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1. Não acredito em premonições, nem Temo presságios, nem fujo ao veneno, Nem à calúnia. Não há morte na terra. Somos todos imortais, tudo é imortal. Não há razão para temer a morte aos dezassete, Nem aos setenta. Há apenas realidade E luz; não há morte, nem escuridão neste mundo. Já todos estamos à beira-mar, e eu sou Um daqueles que puxam a rede, Quando a imortalidade chega em cardume. 2. Vive numa casa — e a casa não cairá. Chamarei qualquer um dos séculos, Entrarei nele e nele construirei a minha casa. É por isso que os teus filhos e as tuas mulheres Se sentarão comigo à mesma mesa, — Há uma só mesa para antepassados e netos; O futuro está a acontecer agora mesmo, E se eu levantar a mão um pouco, Todos os cinco raios permanecerão contigo. Cada dia que já passou, como escoras, Carreguei sobre os meus ombros, E medi o tempo com uma corrente de agrimensor E atravessei-o, como se atravessasse os Urais. 3. Escolhi o século de acordo com a minha estatura. Seguimos para sul, a levantar pó sobre a estepe; As ervas altas fumegavam; um gafanhoto brincava, Com as antenas tocava as ferraduras e profetizava, Como um monge, ameaçando-me com a morte. O meu destino apertei-o com correias à sela; E ainda hoje, em tempos que haviam de vir, Ergo-me nos estribos, como um rapaz. A mim, basta-me a minha imortalidade, Que o meu sangue corra durante anos e anos. Trocaria de bom grado a minha vida Pelo calor sereno de um refúgio seguro, Sempre que a sua agulha errante me conduzisse Por um fio através do vasto mundo. em Poems, tradução do russo para inglês de Peter Norman, Poets and Painters Press, 1998, p. 31 e 33.
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