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ERVAS DE ESTIO · Apr 24, 2026

Vida, vida

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Manuel A. Domingos · ERVAS DE ESTIO

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© Autor desconhecido

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1.
Não acredito em premonições, nem
Temo presságios, nem fujo ao veneno,
Nem à calúnia. Não há morte na terra.
Somos todos imortais, tudo é imortal.
Não há razão para temer a morte aos dezassete,
Nem aos setenta. Há apenas realidade
E luz; não há morte, nem escuridão neste mundo.
Já todos estamos à beira-mar, e eu sou
Um daqueles que puxam a rede,
Quando a imortalidade chega em cardume.
2.
Vive numa casa — e a casa não cairá.
Chamarei qualquer um dos séculos,
Entrarei nele e nele construirei a minha casa.
É por isso que os teus filhos e as tuas mulheres
Se sentarão comigo à mesma mesa, —
Há uma só mesa para antepassados e netos;
O futuro está a acontecer agora mesmo,
E se eu levantar a mão um pouco,
Todos os cinco raios permanecerão contigo.
Cada dia que já passou, como escoras,
Carreguei sobre os meus ombros,
E medi o tempo com uma corrente de agrimensor
E atravessei-o, como se atravessasse os Urais.
3.
Escolhi o século de acordo com a minha estatura.
Seguimos para sul, a levantar pó sobre a estepe;
As ervas altas fumegavam; um gafanhoto brincava,
Com as antenas tocava as ferraduras e profetizava,
Como um monge, ameaçando-me com a morte.
O meu destino apertei-o com correias à sela;
E ainda hoje, em tempos que haviam de vir,
Ergo-me nos estribos, como um rapaz.
A mim, basta-me a minha imortalidade,
Que o meu sangue corra durante anos e anos.
Trocaria de bom grado a minha vida
Pelo calor sereno de um refúgio seguro,
Sempre que a sua agulha errante me conduzisse
Por um fio através do vasto mundo.
em Poems, tradução do russo para inglês de Peter Norman, Poets and Painters Press, 1998, p. 31 e 33.

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