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Diário Aberto · Feb 22, 2026

A tristeza sempre parece eterna

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Carolina Rodrigues · Diário Aberto

Mais uma vez, me sinto triste e solitária, nem sempre, mas quase sempre. E esse sentimento, por mais que tenha surgido das últimas três semanas para cá, parece eterno.

O motivo dessa tristeza é o mais velho do mundo, o amor. Um término de namoro, quão clichê isso é?

Clichê ou não, não consigo diminuir a tristeza com frases motivacionais pós-relacionamentos, “tudo passa”, “homem é igual biscoito, vai 1, vem 8”, “para curar um grande amor, só outro”. Confesso, são frases que me divertem, mas não tiram o sentimento de que algo essencial em mim está faltando.

Todo coração partido me deixa como uma adolescente, dramática, chorando pelos cantos, fingindo que o mundo acabou, tomando decisões estúpidas. E, como uma boa adolescente, sinto também a sensação de que todo o sofrimento é para sempre. Como vou viver o resto da minha vida com essa tristeza? Eu sempre acho que todos os meus dias serão exatamente como este que estou vivendo agora.

Talvez isso não seja uma coisa de adolescentes, na verdade. Deve ser normal não conseguir enxergar um futuro radiante quando sua visão está num túnel de melancolia. Esse é o problema da tristeza, ela nos faz acreditar que não há nada além disso.

Chorando, sempre penso “Como é que vou ser feliz algum dia de novo se estou tão triste agora?”, seria incoerente ficar alegre depois de estar tão deprimida.

Edward Hopper, Automat, 1927, Des Moines Art Center, Des Moines, IA, USA.

Acontece, que a vida sempre me prova incoerente, hipócrita. Às vezes, acordo com os olhos inchados ainda por ter chorado na noite anterior, mas me sentindo perdidamente apaixonada pela vida. Outras, pulo o Carnaval sem lembrar por um segundo sequer que já estive triste algum dia. E, tem vezes, que choro desesperadamente, pensando que nunca vai passar, mas, no fundo, sabendo que vai.

Gosto de pensar nesse fenômeno como estar presente nos meus sentimentos. Me permito dramatizar e eternizar emoções, mesmo sabendo que isso não é racional. Mas misturar emocional com racional nunca foi meu forte, não acho nem que deveria. A beleza de sentir é não ter porquê, não precisar de explicação, constância ou coerência.

E esse é um dos motivos que fazem apaixonar-me pela vida, sua constante insconstância. O ato de sentir traz consigo uma hipocrisia inevitável. Espero continuar me contradizendo, me surpreendendo com as contradições dos meus sentimentos. E espero lembrar-me, repetidamente, que a tristeza não é eterna.

Read the original on diariopublico.substack.com

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