Viver é tomar decisões. Mesmo quando cruzamos os braços diante de uma situação, estamos decidindo. Não decidir também é uma decisão, e ela tem suas consequências.
Não é raro encontrar cristãos que chamam de piedade o medo de decidir. Que usam a vontade de Deus e a busca por uma “resposta divina” como justificativa para a falta de responsabilidade diante da própria vida. Quem age assim não deve se espantar quando os anos passam e as angústias, dúvidas e aflições seguem exatamente as mesmas.
Aqueles que querem viver de maneira agradável ao Senhor não devem escolher o caminho da passividade, mas buscar conhecer a revelação de Deus na Palavra. As piores decisões que podemos tomar são as que vão contra o Senhor (Pv 21.30). A inteligência humana é limitada e falha, e por isso precisamos ter como base de nossas escolhas a Palavra, cuja orientação é capaz de nos guiar em todas as áreas da vida.
Todos os nossos planos devem ocorrer em submissão ao Senhor. Ele nos deu liberdade para planejar, mas sua soberania e vontade prevalecem. “O coração do ser humano planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” (Pv 16.9)
Para alguns, isso parece contradição. Teologicamente, chamamos de concomitância: ambas as coisas ocorrem de maneira simultânea e são verdadeiras. O que parece contradição é, na prática, um incentivo para agirmos com sabedoria e responsabilidade, sem esquecer que a vontade de Deus é soberana. A alma que descansa nessa verdade pode se mover sem enlouquecer.
Podemos ter como motivo de louvor que “há muitos planos no coração do ser humano, mas o propósito do Senhor permanecerá” (Pv 19.21). Como seres imperfeitos, fazemos planos imperfeitos. Quantas vezes desejamos coisas que, meses depois, percebemos que teriam sido nossa ruína? Quantas orações fizemos e depois glorificamos ao Senhor por ele não ter feito a nossa vontade, mas a dele? O pecado afeta a nossa percepção sobre o que é melhor para nós. Deus, que é santo e perfeito, segue sabendo mais.
Além de reconhecer a soberania de Deus, Provérbios nos orienta sobre a importância dos conselhos: “sem conselhos os planos fracassam, mas com muitos conselheiros há sucesso” (Pv 15.22). Os bons conselhos nos auxiliam a ver a situação, encontrar soluções e observar falhas. Precisamos, porém, de discernimento: nem todo conselho é bom. Os que trazem segurança vêm de pessoas com uma vida que produz fruto de sabedoria.
Provérbios também adverte contra a presunção ao planejar. Não devemos nos gabar do dia de amanhã por não sabermos o que ele trará (Pv 27.1). “O orgulho do ser humano o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.” (Pv 29.23). As boas decisões andam ao lado da humildade.
Não devemos viver nem ansiosos com nosso futuro nem passivos diante dele, mas com a convicção de que Deus tem um plano e realiza aquilo que planejou. “Entregue as suas obras ao Senhor, e o que você tem planejado se realizará” (Pv 16.3). Quando obedecemos ao Senhor e nossas ações correspondem à sua vontade revelada, nossos planos se tornam cada dia mais sábios e em conformidade com ela.
Jesus antes da crucificação em oração expressou o seu desejo e também se rendeu ao Pai, Somos chamados a seguir o exemplo do nosso Mestre.
Se há uma decisão que você tem adiado: busque uma pessoa com frutos de sabedoria para conversar, ore e mova os pés, com a certeza de que o Senhor que dirige os passos é soberano e bom. E se descobrir que o que chamava de “esperar em Deus” é, na verdade, medo, isso também pode ser levado a ele com honestidade.
Tenho mergulhado nesse assunto de um jeito que tem me surpreendido. Em breve, compartilho uma novidade que deu origem a essa reflexão.
Com carinho,
Dani Cadore
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