Talvez você nunca tenha parado para responder a isso.
Há perguntas que parecem simples demais para serem levadas a sério. E justamente por isso, passam a vida inteira sem resposta.
Quem você é?
O que te move?
O que você ama?
O que te atravessa?
Talvez ninguém nunca tenha te convidado a pensar nisso com calma e de verdade. Atenção: isso não é uma entrevista de emprego.
Talvez você tenha aprendido que essas perguntas eram um luxo, ou perda de tempo.
Ou algo para “quando a vida estivesse resolvida”, mas e se a vida nunca se resolve justamente porque essas perguntas ficaram para depois?
Grande parte da vida adulta é construída em torno de explicações. E parece que ficou institucionalizado o ser nome, idade e profissão. O “eu sou” costuma vir acompanhado de um cargo, uma função, uma utilidade.
Isso funciona.
Até o dia em que cansa.
Porque, em algum ponto, surge um desconforto difícil de nomear: a sensação de estar presente em tudo, menos na própria vida.
Talvez você não saiba exatamente quem é fora do que faz. Ou sabe?
E isso não significa vazio. Pode significar apenas que você passou tempo demais ocupando papéis e tempo de menos habitando a si.
Identidade não é algo que se declara. É algo que se escuta.
Durante muito tempo, o que move é o dever. Vlaro, precisamos nos sustentar, sustentar os nossos, sustentar o governo grande, pesado e em suma inútil em suas muitas tributações.
Mas chega um momento em que isso já não basta. O corpo continua indo e a mente ficando e funcionando até retrair-se.
E então surge a pergunta que quase assusta: o que ainda te move, se ninguém estiver te cobrando nada?
Talvez seja a vontade de compreender.
Talvez seja o desejo de dar sentido ao que foi vivido.
Talvez seja apenas a necessidade de respirar sem culpa.
Nem todo movimento nasce da ambição.
Alguns nascem do cansaço de sobreviver sem sentido.
Amar algo que não precisa ser útil, reconhecer o que atravessa sem romantizar e aceitar que nem todas as respostas estão prontas fazem parte do mesmo movimento: desacelerar para escutar. Responsabilidades precoces, cuidado excessivo e longos períodos apenas funcionando deixam marcas silenciosas, mas essas marcas não precisam ser destino. Quando você se permite observar o que ainda desperta interesse, o que aproxima em vez de afastar e o que dói sem ser negado, algo começa a se reorganizar por dentro. A vida adulta não precisa ser apenas resistência contínua; pode se tornar reconstrução. Não para resolver tudo de uma vez, mas para iniciar uma escuta honesta que, por si só, já coloca algo em movimento.
Talvez você ainda não tenha respostas claras.
Talvez tudo isso pareça confuso demais para agora.
Mas refletir já é um gesto raro.
E necessário.
Quem você é.
O que te move.
O que você ama.
O que te atravessa.
Não para responder de uma vez.
Mas para, finalmente, começar a escutar.
Se este texto te acompanhou até aqui, talvez algo em você já tenha começado a se mover também. E, às vezes, isso é mais do que suficiente para hoje.
Elevate your journey.
—
Loren Assunção
Educadora • Professora de Inglês • Lifelong Learner
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