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DeSmeeOLado · Apr 19, 2026

O Gibi dos Robôs Que Viram Carros é Surpreendentemente Bom!

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Guilherme Smee · DeSmeeOLado

Se você viveu um pedacinho da década de 1980 como eu, sabe que teve muitos produtos culturais por aí que eram ao mesmo tempo brinquedos, desenhos animados e gibis. E todas essas mercadorias vendiam a rodo e rendiam milhares de dólares para seus proprietários. Também deve saber que todas essas propriedades intelectuais tentaram revivals dessa fase, algumas com mais sucesso que as outras, outras sem nenhum efeito no público, mas nunca repetiram os feitos originais. É o caso de Transformers, que voltou aos quadrinhos pela Image, mas desta vez, encabeçado por Robert Kirkman, de Invencível e The Walking Dead, unindo no mesmo universo os Comandos em Ação (G.I. Joe). Essas foram duas franquias que sempre esnobei e nunca achei graça. Mas quando a coisa vai para os quadrinhos com criadores de peso, a coisa fica séria pra mim (ria se quiser) e fui conferir o trabalho de Daniel Warren Johnson nos Transformers. Nesta edição de DeSmeeOLado você confere mais de 25 reviews, algumas decepções, alguns quadrinhos brasileiros muito tris e um tantinho de livros sobre o fracasso, além dos nossos sempre presentes super-heróis. Divirta-se!

NINGUÉM É F#DIDO POR ACASO: UM GUIA PRÁTICO ANTICOITADISMO, DE RICARDO BELLINO

Este é mais um livro que comprei na oferta de 19,90 nas Lojas Americanas. Estou estudando o fracasso e me pareceu que esse livro pudesse trazer alguma elucidação. Principalmente porque o subtítulo diz que o fato de alguém ser fodido ou fudido (ou autor faz um diferenciação que não entendi) não vem do acaso. Mas, obviamente, isso é uma estratégia de venda do livro. Ele passa bem longe de analisar qualquer contexto demográfico, social, regional, geracional, e insiste em dizer que sucesso depende unicamente de iniciativa e força de vontade. Não existem outras forças e poderes te impedindo, apenas você! Magya! Se achar fudido é coitadismo. Ou seja, este livro é extremamente meritocrata e extremamente elitista, para não falar de outras marcas identitárias que ele ignora com conselhos que não servem para todas as realidades e que foca principalmente nos negócios empresariais. Infelizmente esse é o segmento de livros que mais cresce no Brasil e no mundo. E fica a dica: tem f#da ou f#dido no título: fuja!

O ARQUEIRO, DE PAULO COELHO

★ ★ ★

Nunca tinha conseguido ler um livro do Paulo Coelho inteiro. Sempre começava e parava lá pelas tantas. Este aqui estava na boulangerie e era um dos menorzinhos que tinham lá. Peguei para ler enquanto esperava o pedido e o pedido chegou logo que acabei de ler. É um livro curtíssimo e ilustrado. Ele conta a história de um arqueiro japonês e de um pretenso aprendiz, a quem este arqueiro repassa conselhos sobre sua arte de viver e da arquearia. Acontece que quando escrevi um artigo acadêmico sobre o Arqueiro Verde Connor Hawke, eu estudei o kyudo, e um dos livros essenciais dessa arte criados no Ocidente é A Arte Cavalheresca do Arqueiro Zen, de onde vem a maior parte do conteúdo de O Arqueiro, com Paulo Coelho, inclusive, agradecendo ao autor Eugen Herrigel em virtude da publicação daquele livro. Talvez seja por isso que eu tenha gostado e conseguido ler esse livro até o final, porque não é bem do Paulo Coelho.

GETULIO DELPHIM: O OURIVES DO TRAÇO, DE MARCOS MASSOLINI

★ ★ ★ ★

Esta coleção da Criativo Editora com a GRRR! sobre os principais mestres dos quadrinhos brasileiros (relativamente) contemporâneos é uma joia. Esta edição, em especial, tem o texto fluido e gostoso de ler do impecável revisor, jornalista, poeta e pesquisador (e amigo) Marcos Massolini. Getulio Delphim tem uma certa importância para nós, gaúchos, porque fez parte da CETPA, onde criou o personagem Aba Larga, uma espécie de policial campeiro. Mas obviamente ele não fez só isso e este livro é a prova disso. Esteve envolvido, por exemplo, nos quadrinhos de dois super-heróis brasileiros: o Capitão 7 e o Capitão Estrela, mas também do Capitão Atlas e do Jet Jackson. Trabalhou muito com publicidade, mas talvez a coisa mais marcante em sua carreira fosse ter substituído Péricles Maranhão, o criador do Amigo da Onça, depois que seu amigo deu cabo da própria vida. Foi bem educativa, informativa e interessante a leitura desta biografia, sempre aprendendo mais sobre os quadrinhos brasileiros.

A ARTE DE SER INFELIZ, DE NELIO TOMBINI

★ ★ ★ ★

Estou pesquisando sobre fracasso para um artigo científico e, entre outros livros, me deparei com este: A Arte de Ser Infeliz, de Nelio Tombini, que, aliás, é um ótimo nome. Não sabia que era um best-seller com diversas versões. Como estava em oferta por 19,90 nas Lojas Americanas, o adquiri. Ele não versa exatamente sobre a “arte de ser infeliz”, mas sobre como nós mesmos nos tornamos infelizes por nossa culpa e risco, deixando que problemas de fundo psíquico nos afetem (Nelio Tombini é psiquiatra e todos os textos tratam dessas limitações que temos em nossas vidas individuais e sociais). Este é um livro de 300 páginas, mas ele tem muito mais conteúdo que sua envergadura possa revelar porque a diagramação é pequena e espremida, um drama psíquico e físico para as pessoas mais envelhecidas. Mas é um livro bom, elucidativo sobre as mazelas contemporâneas ligadas ao sofrimento psíquico de forma informal, sem cair nos jargões psicanalíticos ou psiquiátricos. É um livro que faria bem a todos lerem (menos, talvez, os com problema para a leitura).

IMPERIALISMO E QUESTÃO EUROPEIA, DE DOMENICO LOSURDO

★ ★ ★ ★

Comprei essa publicação na Talismã Livros do Shopping Vesta em Torres. Existem livros que apenas o prefácio ou o posfácio trazem insights interessantes e tem livros que são o contrário: esses apêndices não dizem nada. Sorte que este livro de Domenico Losordo é o segundo caso. O autor traz ótimas análises sobre a relação entre a Europa e os Estados Unidos no cenário global atual e pensa o quanto o imperialismo em todas as suas facetas é exercido na contemporaneidade de uma forma muito mais “eficiente” e “sutil” do que era quando o centro do poder emanava do Velho Mundo. Ele também pensa em alguns capítulos sobre o papel da China como espaço emergente de influência e discute como as antigas colônias europeias na África, na Ásia e na América Latina são muito mais subjugadas atualmente pelos EUA do que por suas antigas metrópoles. Um ótimo livro para se discutir o que é o imperialismo nos dias de hoje, pero que lo hay, lo hay.

ELOGIO DO FRACASSO: DESAFIANDO A LÓGICA DO SUCESSO, DE COSTICA BRADATAN

★ ★ ★ ★

Mais um livro da senda “failure studies” para a lista. Este Elogio do Fracasso é muito próximo ao livro A Arte Queer do Fracasso, com a diferença de que aquele foca no universo queer. Este aqui tem um artifício diferente, que é trazer a história de vida de pessoas que ficaram para a História como bem-sucedidas, mas que, no íntimo delas, acreditavam que eram retumbantes fracassadas. Neste livro fiquei sabendo das condições de vida de Simone Weil e de Emil Cioran, que conhecia a obra, mas não o pano de fundo, mas também de Mahatma Gandhi e de Yukio Mishima, que conheço mais a vida do que a obra. Foi um percurso de leitura muito informativo, prazeroso, rápido de ler e, de certa forma, até consolador, num mundo em que todos prezam o sucesso mais do que qualquer coisa e que costuma ser dividido, segundo a lógica estadunidense, entre vencedores e perdedores.

A OFENSIVA SENSÍVEL: NEOLIBERALISMO, POPULISMO E O REVERSO DA POLÍTICA, DE DIEGO SZTULWARK

★ ★ ★ ★

Comprei este livro na Superlivros em Torres e fui lê-lo, logo em seguida, na Sorvelândia, em meio a uma algazarra de crianças porque era Páscoa. Achei interessante a ideia de “ofensiva do sensível” de Diego Sztulwark, que é argentino, e tem visto movimentos como o “ni una a menos” como parte dessa ofensiva dentro do campo da política que, historicamente, é o oposto de sensível. A ascensão de movimentos pelos afetos e pelo cuidado, para ele, é uma forma sensível, e é ofensiva porque fere a velha forma de se fazer política que, não segundo ele, mas segundo outras pessoas pensadoras, tem base patriarcal. O neoliberalismo e o populismo acentuam essa verve patriarcal, enquanto essas pequenas ofensivas, guerrilhas, táticas e estratégias sensíveis vão perfurando um pouco essa muralha insensível. Claro que o livro de Sztulwark é muito mais complexo do que isso, mas foi o que coube explicar dentro da limitação de caracteres da caixinha do Goodreads. Dito isso, é um livro muito interessante para entender a política argentina e mundial atual.

AVENTURAS MARVEL, VOLUME 18, DE PETER DAVID, MIKE NORTON, PAUL TOBIN E IG GUARA

★ ★

É, bem, não adianta ter o nome de Peter David na capa se a história não atinge o nível que sabemos que o PAD é capaz de desenvolver. Nela temos uma viagem de Peter Parker para os Everglades, onde acaba encontrando e se aliando ao Homem-Coisa, que auxilia o Homem-Aranha com mercenários que atacam um pai e uma filha. Já na história dos Vingadores que não são os Vingadores, mas que viram os Vingadores nesta história, temos o recém-formado Nova, Richard Rider, em uma excursão com amigos pela Inglaterra. Lá encontram e enfrentam uma lenda local e acabam dando de cara com Capitão AMérica, Mulher-Invisível, Thor, Visão, entre outros. E como se não bastasse, além do Nova, a Viúva Negra também passa a fazer parte dessa equipe de heróis. Essa linha das Aventuras Marvel parece ter zero de supervisão editorial original, porque as histórias são muito sem direcionamento.

UM MUNDO SOB DESTINO, VOLUME 5, DE RYAN NORTH E R. B. SILVA

★ ★

Não estou sentindo aquela firmeza nessa megassaga Um Mundo Sob Destino. Ela funciona de um jeito estranho comparada com outras megassagas. Parece que essa minissérie e os títulos relacionados não se conversam, uma coisa que acontece aqui não repercute ali. Nesta edição o óbvio acontece. Doutor Destino e os heróis da Terra se unem contra Dormammu e os heróis começam a duvidar seu julgamento sobre Victor Von Doom, achando que devem, sim, começar a confiar num dos maiores supervilões do Universo Marvel. Mas eis que de repente, não mais que de repente, temos um momento extremamente Bendis e o gancho para a próxima edição. Tá cansativo isso, vou te falar.

VINGADORES, VOLUME 28 (85), DE JED MACKAY, ANDREA BROCCARDO, STEPHEN ACKERMAN, JULIUS OHTA, AL EWING, JAN BAZALDUA, ALYSSA WONG E BOB QUINN

★ ★

O título dos Vingadores se esforça para ser extremamente ruim a cada mês, népussiveu. A melhor coisa deste título foi que encerrou o arco dos Mestres do Terror, que, levando em conta o que já passamos neste mix, não foi uma trama tão ruim assim. Em Homem de Ferro temos russos contra quase russos, quando a Guarda Invernal enfrenta a Viúva Negra e o Soldado Invernal numa luta pela influência de um player que pode alterar a guerra contra o Doutor Destino. Nesta edição também é contada a origem deste rapaz. Bem confusa. Mas nada mais confuso que as histórias do Thor por Al Ewing. Népussiveu que seja o mesmo escritor de X-Men Red e de Venom, certamente ele deve estar pagando um ghost writer pra esse título. E também temos as historinhas curtas e sem palavras do Jacaré Loki para ser a cereja podre do bolo abatumado e com cobertura rança de chantilly.

A PODEROSA ÍSIS, VOLUME 1 (DE 3), DE DENNY O’NEIL, STEVE SKEATS, WALLY WOOD, RIC ESTRADA, MIKE VOSBURG, VINCE COLETA, MIKE NASSER, FRANK GIACOIA

★ ★

Mais uma versão fac-símile de um quadrinho da editora EBAL feita por grupos de fãs. Agora reunidas em três edições, este número traz partes de diversas edições originais do título Ísis, publicado pela DC Comics. A Poderosa Ísis foi uma personagem famosa na década de 1970 e tinha um seriado de televisão que alternava com o do Capitão Marvel, hoje conhecido como Shazam!. As histórias aqui apresentadas, aparentemente são bem costuradas com a trama do seriado, mas são histórias extremamente inocentes, seguindo um padrão formulaico do vilão da vez. Ainda que a arte não fosse das mais espetaculares, os roteiros da série em quadrinhos eram coordenados por Denny O’Neil, que também é responsável pelo roteiro da primeira edição. O título em quadrinhos da Poderosa Ísis teve oito edições originais nos Estados Unidos, mas nem todas elas foram publicadas na íntegra no Brasil na época da EBAL.

EXCEPCIONAIS X-MEN, VOLUME 5, DE EVE L. EWING, CARMEN CARNERO, MARK RUSSELL E BOB QUINN

★ ★ ★

Dando alguns passos atrás, Eve L. Ewing e Carmen Carnero contam um pouco sobre como estava a vida de Kitty Pryde entre o fim de Krakoa e esta nova fase em Chicago. Assim, as duas fases são costuradas, mas ao mesmo tempo os pretensos alunos de Pryde, Bobby e Emma, ficam sabendo de algumas verdades inconvenientes sobre sua mentora e salvadora. Ao mesmo tempo, a trama do aplicativo que disfarça corpos se aprofunda e atinge a família de Porradeira (que nomezinho ruim, hein?). Enquanto isso, na história do X-Factor, enquanto se preparam para uma missão, os membros da equipe são atacados e apreendidos pela X-Term. E alguém acaba morto no novo Esquadrão Suicida da Marvel. Estou chegando à conclusão de que quando as histórias do X-Factor envolvem a X-Term, elas ficam muito piores.

SHEENA: A RAINHA DAS SELVAS (O HERÓI, VOLUME 36), DE BOB WEBB E WILL EISNER

★ ★ ★

Esta edição fac-símile de Sheena publicada originalmente pela EBAL em 1952, na revista O Herói número 36, traz trabalhos de seu criador, Will Eisner, o mesmo criador do Spirit e do termo graphic novel. Uma das coisas mais interessantes dessa publicação é o texto das orelhas que fala sobre o fenômeno das “tarzanas” nos quadrinhos, expressão com que me deparei agora. Eram as “rainhas das selvas” que tiveram inúmeras versões desde a Era de Ouro até agora, incluindo Shanna, da Marvel, que, obviamente, é uma contraparte de Sheena. Quanto às histórias em quadrinhos desta edição, elas são extremamente bobas e simples. Trazem também aquela carga de desconhecimento e de preconceito sobre “tribos selvagens e atrasadas”. Histórias sobre povos que precisam ser civilizados e toda a velha ladainha imperialista que estava em voga nos anos 1940 e que ainda não deixou de repercutir por aí. Mas olha que legal: fiquei sabendo sobre as tarzanas!

HOMEM-ARANHA: A SAGA DO CLONE - BEN REILLY, VOLUME 1, DE TODD DEZAGO, TOM DEFALCO, HOWARD MACKIE, MIKE LACKLEY, GLENN HARDLING, MIKE BAGLEY, SAL BUSCEMA, PARIS KAROUNOS, GIL KANE, TOD SMITH

★ ★ ★

Falei que não ia comprar essa coleção Homem-Aranha: A Saga do Clone - Ben Reilly, mas a oferta da primeira edição por 29,90 reais falou mais alto. A esperança de ter um nível de histórias mais legais também. Mas esse começo, quando Ben ainda é o Aranha Escarlate, não é a melhor parte desta fase. Aqui vemos o personagem buscando emprego e acaba virando garçom de boate. Ao mesmo tempo, a Doutora Octopus e Sewad Treinor começam uma batalha de realidade virtual que vai se estender ao restante do encadernado. Tudo acaba com o Aranha Escarlate enfrentando os Homens-Animais do Alto Evolucionário, em que o cientista acaba relacionando as suas experiências com as do Chacal (como visto em A Guerra do Alto Evolucionário). Essa última parte é a mais curiosa e também a que tem os desenhos mais interessantes. Ainda assim, não são histórias empolgantes que façam com que o leitor se mantenha ligado todo o mês.

WOLVERINE, VOLUME 8, DE CODY ZIGLAR E ROGÊ ANTONIO

★ ★ ★

A PaniniTM usa o velho truque de encher linguiça porque um título está adiantado e publica nesta e na próxima edição de Wolverine a minissérie do encontro entre os pais e filhas Wolverines e Deadpools. Para quem está acompanhando a série do Deadpool faz mais sentido essa série, porque dá mais destaque aos mercenários tagarelas do que aos carcajus peludos (?) e também porque é escrita e desenhada pela mesma equipe criativa do título do Deadpool. Por isso, faria mais sentido essa minissérie sair no título do Wade. Mas, falando da qualidade da história, ela explora bem a relação entre os personagens, o que, pra mim, é ótimo e essencial. Por outro lado, quem quer ver vilões vilanescos fazendo vilanias, vai encontrar só o Rei das Sombras dominando a galera e botando um contra o outro. Nesse ponto, a história é bem fraca. Acredito que os fãs dos Wolverines não vão curtir tanto essa edição.

A SAGA DO WOLVERINE, VOLUME 10, DE CARL POTTS, GARY ERSKINE, SCOTT LOBDELL, ANDY KUBERT, ADAM KUBERT, LARRA HAMA

★ ★ ★

Esta edição de A Saga do Wolverine é dividida em duas partes. A primeira é a finalização da minissérie de Wolverine com o Justiceiro, cujo nome original é Damaging Evidence, e que foi publicada num tempo cronológico de histórias da Marvel anterior ao status atual da Saga do Wolverine. Nesta parte, além de Donald Pierce, também o Rei do Crime está envolvido. Já falei no review da edição que acho os roteiros de Carl Potts confusos e que gostei da arte de Gary Erskine. Essa opinião não mudou nesta edição. A segunda parte deste volume de A Saga do Wolverine está relacionada com a saga Atrações Fatais e traz duas edições milestone da linha mutante, X-Men #25 e Wolverine #75. Nelas, Magneto arranca o adamantium do corpo de Wolverine e o Professor X oblitera a mente de seu maior rival e amigo. Duas edições que se tornariam, de certa forma, basilares, para a equipe mutante e para o mutante de garras. E até que elas têm mesmo seus momentos dramáticos, divertidos, enigmáticos e eruditos.

A SAGA DO SUPERMAN, SEGUNDA TEMPORADA, VOLUME 14 (38), DE DAN JURGENS, JERRY ORDWAY, LOUISE SIMONSON, ROGER STERN, TOM GRUMMETT, BUTCH GUICE

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Esta edição de A Saga do Superman tem duas partes. A primeira é o fim da saga Pânico nos Céus. Primeiro é preciso dar os parabéns à PaniniTM por ter mantido as capas relacionadas na edição anterior e nesta. Depois, dizer que Pânico nos Céus fica um pouco melhor nesta parte, com menos confusão com quem está sendo manipulado mentalmente pelo Brainiac ou não. Acabada a saga e os heróis comemorando, começa uma outra história bizarra, parecida com as que víamos na primeira temporada, depois de Byrne, relacionada com dimensões alternativas, o pai de Jimmy Olsen, demônios e coisetal. Aqui também se dão as boas-vindas a Jackson “Butch” Guice, que faleceu recentemente, nos desenhos das histórias do Homem de Aço e ele nos brinda com um belo momento beefcake de Lex Luthor II (gostadores gostarão). Falta pouco para chegar à morte do Superman. Quem sabe vem uma nova temporada aí?

VINGADORES: A GRUTA - ARMADILHA MORTAL, DE DANNY FINGEROTH E RON LIM

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Lembro de ver o nome de Danny Fingeroth em diversos lugares nos quadrinhos da Marvel, mas se me perguntarem qual ele escreveu, não saberei dizer qual. Já Ron Lin tem uma vasta produção principalmente no Surfista Prateado e na trilogia do Infinito, mas é um nome sempre cotado quando a demanda é desenhar uma vastidão de personagens diferentes. Isso não é diferente neste quadrinho sobre A Gruta, que sempre tive curiosidade de ler, mas nunca tinha parado pra fazer isso. O roteiro não é nada memorável, mas a capacidade de Lim de desenhar uma centena de personagens é sim. Na trama, Venom encabeça uma rebelião na Gruta, que faz com que a Força Federal de Mística se una aos Vingadores (numa equipe que não nem do Leste nem do Oeste). No meio disso tudo existe a ameaça de uma bomba nuclear. Basicamente é isso e acredito que este quadrinho só acabou saindo no Brasil por ter o Venom na capa.

SUPERMAN, VOLUME 7, DE MARK WAID, DAN SLOTT, JOSHUA WILLIAMSON, BÉLEN ORTEGA, DAN MORA E JORGE GIMÉNEZ

★ ★ ★

É o verão do Superman! Mentira! Foi o verão do Superman nos Estados Unidos quando o último filme dele foi lançado, e a DC Comics aproveitou para lançar novos arcos e novas séries nas revistas da família do Superman. Esta edição que, meio de canto, celebra o casamento de Lana Lang e John Henry Irons, une os três roteiristas das principais publicações do Super neste especial que introduz novos movimentos na linha: Mark Waid (Action Comics), Dan Slott (Superman Unlimited) e Joshua Williamson (Superman). Mas ler ou não ler esse especial não vai nem te dar vontade de ler essas histórias como também não vai te fazer abandoná-las. A própria DC Comics ignorou esse especial encadernado que fez do personagem e a PaniniTM só publicou essa edição porque precisava atrasar o título do Superman em relação aos outros títulos da DC. Então, é uma história que tanto faz como tanto fez e isso fica bem claro por toda ela.

MONSTROS DA UNIVERSAL: O MONSTRO DA LAGOA NEGRA VIVE!, DE DAN WATTERS, RAM V, MATTHEW WATTERS

★ ★ ★

Dos três títulos dos Monstros da Universal que a Darkside Books lançou aqui no Brasil, o do Monstro da Lagoa Negra foi o de que menos gostei. O que é curioso é que o Monstro sempre foi o que mais simpatizei e também o menos popular dos três publicados (os outros foram Drácula e Frankenstein). A trama trata de uma história de vingança que acompanha uma exploradora, um cientista e um serial killer, e a figura do Monstro da Lagoa Negra fica relegada às sombras, como um rumor, e não exatamente como o protagonista. Isso poderia ser bom já que muitas narrativas se aproveitam desses rumores para fazer a história da criatura abordada, mas esta aqui parece mais a história dos três outros personagens do que do Monstro em si. A arte do quadrinho também fica abaixo da média das outras obras que foram trazidas para o Brasil pela Darkside Books. A coleção dos Monstros da Universal tem ainda outros personagens contemplados e espero que a Darkside traga essas obras também.

QUARTETO FANTÁSTICO EPIC COLLECTION, VOLUME 25: DIAS ESTRANHOS, DE TOM DEFALCO, PAUL RYAN, CARLOS PACHECO, MARK WAID, SCOTT LOBDELL E ADAM KUBERT

★ ★ ★ ★

Alguns podem não gostar dessa fase do Quarteto Fantástico, mas eu acho ela muito legal. Sim, tem um lado afetivo nisso. Foram algumas edições antes do início deste encadernado que eu comecei a ter contato com essa equipe. Fora isso, só tinha visto eles em comerciais no canal a cabo Fox Kids, onde passava o desenho animado dos X-Men. Por isso, tenho bastante carinho por personagens como Scott Lang, Lyja, Kristoff Vernard e Cassie Lang que são desenvolvidos aqui enquanto Reed Richards está desaparecido. Foram mesmo “dias estranhos” para o Quarteto, mas quem é queer sabe que estranho não significa necessariamente algo ruim. Agora, quando as histórias da equipe começam a se aproximar da saga Massacre, minha Tia Petúnia, a coisa começa a ficar ruim mesmo, principalmente com Charlie, o amigo imaginário de Franklin Richards. Sorte do leitor que essa é só a parte final do encadernado, o resto, na minha opinião, é divertido, estranho e melhor que muitas outras fases da primeira família da Marvel.

TRANSFORMERS, VOLUME 1: ROBÔS DISFARÇADOS, DE DANIEL WARREN JOHNSON E MIKE SPICER

★ ★ ★ ★

Eu ainda era novo demais quando Transformers foi sucesso no Brasil (e no mundo) como brinquedo e desenho animado, não cheguei a pegar essa onda. Também nunca tive interesse em assistir aos live-actions, tudo me parecia bobo demais (como os super-heróis já pareceram um dia). Mas resolvi dar uma chance ao Universo Energon por ter vindo para o Brasil e por causa dos nomes envolvidos nos quadrinhos. Sim, principalmente por serem quadrinhos e de um universo de histórias compartilhado. As histórias são bem desenvolvidas, têm um tom sombrio e adulto, apesar de, no fundo, serem carrinhos e aviões de brinquedo, brigado. Não sei dimensionar o que é original da franquia e o que foi criado para o quadrinho, mas eu gostei do que vi e do que li, e do que entendi, que acaba tendo uma mensagem humana e acolhedora. Além disso, a arte impactante de Daniel Warren Johnson é outro motivador para continuar acompanhando a trama. Transformers é um bom quadrinho. Se é um bom desenho animado, filme ou brinquedo, não saberia avaliar. Prefiro fazer a Glorinha.

UM FIM DE SEMANA RUIM, DE ED BRUBAKER E SEAN PHILLIPS

★ ★ ★ ★

Quando soube que este quadrinho era sobre um quadrinista amargurado sendo homenageado em uma convenção de quadrinhos no final da vida, eu pensei: esse quadrinho é para mim. Primeiro, porque é um quadrinho sobre quadrinista e este tipo de história sempre me pega de jeito (bom, a maioria, pelo menos). Depois, porque é feito por Ed Brubaker e Sean Phillips que, via de regra, fazem um ótimo trabalho juntos. O que eu não sabia era do plot twist que o quadrinho dá e isso ajuda muito a melhorar minhas expectativas (ou minhas não-expectativas). Uma coisa interessante sobre esse quadrinho é que ele não se furta em citar pessoas reais da indústria de quadrinhos estadunidense, claro, nunca falando mal delas. O evento e o quadrinista também são fictícios, mas têm, digamos, um slice of life, um pedacinho de verdades sobre essa indústria, mercado ou cenário, espalhado aqui e ali. Gostei bastante de um fim de semana ruim, porque às vezes, tem eventos de quadrinhos que são exatamente isso.

O ÚLTIMO TÁXI, DE FABIO CORRÊA E FABIANO AZEVEDO

★ ★ ★ ★

O Fabiano Azevedo me mandou uma mensagem perguntando se podia me enviar os quadrinhos dele e recebi com muita alegria. Gostei bastante deste O Último Táxi que imagina uma megacity de Belo Horizonte num futuro muito próximo do fim do mundo. Mas quem é a estrela principal deste quadrinho não é nem o táxi nem o fim do mundo, mas a música, daquela que toca no rádio. Porque o radinho de pilhas é que toma protagonismo nessa história, e vai nos envolvendo na história enquanto entendemos que música, naquela realidade, é História, algo arcaico, a que as pessoas não dão mais o devido valor. E é a presença dela na narrativa que faz com que tudo aconteça, que os personagens se envolvam e que tudo deixe de acontecer também. O Último Táxi é um quadrinho muito inventivo e que nos captura pouco a pouco e, como toda boa ficção científica, é uma crítica ao mundo atual.

SANTELMO ENFEITIÇADO, DE FABIANO AZEVEDO, ERICK AZEVEDO E PIERO BAGNARIOL

★ ★ ★ ★

Santelmo Enfeitiçado se passa no interior de Minas Gerais entre o final do século XIX e o começo do século XX. Ele conta a história de um ermitão que é herbalista e que, por causa de alguns sinais que encontra na vizinhaça de sua casa, vai em busca de seu destino revivendo partes de seu passado. Para isso, ele peregrina até a capital do estado, passando por diversas provações e lembranças, até que entendemos suas motivações e as das pessoas ao seu redor. Então, conseguimos também compreender qual é o feitiço ao que o título se refere. O livro em quadrinhos também conta com o texto de apoio de uma historiadora que esclarece ainda melhor o contexto da época e do estado de Minas Gerais. É um trabalho muito legal de quadrinho histórico, mas das duas HQs que o Fabiano Azevedo me mandou, ainda prefiro o Último Táxi, por ser uma narrativa mais simples, mas cativante.

NADA FLORESCEU EM 99, DE DJEISON HOERLLE E EDUARDO RIBAS

★ ★ ★ ★

Nada Floresceu em 99 conta a busca de três amigos por um colega de escola que deixou de ir às aulas. Ele não deixa nada a dever a diversos clássicos de narrativas de amigos crianças que saem em uma jornada, como uma road story infantojuvenil, mas ele tem o seu diferencial. Ele trata de um tempo e de um espaço bem específicos. O tempo é o final do século XX, como já diz o título, e o espaço é o interior do Rio Grande do Sul que, gente que nem eu, vai se identificar. Não apenas pelo cenário, em que Eduardo Ribas se esmera na arte, sempre buscando o seu melhor, como nos diálogos impressos por Djeison Hoerlle. É bom mencionar também que esta história em quadrinhos também envolve a lenda do Velho do Saco, muito popular nesse espaço e nessa época, assustando todas as crianças que não se comportam direito. Menos Rafael, o protagonista de Nada Floresceu, que sempre tem uma resposta e posicionamento, desconcertando todos, principalmente os adultos à sua volta. O sumiço de seu colega vai ser algo que o assombrará para a vida toda, a menos que você saiba o spoiler deste trabalho.

E você já está sabendo da série de posts que estou fazendo com gráficos e estatísticas sobre quadrinhos de super-heróis? Não?! Aqui tem alguns exemplos! E se ainda não me segue lá, aproveita e vai conhecer: https://www.instagram.com/guilhermesmee/

Agora avisando que a campanha do livro “Marvel Made in Brazil” chegou aos 25% e o final dela está setado para 15 de junho de 2026! Mas tem uma novidade: os apoiadores mais rápidos podem conseguir adquirir os DOIS últimos exemplares que se tem notícia e disponíveis de Olhares Sobre os X-Men através da campanha em https://www.catarse.me/marvelmadeinbrazil Depois não diga que eu não avisei!

Era issom, glera!
Abram seus miolos!
T+!

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