A Copa chegou ao seu ato final: Espanha e Argentina decidem o título neste domingo, num duelo que promete filosofias opostas. Falo dele mais para o fim. E enquanto o mundo para para a final, a NFL avisa que já vem chegando — em uma semana, oficialmente, abrem os training camps. A temporada está logo ali. Vamos lá.
Quem dá o salto em 2026?
Todo ano acontece: alguns quarterbacks mudam de patamar. Não é sobre serem bons, isso já são. É sobre aquele salto que separa o interessante do verdadeiramente decisivo, que transforma um QB de “aposta” em “certeza”.
Um dos meus favoritos para dar esse passo é Jordan Love. Ele já mostrou os lampejos : o braço é de elite, a coragem para arriscar a bola em janelas apertadas também. O que falta é consistência, aquele nível que não oscila de um domingo para o outro. Com mais um ano de rodagem no comando dos Packers e um grupo de recebedores amadurecendo junto, 2026 tem tudo para ser o ano em que ele junta tudo de uma vez.
Mas ele não está sozinho nessa. Listei cinco quarterbacks que podem chegar nesse novo patamar na próxima temporada. Vale muito a conferida.
A venda dos Seahawks e o incômodo dos torcedores
Aconteceu o que parecia impossível: os Seahawks, atuais campeões do Super Bowl, foram vendidos, por um valor recorde. O grupo liderado pela família Khosla fechou a compra por cerca de 9,6 bilhões de dólares, a maior cifra da história para uma franquia da NFL.
Até aí, notícia de negócios. O problema, e a polêmica, está nos detalhes. Vinod Khosla, uma das cabeças do grupo, é hoje sócio minoritário justamente dos 49ers, o maior rival da divisão. E as regras da liga são claras: ninguém pode ter participação em dois times ao mesmo tempo, nem que seja uma fatia mínima. Por isso a família terá que se desfazer do que possui nos Niners para assumir Seattle.
Dá para imaginar o desconforto da torcida dos Seahawks. Ver a franquia mudar de mãos já é sensível por si só. Ver que quem chega vinha do rival direto é outro nível de estranhamento. Racionalmente, o vínculo com os 49ers acaba no momento em que o negócio se fecha, mas futebol americano, e no esporte em geral, não se resolve só na razão. O acordo ainda depende da aprovação dos demais donos, prevista para agosto. Falei sobre toda a novela no vídeo.
Aaron Donald está de volta?
Prepare o coração, torcedor dos Rams: os burburinhos de um retorno de Aaron Donald estão cada vez mais fortes. Vídeos e fotos dele treinando nas instalações do time viralizaram, e o que era especulação virou conversa séria dentro e fora da liga.
A faísca, não por acaso, foi a chegada de Myles Garrett: aquela troca que comentei lá na primeira edição. A ideia de formar uma dupla de linha defensiva com Garrett e Donald é o tipo de coisa que tira o sono de qualquer coordenador ofensivo adversário. E o mais importante: pelo que se fala, Donald não quer voltar para ser um retorno simbólico, de poucos snaps. Ele quer jogar a temporada inteira, no nível em que parou. Nada de versão diminuída.
Nada está oficializado, e existe o risco natural de alguém que ficou dois anos parado não voltar sendo quem era. Mas se voltar de verdade, o impacto é enorme. Os Rams já eram apontados como favoritos ao Super Bowl. Com Donald ao lado de Garrett, viram um problema quase impossível de resolver. Fico de olho e você deveria também.
O plano dos Chiefs para voltar a correr
Uma das coisas que mais chamou atenção nos Chiefs na temporada passada foi a ausência quase total de jogo terrestre. Um time daquela grandeza, com aquele ataque, simplesmente não tinha combustão no chão. Os números são de doer.
Olha esses dados que ilustram bem o problema e a solução que eles buscam:
Repare no contraste. Nas corridas em gap, os Chiefs tiveram apenas 1% de corridas explosivas (15 jardas ou mais) em 2025, penúltimo, 31º da liga. Em quebra de tackles por tentativa, foram literalmente o último, o 32º. No esquema de zona, mais do mesmo: 0,9% de corridas explosivas, dead last. Era um ataque terrestre sem vida, ainda mais grave considerando que os Chiefs foram o time que mais enfrentou boxes leves na liga: ou seja, tinham espaço e mesmo assim não aproveitavam.
Aí entra Kenneth Walker. Os números dele apontam exatamente para o que faltava: 6,7% de corridas explosivas no gap (5º da liga), 0,33 de quebra de tackle por tentativa (2º), e no esquema de zona, 9,5% de explosivas e 0,25 de tackles perdidos forçados: top 2 nas duas. É a injeção de dinamismo e capacidade de criar sozinho que Kansas City não tinha. O plano é claro, e faz todo sentido. Falei sobre isso em detalhe.
A final da Copa: posse contra alma
E chegamos ao domingo que vai parar o planeta. A final será Espanha x Argentina, e os caminhos até aqui não poderiam ter sido mais reveladores.
A Espanha fez o que a escola espanhola sabe fazer como ninguém: amassou a França com a bola nos pés. O 2 a 0 sobre os franceses foi uma aula de controle: enquanto a França apostava na correria, na explosão de velocidade dos seus atacantes, a Espanha simplesmente rodou a bola com a habitual paciência e transformou em vantagem. A França se desordenou e quando teve a bola, já tinha uma desvantagem muito grande para tirar contra um time que não vazado na Copa ainda.
Do outro lado, a Argentina passou pela Inglaterra num jogo que diz muito. Thomas Tuchel, depois que sua Inglaterra abriu o placar, cometeu o pecado clássico: recuou. Deu campo. E dar espaço para um time que não desiste nunca, comandado por um Messi que se recusa a envelhecer, é praticamente pedir para tomar a virada. Foi o que aconteceu, nos acréscimos, com aquela pegada argentina que a gente conhece bem demais. Time que joga até o apito final, com a alma.
Posse contra raça. Método contra fome. Vai ser legal de assistir, mesmo com a ferida brasileira ainda aberta.
Dica cultural: Alfie, o Sedutor
Para relaxar depois de tanta análise: Alfie, o Sedutor, de 2004, com Jude Law no papel-título. Amo esse filme.
Jude Law está no auge do carisma, interpretando um mulherengo charmoso que fala direto com a câmera, dividindo com o espectador suas conquistas, suas justificativas e, aos poucos, suas dúvidas. O que começa como comédia leve sobre um sedutor sem compromissos vai revelando algo mais melancólico por baixo: a solidão de quem foge de qualquer vínculo e a conta que a vida cobra por isso.
É estiloso, tem uma trilha ótima e uma Nova York que serve de cenário perfeito. Mas o que fica é a virada de tom, quando o charme dá lugar à reflexão. Jude Law segura o filme inteiro nas costas, e faz parecer fácil. Vale muito.
É isso por essa semana. Que venha a grande final no domingo, que venham os training camps na sequência: o calendário do esporte não dá trégua, e ainda bem. Obrigado por chegar até aqui. Se curtiu, compartilha com alguém que também vive isso por dentro. Um abraço e até a próxima.
Deivis
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