Provando um pouco mais da cura pelo caminho, fomos parar no mar que, por si só, se descortina como um remédio encantador, inspirando e fazendo a gente pensar em coisas boas. Pisar na areia, sentir o sol e se banhar nas águas salgadas altera nosso prazer pela vida, transmitindo leveza, paz e admiração: ingredientes fundamentais da nossa “medicina de estrada”.
Até alcançarmos o mar, seguimos pela lendária Rodovia Rio-Santos, recheada de curvas sinuosas e paisagens deslumbrantes.
Nosso destino de descanso foi o Camping Clube do Brasil - CCB, em Bertioga. O CCB é uma herança histórica dos militares, que mantinham terrenos privilegiados por todo o país para a proteção nacional, onde as companhias ficavam acampadas. Mais tarde, com a modernização da vigilância nacional, os acampamentos foram transformados em campings e cedidos para a associação do oficiais militares. Por falta de uso e de manutenção, infelizmente, a maioria dos espaços estão abandonadas. Atualmente, uma associacao de campistas está tentando gerenciar este patrimônio, para o bem geral dos caravanistas. Quando todos estiverem reativados, o Brasil estará ainda melhor equipado para o caravanismo.
Foram três dias de pé na areia, fazendo novos amigos, caminhando pela praia e provando os sabores regionais.
Entre uma conversa e outra, conhecemos muitos “ex-viajantes” que abandonaram as estradas, mas nunca o campismo. Eles vivem no estilo roda quadrada: moram no camping, desfrutando de uma imensa qualidade física, mental e espiritual. Exemplo vivo disso é uma senhora viúva, de 78 anos, que há 25 anos acampa sozinha, forte, saudável e feliz.
O plano inicial era dormir em Paraty, mas mudamos o rumo e fomos para Lagoinha, no Vale do Paraíba, visitar uma família amiga de longos anos. Chegamos de surpresa! Foi um reencontro emocionante e sensacional.
Convivemos por uma noite e algumas horas preciosas colocando o papo em dia. Ainda deu tempo de tomar um café na padaria e visitar o Mercado Municipal local — pequeno, charmoso e diversificado.
Ficamos por uma noite acampados na frente da casa da nossa amiga, atras da igreja matriz, como se fossemos vizinhos.
De volta à estrada, subimos a serra até Campos do Jordão, onde campamos no terreno de uma pousada, que no passado foi o Solar dos Matarazzos — relicário de uma das famílias mais influentes do país. Em meio às imponentes araucárias, o atual proprietário estruturou um gramado perfeito para abrigar motorhomes. Sorte a nossa! Um lugar bonito, calmo e muito bem localizado.
É sempre bom caminhar por cidades onde os viajantes se reúnem. Observamos pessoas felizes, passeando, consumindo o comércio local, comprando lembrancinhas, roupas e boas refeições. Ali, o “remédio viagem” é consumido sem moderação, provocando leveza e alegria imediata na alma.
Levantamos acampamento e seguimos pela estrada, rodando em média 400 km por dia e pernoitando em postos de combustíveis, até chegarmos em Caldas Novas, já no Estado de Goias.
Sempre que algo chama nossa atenção no caminho, paramos para conhecer. E como é impossível passar por Minas Gerais sem comprar queijos, fizemos uma parada estratégica no Mercado Municipal de Uberlândia.
Já em terras goianas, passeamos em Rio Quente, numa estancia hidrotermal e seguimos para acampar em Caldas Novas, uma cidade com uma das melhores estruturas de turismo termal do Brasil. Um dos complexos da cidade é receptivo para motorhomes e fica localizado bem no centro.
Nas águas quentes, encontrei mais uma dose preciosa do nosso remédio. O banho relaxante das termas que inspiram saúde. Por ação direta ou pela fé, as águas termais diminuem dores nas articulações, relaxa os músculos e rejuvenesce — um alívio muito bem-vindo para nós, motorromeiros (a maioria acima dos 60, 70 ou 75 anos!).
Na piscina, conversei com um morador local que frequenta o complexo diariamente. Ele me contou que, após uma primeira visita como turista, percebeu que as dores constantes que sentia nas juntas simplesmente desapareciam nas águas quentes. Não teve dúvidas: mudou-se de mala e cuia para Caldas Novas. Hoje, vive com muito mais qualidade de vida, cercado pelas amizades alegres dos turistas que movimentam a cidade o ano todo.
No shopping da cidade, em dia de jogo da seleção brasileira de futebol, o patio estava cheio, mostrando a pujança do nosso povo em dias de festa.
Neste dia, todas as mesas estavam lotadas e nós procurávamos um lugar para sentar e assistir o jogo de futebol. Derrepente, um senhora se aproximou e nos convidou a sentar na mesa deles e ainda tivemos direito a saborear os petiscos deles, trazidos de casa, exclusivo da família. Foi uma verdadeira dose de satisfação.
Que bom ver nosso povo viajando. Fico feliz em ver lugares turisticos lotados de pessoas tomando do remedio que rejuvenesce o corpo. Cientistas confirmam que viajar com alegria pode, literalmente, retardar o envelhecimento biológico. Conhecer novos lugares e fazer amizades, não é um luxo fútil, mas um reencontro com a vida, uma renovação das nossas células.
Deixar a rotina para trás e viajar é o remédio mais bonito que existe: ele afasta a ansiedade, devolve o brilho nos olhos e fortalece o corpo com o fôlego da juventude. Na maturidade, cada nova partida é um sopro de liberdade, amizades e autodescoberta — uma verdadeira declaração de amor à nossa própria história. Viajar cura a mente e rejuvenesce a alma.
Permita-se viver essa cura. Arrume as malas e recomece a viver!
Nenhuma publicação

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.