Um dos primeiros podcasts de medicina do Brasil chega ao episódio 300.
O Medcast nasceu de um problema de escala.
Na residência médica de Daniel Coriolano, os internos chegavam ao serviço em levas, e ele se via explicando as mesmas condutas, os mesmos raciocínios diagnósticos, os mesmos tratamentos, semana após semana. Ensinar um a um consumia um tempo que o serviço não tinha. Em vez de aceitar a repetição como custo inevitável do ofício, Coriolano tratou-a como um problema a resolver. Gravou os conteúdos em áudio, reuniu PDFs, distribuiu e-books, organizou em material reaproveitável tudo o que já usava para formar quem chegava. O que era explicação isolada virou acervo. Em algum momento entre 2013 e 2014, a pergunta mudou de tamanho: se aquilo resolvia o serviço, por que não abrir para quem estava fora dele?
O Medcast nasceu dessa pergunta, sem plano de negócio e sem pretensão de virar o que virou…
O tempo favoreceu. O podcast de medicina praticamente não existia no Brasil naquele momento, e a comunidade médica reconheceu o formato com rapidez. Em poucos meses, o Medcast já figurava entre os podcasts médicos mais expressivos do país.
Não foi mérito de marketing, foi mérito de chegar cedo com algo que os médicos precisavam e ainda não tinham: educação médica séria, no fone de ouvido, no deslocamento, no intervalo do plantão.
Essa adesão inicial fixou uma responsabilidade. Quem chega cedo e é ouvido não pode desaparecer no episódio seguinte.
O Medcast tem uma linha do tempo, e ela é a de Coriolano.
https://www.youtube.com/@medcastmd
No começo, os episódios tratavam de diagnóstico e tratamento, porque era o que ele vivia dentro do hospital. No mestrado, o conteúdo assumiu um teor mais técnico, acadêmico e científico, acompanhando o rigor que a pós-graduação impôs. Depois vieram o mercado e a gestão. Coriolano abriu a ViLaVie, sua primeira experiência em Núcleo Gestor de serviço médico particular, cerca de 200 metros quadrados de multiespecialidade, e descobriu que medicina de excelência sem gestão de excelência não se sustenta. Fez o MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing, estudou liderança, finanças e cultura organizacional, e o Medcast passou a discutir também o consultório como negócio.
Hoje o projeto acompanha a construção do Complexo Lure, uma operação bem mais robusta: mais de 500 metros quadrados, oito salas, uma ambição maior sobre o que assistência e empreendedorismo em saúde podem ser juntos. Cada fase da vida profissional do fundador deixou sua camada nos episódios.
Quem percorre o arquivo do Medcast acompanha, na prática, a formação de um médico que decidiu não parar de estudar em público.
Nenhum projeto duradouro se constrói sozinho, e o Medcast tem nomes.
Roberto Maranhão, o Bob, amigo de residência de Coriolano, foi co-host por muitas temporadas e ajudou a construir dezenas de episódios. Alexandre Lima Santos, colega da Universidade de Fortaleza, onde Coriolano foi professor por cinco anos, foi sócio do projeto ao lado do Bob durante um período importante. Ambos seguiram os próprios caminhos por decisão de carreira, e ambos deixaram marca permanente na história do podcast.
Ao microfone também passaram convidados que ampliaram muito o alcance da conversa: Tallis Gomes, do G4, Allan Denizard, Paulo Araújo, o Dr. Invest, Fladson Muniz, João Paulo B. Carvalho e dezenas de outros que trouxeram conhecimento, experiência e provocação para dentro dos episódios. Cada um desses encontros elevou o nível do que o ouvinte recebeu.
Autoelogio não constrói reputação. Reconhecimento externo, sim, e o Medcast acumulou o dele.
A marca foi registrada no INPI, o que consolidou sua identidade jurídica. O projeto foi apresentado em congressos médicos e recebeu distinções por inovação. A Núcleo MD, organização de educação médica fundada e liderada por Daniel Coriolano, e da qual o Medcast é peça central, chegou à fase de finalista da 1ª edição do Prêmio Euro Inovação na Saúde, em 2019/2020. O Prêmio Euro é promovido pela Eurofarma e reconhece iniciativas inovadoras em medicina e saúde em toda a América Latina. Ser finalista, entre médicos não é detalhe de currículo. É a confirmação, vinda de fora, de que educação médica em áudio virou coisa séria.
Ainda assim, nenhuma premiação supera o que acontece no encontro presencial. Por onde Coriolano passa, encontra médicos que ouvem o Medcast desde a faculdade e hoje são especialistas, e encontra quem descobriu o projeto na semana passada e já o encaixou na rotina. Esse é o indicador que nenhum troféu mede.
Trezentos é um número, e números pedem contexto.
O Medcast já se aproxima da marca de 800 mil plays auditados, sem contar as reproduções que não é possível rastrear, porque várias plataformas não geram estatística. O projeto caminha para um milhão de acessos nos próximos meses. Por trás desse volume estão centenas de horas de estudo, roteiro, entrevista, gravação, revisão e edição. Estão frequências que variaram ao longo dos anos, do diário ao mensal, até o ritmo atual, semanal, com episódio novo toda segunda-feira. E está a decisão, repetida trezentas vezes, de aparecer mesmo nas semanas em que aparecer era o mais difícil.
O Medcast está hoje no Spotify, Apple Podcasts, YouTube, Amazon Music e nas demais plataformas que distribuem podcast. É o principal canal de contato de Daniel Coriolano com a comunidade médica, e o levou a lugares que ele não teria alcançado de outro modo: congressos de peso, palcos, debates e projetos que nasceram de uma conversa iniciada dentro de um episódio.
Um projeto de mais de dez anos deve favores a muita gente.
O agradecimento se estende às equipes que sustentam a operação nos bastidores: edição, gravação, redes sociais, design e produção. Sem elas, nenhum episódio chega ao ouvinte. Estende-se também aos patrocinadores nacionais e internacionais que estiveram no projeto em diferentes momentos, entre eles Idomed, Mendelics, Clínica nas Nuvens, Contabilizei, Qiagen e MGI. Patrocínio, aqui foi aposta de quem acreditou que educação médica de qualidade merece ser financiada.
E estende-se a quem ouve. A quem chega agora, boas-vindas. A quem acompanha desde os primeiros episódios, o obrigado é literal: essas pessoas são parte da razão de o projeto ter chegado até aqui.
O propósito do Medcast nunca foi só produzir episódios, mas sim formar médicos que pensam melhor, estudam melhor, lideram melhor e cuidam melhor. No fim da cadeia está sempre a mesma pessoa: o paciente que confia a própria vida a quem ouve o programa.
Que venham os próximos trezentos. A convocação é direta: compartilhe os episódios, comente, provoque, leve o conteúdo ao colega que precisa ouvir. Os próximos capítulos desta história já começaram a ser escritos.

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