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um palpite a qualquer hora. · Oct 29, 2025

pessoas poderosas investem em bancos

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duda travalin · um palpite a qualquer hora.

Jana havia feito quatro anos de administração, além de passar vinte e quatro meses naquele inferno de mestrado de recursos humanos. No entanto, todos os seus esforços foram literalmente jogados no lixo quando Fabiano, o prefeito de Valécia, recusou seu orçamento para a reforma do banco na Praça 15. O projeto estava programado para iniciar daqui uma semana, durante o aniversário do fundador de Valécia, e Jana não conseguiu encontrar ninguém que gostaria de fazê-lo devido ao baixo investimento do prefeito.

A secretária administrativa decidia se este era o melhor momento para chorar e implorar para que Fabiano fornecesse mais verba ou se deveria pegar a planilha que estava na lata ao lado de sua mesa e tacar na cabeça do homem à sua frente.

— Senhor, isso é completamente inviável. Já fui em todas as empreiteiras da cidade e nenhuma aceitaria participar da reforma por esse preço, eles fizeram questão de deixar bem claro.

Jana perdeu a conta de quantas pessoas riram e bateram a porta na sua cara, pedindo encarecidamente que nunca mais voltasse.

Fabiano revirou os olhos e contornou a escrivaninha, sentando-se novamente. A sala do prefeito já estava abafada e as roupas grudavam em sua pele por conta do suor, ele tirou o paletó e encarou a secretária.

— Por que raios eu investiria mais de cinquenta mil contos em um banco, Jana?

— Senhor, foi você quem pediu que a reforma acontecesse, como espera ter uma coisa bem feita com menos do que isso? Se tiver um acidente, quem a imprensa irá culpar?

— O setor de marketing — resmungou.

— Não, será o senhor, porque foi você quem aprovou o projeto.

Ele passou as mãos em seu cabelo, bagunçando os cachos negros e suspirou. Fabiano não esperava que a obra seria tão cara, especialmente nesse momento em que diversos patrocinadores de times esportivos estavam de olho nele, buscando qualquer coisinha para suspenderem o contrato com o novo ginásio.

Jana, vendo que seu chefe estava prestes a chorar, suspirou pesadamente e estalou os dedos tentando chamar sua atenção.

— Escuta aqui, Fabiano, você não vai perder patrocinadores porque decidiu melhorar a qualidade de vida da sua população e investir em uma reforma decente naquela instituição que está caindo aos pedaços.

O prefeito arregalou os olhos e ajeitou a postura.

— O quê? - disse ele

— O quê? - ela devolveu

— O que você disse, Jana?

— Que o banco está caindo aos pedaços - repetiu constrangida. - Todo mundo sabe que a catraca nem funciona mais e tem alguns caixas eletrônicos fora de serviço há mais de cinco anos.

Um peso que ele nem sabia que existia saiu de seus ombros e, em sua euforia, correu para abraçar Jana. A mulher, por outro lado, não entendeu o que estava acontecendo e o empurrou levemente, até que tivesse uma distância considerável entre os dois. O sorriso que Fabiano carregava era tão brilhante que Jana quase tapou os olhos.

— Por que está sorrindo assim?

— Não é nada — mentiu. Restava-lhe um pouco de orgulho em seu corpo e não queria arriscar constranger a si mesmo dizendo que esperava investir em um banco, que pessoas sentam. — Quanto é mesmo a reforma?

Read the original on dudatravalin.substack.com

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