essa semana, olhando para fora.
tem homem que chega já com um mapa.
fala de direção,
de liderança,
de lugar.
fala como quem sabe
onde tudo deveria estar.
e tem homem que chega sem nada.
sem mapa.
sem resposta.
sem muita frase.
chega e senta.
às vezes nem senta direito.
fica meio na beirada,
como quem pode ir embora a qualquer momento.
esses falam baixo.
quando falam.
falam do filho.
da casa.
do dinheiro curto.
de uma coisa que mudou
e não voltou mais.
um deles disse outro dia:
“antes parecia que eu sabia
o que era ser homem.
agora… eu não sei nem por onde começar.”
ninguém respondeu.
não tinha o que responder.
porque alguma coisa mudou mesmo.
não é impressão.
o lugar antigo não está mais lá.
e o novo
ninguém explicou direito onde fica.
aí aparecem as respostas.
fortes.
organizadas.
com promessa de ordem.
dizem:
volta pra cá.
a gente arruma isso.
a gente te devolve o lugar.
e dá vontade de ir.
porque é simples.
porque é conhecido.
porque tira o peso de não saber.
mas também tem o outro lado.
o que aponta tudo que precisa cair.
e precisa mesmo.
mas às vezes só aponta.
derruba
e segue.
no meio disso,
fica um homem em pé.
sem o que era
e sem saber o que pode ser.
e isso não é pouca coisa.
porque ficar sem lugar
cansa.
confunde.
dá raiva às vezes.
eu tenho visto essa raiva também.
não a que aparece nos vídeos.
a que aparece no silêncio.
no jeito de falar mais curto.
no corpo mais duro.
no olhar que evita.
e tenho visto outra coisa.
uma tentativa meio torta
de entender.
de não voltar exatamente pro que era.
mas também sem saber como seguir.
o problema é que
quem oferece resposta pronta
fala mais alto.
e quem ainda está tentando entender
fala pouco.
e talvez por isso pareça
que só existem dois caminhos.
ou voltar
ou desaparecer.
mas não é isso.
tem homem voltando.
sem saber explicar por quê.
sentando no mesmo lugar.
eu tenho visto homem ficando.
mesmo sem saber.
ficando na conversa.
ficando no incômodo.
ficando onde não tem aplauso
nem certeza.
talvez o que esteja faltando
não seja mais uma resposta.
mas um lugar onde ele possa existir
sem saber ainda.
um lugar onde ele não precise
nem recuperar o trono
nem virar problema.
onde ele possa sentar
e não precisar sair correndo.
só ficar.
e, às vezes,
isso já muda alguma coisa.
— R.
a pia tá limpa, por hoje.

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.