Em tempos de Copa do Mundo, até quem não acompanha futebol costuma se surpreender torcendo, comentando resultados e renovando a esperança a cada partida. Talvez porque, mais do que um esporte, a Copa nos lembre de algo profundamente humano: ninguém conquista grandes vitórias sozinho.
E essa é uma das maiores lições que o futebol pode oferecer ao mundo das organizações.
Assim como acontece com as seleções que entram em campo, empresas e equipes também sonham em alcançar grandes resultados. Porém, existe uma diferença importante entre sonhar e formar. Equipes vencedoras não surgem por acaso. Elas são construídas.
Antes de cada Copa, os técnicos observam jogadores, realizam testes, promovem treinamentos, fazem ajustes e estudam estratégias. Nada é deixado ao improviso.
No ambiente corporativo deveria ser da mesma forma. No entanto, muitas organizações ainda esperam que uma equipe de alto desempenho simplesmente aconteça.
Vivemos um momento em que muitas empresas enfrentam dificuldades para compor seus times. Ao mesmo tempo, muitos profissionais estão mais seletivos e, em alguns casos, menos dispostos a experimentar, aprender e se desenvolver. Diante desse cenário, uma verdade se torna evidente: talvez o maior desafio dos líderes não seja encontrar pessoas prontas, mas desenvolver pessoas dispostas a crescer.
Toda equipe possui um capitão. Mas, antes de liderar os outros, cada profissional precisa aprender a ser capitão de si mesmo. A autoliderança é o ponto de partida para qualquer construção coletiva.
Quando alguém assume a responsabilidade de liderar pessoas, três atribuições tornam-se essenciais.
A primeira é inspirar: Líderes inspiram quando conectam as pessoas a um propósito, fazendo com que compreendam por que vale a pena dedicar energia àquela missão. Pessoas não se comprometem apenas com metas; elas se comprometem com significado.
A segunda é instigar: Bons líderes não mantêm as pessoas apenas em uma zona de conforto. Eles desafiam, estimulam o crescimento e despertam o potencial existente em cada indivíduo. Grandes equipes são formadas por pessoas que aprendem continuamente.
A terceira é instrumentalizar: Talento sem preparo dificilmente se transforma em resultado. Nenhum atleta vence apenas com vontade. São necessários treinamento, estratégia e recursos adequados para que toda a equipe possa evoluir.
Outra lição importante do futebol é que cada posição tem seu valor. Em um time, há quem marque gols, quem organize as jogadas, quem proteja a defesa e quem sustente emocionalmente o grupo nos momentos difíceis. O mesmo ocorre dentro das organizações.
Cabe ao líder reconhecer os talentos existentes e posicionar cada pessoa onde ela pode contribuir melhor. E isso exige algo que, em tempos de excesso de velocidade e distrações, tem se tornado raro: presença.
Liderar exige estar junto, observar, escutar e construir relacionamentos. É por meio de uma comunicação adequada e de uma convivência próxima que o líder consegue identificar habilidades, compreender comportamentos e perceber o potencial das pessoas.
Além disso, não basta reunir excelentes profissionais. É necessário fazer com que todos joguem em favor do mesmo objetivo.
No futebol, estratégia e tática caminham juntas. A estratégia define para onde o time vai. A tática estabelece como cada jogador contribuirá para chegar lá. Nas empresas, ocorre exatamente o mesmo.
Conciliar diferentes perfis, administrar conflitos, alinhar expectativas e integrar competências são algumas das tarefas mais desafiadoras da liderança contemporânea. E isso exige conhecimento técnico, flexibilidade, visão ampla e maturidade emocional.
Ao longo de muitos anos trabalhando com seleção, preparação e desenvolvimento de equipes, percebo que um dos maiores desafios das organizações atuais é a formação de líderes. Líderes capazes de compreender não apenas as competências técnicas, mas também as habilidades comportamentais que se revelam nos momentos de pressão, de mudança e até de celebração.
Porque, no fim das contas, grandes vitórias raramente são individuais.
As taças mais importantes da vida profissional e pessoal são levantadas por pessoas que aprenderam a jogar juntas.
Talvez essa seja a maior mensagem que a Copa do Mundo nos deixa: mais importante do que ter os melhores jogadores é construir um time capaz de transformar talentos individuais em conquistas coletivas.
Pois ninguém levanta uma taça sozinho.
E, em tempos de mudanças aceleradas, líderes preparados fazem toda a diferença.
E, por falar na Seleção Brasileira, que ela receba nossas melhores vibrações! Afinal, quando um time entra em campo, a esperança sempre se renova. E quem sabe, mais uma vez, a taça possa ser nossa.

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