonça Filho, fez a mesma coisa.
O diretor usou elementos repetidos de outras produções próprias no filme mais recente. Entre eles, o cinema São Luiz e a própria cidade de Recife. Itens que podem passar despercebidos para os olhos mais destreinados, mas que, para quem acompanha o trabalho dele, já tinha visto antes.
Eu falei sobre isso aqui:
Mais uma vez, ninguém pensou “ahh, não, esse cinema de novo?”. Referências do próprio repertório não é vergonha, não é preguiça ou falta de ideia: é coragem de saber utilizar aquilo que te representa, aquilo que faz sentido em um novo contexto, um novo cenário, uma nova história.
Sua eu do passado está cansada de ser criticada. Ela não sabia tudo que você sabe hoje e, ainda assim, fez o melhor que podia com o que tinha em mãos.
Ao invés de continuarmos olhando pra trás procurando os erros que nos impediram de crescer (seja lá o que for crescer para você), vamos procurar tudo que deu certo e que pode ser reciclado, reutilizado, revisto, relembrado, homenageado… o que você quiser!
Além de tudo que falamos até aqui, há algo importante no que criamos: conta nossa história, nos molda como pessoas, criadoras e artistas. E, tudo isso, são retalhos que ajudam a moldar quem você é hoje.
É tipo pensar que aquele relacionamento bosta ajudou a te tornar a pessoa que você é hoje. Né? Talvez, um conteúdo bosta criado há 2 anos atrás, tenha sido essencial para te tornar a criadora de conteúdo f*da que você é hoje, então, procure entender o que de bom tinha ali e bora usar!
100% viciada no álbum novo de Anitta, fale o que quiser, ela é boa no que faz. Taca stream na lenda (não é assim que as jovens, falam?)
Sou péssima com criações manuais, alguém faz um caderninho desse pra mim?
Vocês estão usando o Instants, a tentativa do Instagram de tornar a rede mais humana? Eu tô tentando lá no @desireelourenco

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.