Eu celebro 38 anos de carreira, mas só conto a partir do momento em que comecei a trabalhar profissionalmente. Sim, foi nos “Franceses”, no Barreiro, onde entrei como segundo DJ e light-jockey, substituindo o DJ principal nas suas folgas e aprendendo a controlar as luzes. Antes disso, já fazia festas da escola e aniversários, mas foi em 1986 que comecei a sério.
A música era variada: desde soul e reggae até algum rock e, claro, os slows, que eram o ponto alto das noites. Havia muitas pessoas paradas só à espera desse momento (risos…). Aos domingos à tarde, quando eu assumia, arriscava um pouco mais com faixas dançáveis, fugindo do rock pesado, que nunca foi a minha cena. Nessa altura, o DJ era visto como mais um funcionário da casa, tinha que ajudar nas limpezas da cabine ou da pista e participar nas reuniões do staff. E ainda aparecia o gerente na cabine a dar instruções para meter esta ou aquela música, tocar os slow mais cedo… a malta nova não tem noção do que era essa realidade!
Só mais tarde, com o Alcântara Mar e o Kremlin em 1989, é que o papel do DJ ganhou outra dimensão e o conceito de tocar só música eletrónica ganhou força. Aliás, do que eu me lembro, o Alcântara foi a primeira casa a tocar eletrónica do inicio ou fim da noite, sem reggae ou slows pelo meio…
Sim, depois dos “Franceses” e passar por várias discotecas, como a “Pirâmide” em Marco de Canavezes, e o “Dezassete” em Paços de Ferreira, que era uma das casas mais importantes da altura, cheguei ao Cais 447 em 1992, onde a cena eletrónica já estava a ganhar força, especialmente com os after-hours que terminavam às 9 ou 10h da manhã, algo inédito no norte de Portugal.
No Porto já havia o Indústria e o Swing em outras vertentes, e o Rock’s em Gaia que já existia, num formato mais comercial, e que veio a mudar para um clube 100% de eletrónica.
Exacto, em 1994, fui para o Rock’s, que se tornou a primeira casa na região a apostar exclusivamente na música eletrónica. Foi lá que se formou uma equipa sólida de DJs, sem hierarquias, incluindo o Frank Maurel que já trabalhava lá, e mais tarde o Ruizinho e o XL Garcia, e entre os quatro conseguimos trazer uma nova dinâmica ao clube.
Sim, nesse mesmo ano, tive a oportunidade de ir pela primeira vez à “Winter Music Conference” em Miami, e conseguimos trazer pela primeira vez a Portugal o Armand Van Helden, que era um nome muito em alta naquela altura… Foi um episódio caricato… A Winter music ainda era um evento pequeno, com cerca de 2.000 delegados, todos hospedados no mesmo hotel, o Radisson em south beach, Miami. Esta proximidade permitia-nos trocar as promos em vinil à beira da piscina e contactos diretamente com os artistas, o que era uma oportunidade rara.
Naquela altura, não havia redes sociais, era preciso falar pessoalmente com os artistas, telefonar aos managers, tratar dos contratos por fax…
Consegui abordar o Van Helden e a sua namorada, e estabelecemos uma conversa amigável. Ele nunca foi muito dado a grandes conversas, mas conseguimos conectar-nos, e ele deu-me o contacto do seu manager e conseguimos organizar a vinda dele ao Rock’s.
Quando ele veio, a rua de acesso ao Rock’s ficou completamente lotada, com carros e pessoas por todo o lado. A noite foi um marco, sendo a primeira atuação de um DJ internacional de topo no Rock’s. Isso consolidou o clube como uma referência na cena eletrónica do norte, abrindo portas para mais artistas internacionais e expandindo a cena eletrónica em Portugal.
Acho que esta viagem foi a primeira vez que DJs portugueses participaram na WMC de Miami. Fui eu, o Blinds, o Rui da Silva, o Tó Pereira (aka DJ Vibe), o Jorge Nogueira, que trabalhava no Cais e o Miguel Rodrigues, que infelizmente já faleceu.
Sim, primeiro na Bimotor, em que eu tratava dos das importações América e o Luis Leite das importações Europa, e mais tarde trabalhei com o Vitor Araújo na World Music.
Eu fui DJ residente durante mais ou menos 10 anos e é importante para teres uma bagagem musical maior e te adaptares a eventos diferentes. E eu gosto mesmo de estilos musicais diferentes dentro da eletrónica, e vou do afro-house até ao techno… e isso ás vezes acaba por ser difícil porque as pessoas querem colocar um rótulo: este é dj techno, aquele é de house…
Sim, eu desde o princípio que sempre tive a sorte de conseguir tocar aquilo que gosto. Claro que há temas que gosto mais do que outros em determinados momentos, ás vezes também depende do lado pessoal ou da altura do ano… mas nunca entrei por um estilo só porque está na moda, como por exemplo o hard techno que agora está em alta…
“O DJ não deve seguir modas, mas sim tocar o que sente realmente”
Eu já vivi o fenómeno das raves, já organizei raves e, honestamente, hoje em dia, o conceito de rave não me diz muito, é algo que ficou no passado. Naquela altura, a música era menos agressiva, os BPMs não eram tão elevados, mas o impacto foi grande. O techno mais forte que tocávamos nas raves era algo novo e não se ouvia nos clubs tradicionais.
No Cais fizemos raves quando começaram a surgir em Portugal, mas não era só techno — havia uma mistura de estilos. Hoje, parece que rave virou sinónimo de hard techno a 150BPM ou trance pesado, mas, sinceramente, isso não me diz nada. E não vou seguir essa onda só porque está na moda. Essa música não mexe comigo, e quando isso não acontece, também não consegues passar essa energia para as pessoas na pista.
Quando olho para esses eventos atuais, vejo possivelmente os filhos daqueles que frequentavam as raves nos anos 90. Para eles, é uma novidade; para mim, é algo que já faz parte do meu passado. Ver jovens sem camisola em frente à cabine, imersos na música, é um déjà-vu. Eu respeito que seja algo novo para esta geração, e há muitos DJs que se deram a conhecer já nesse registo e com bastante sucesso, como a Ornella e outros artistas, mas para mim é simplesmente um capítulo que já foi vivido.
“Para esta geração, as raves são novidade; para mim, já fazem parte do passado”
A criação da Magnetic Records, juntamente com o Paul Jay’s, foi uma experiência e tanto. Lançámos apenas um tema, “M-Systems, Most Anything”, produzido pelo Paulo Rocha e pelo João Correia, que usavam o nome OLN (Overloaded Noise) do Porto. Era a nossa primeira tentativa de prensar vinil, e a realidade do mercado bateu-nos com força. Fizemos a distribuição de forma independente, usando os contactos que eu tinha da Bimotor, mas faltava-nos a noção da complexidade de o distribuir internacionalmente. No final, acabámos por perder dinheiro, e a editora não foi além dessa primeira edição.
O meu primeiro trabalho editado foi em Março de 1995, uma remix dos OLN no “Oporto Deep Cuts EP” primeiro pela Kaos Records e mais tarde, no final de 95, pela Tribal America/UK onde o meu (e do Paulo Rocha) “Acid Error Mix” aparece como tema principal da edição, por recomendação do Danny Tenaglia.
Sim, em 2000, com mais experiência e após os erros da Magnetic, lançámos a Magna Records, desta vez com uma distribuidora internacional a apoiar-nos. O primeiro lançamento foi em Maio, com o meu tema original “Feel the Drums” e “The First Tribal Feeling” do Pete Tha Zouk e Bruno Marciano. Inicialmente, mandámos fazer 500 cópias de cada, um pouco a medo, mas uma semana depois já estávamos a encomendar mais 1.500, porque esgotaram rapidamente.
A distribuição internacional fez toda a diferença, permitiu-nos chegar a todo o lado…
Na Magna, o critério para editar tem evoluído muito. Nunca quisemos ser uma editora limitada a um só género, como techno, tech house ou house. Temos um catálogo variado, incluindo afro house — não o afro house comercial, mas sim algo que considero uma evolução do tribal antigo, com menos BPMs e uma sonoridade mais atual — até techno e compilações leves, como a “Summer Grooves” que editámos no verão, com chill-out, deep house e outros estilos.
Claro que sim, mas por exemplo recebemos muitas demos de EDM quando estava em alta. Apesar de algumas serem boas, não se encaixam no que procuramos. Por isso, recomendo aos artistas que pesquisem sobre as editoras antes de enviarem os seus temas. Entender a linha editorial é essencial para não desperdiçar tempo a enviar faixas que não combinam com o estilo da editora.
Outro ponto é a paciência. Receber uma demo e ser questionado no dia seguinte se já a ouvimos é comum, mas nem sempre conseguimos responder de imediato devido ao volume de trabalho.
A melhor estratégia é enviar para várias editoras; se o tema for bom e encaixar no perfil de alguma delas, ele vai encontrar o seu espaço.
Sim, é tudo digital. Quanto ao vinil, por agora não faz sentido para nós. Os custos de produção aumentaram bastante; antigamente, conseguíamos fazer um vinil completo, com capa, prensagem, inlay e autocolante, por cerca de 1 euro por cópia. Agora, os preços estão entre 4 a 5 euros por cópia, o que torna difícil vender a um preço acessível. No futuro, gostaria de lançar algo especial em vinil, mas neste momento, com os custos e a viabilidade do mercado, não é uma opção. Algumas editoras ainda fazem, mas, para nós, não compensa.
“a união criativa e colaborativa é algo que ainda hoje não vejo em Portugal.”
Influenciou muito. Eu comecei a produção com os OLN, o Paulo Rocha e o João Correia, com quem aprendi imenso. Mas houve um momento em que percebi que precisava de expandir o meu conhecimento, especialmente em áudio e mistura. Foi então que decidi procurar um curso mais intensivo e a SAE pareceu-me a escolha ideal. A escola, de origem Australiana, já tinha presença em várias capitais europeias, mas quando eu soube que iam abrir uma unidade em Madrid, eu fui o primeiro a inscrever-me. Quase um ano antes de abrir!
Inicialmente, pensei em Londres, mas os custos e a logística eram complicados. Em Madrid, o curso foi excelente — com metodologia sólida e equipamentos de topo, como as mesas SSL analógicas, que me proporcionaram uma experiência prática única. Naquela época, entre 2001 e 2002, para gravar música de qualidade, era necessário um estúdio bem equipado. Não havia a facilidade do digital de hoje em dia…
Exacto, durante o curso, já tocava regularmente em discotecas de Madrid, como a Kapital e o Space of Sound, e desenvolvi uma ligação com a cena local, especialmente com o DJ Chus. Gostei tanto da experiência que decidi mudar-me para Madrid, onde fiquei 18 anos, até 2020, e vinha a Portugal só aos fins de semana para trabalhar.
Madrid era um verdadeiro hub de música eletrónica naquela época, especialmente com o surgimento do Iberican Sound. Havia uma energia criativa e uma partilha de ideias que nunca vi em Portugal. Os artistas colaboravam, trabalhavam nos estúdios uns dos outros e partilhavam plugins e técnicas, o que era muito enriquecedor. Cada produtor tinha a sua própria abordagem, mesmo usando os mesmos programas, e esse ambiente colaborativo impulsionou imenso o meu crescimento técnico e artístico. Comecei a trabalhar com diversos artistas, como o Chus&Ceballos, o D-formation, o David Penn ou o David Lara.
Essa união criativa e colaborativa é algo que ainda hoje não vejo em Portugal. Não digo que não haja colaborações aqui, mas essa comunidade criativa tão forte e aberta como existia em Madrid, eu ainda não encontrei em Portugal.
Foi um período de grande criatividade e partilha que deixou uma marca importante na minha carreira.
Sinceramente, não sei explicar bem porque é que essa união criativa que havia em Madrid não acontece aqui. Talvez seja a mentalidade, talvez as pessoas aqui sejam mais fechadas. E, atenção, eu próprio não estou fora disso. Desde que regressei, ainda não tomei a iniciativa de fazer mais contactos ou de colaborar com artistas locais, especialmente com aqueles com quem tenho uma ligação pessoal. Gostava de começar a fazer isso, claro, porque a troca criativa é sempre enriquecedora, seja com amigos próximos ou com pessoas com quem talvez nem tenha tanta intimidade, mas que estão na mesma linha musical.
Quando voltei, começou a pandemia, e isso complicou tudo. Com tanta coisa para reorganizar, preparar a casa, ajustar-me ao país, não estava à espera de enfrentar um período tão longo em que tudo ficou parado. Talvez essa falta de conexão com outros artistas locais ainda seja um reflexo desse período. Mas, sem dúvida, colaborar mais por cá é algo que quero explorar.
Foi muito duro. Estava tudo fechado! Nem conseguia comprar móveis para a casa!
No início, pensei que até seria uma oportunidade para terminar todos os projetos que tinha no estúdio. Nos primeiros meses, consegui concluir várias coisas, pensando que em quatro ou cinco meses tudo voltaria ao normal. Mas quando cheguei ao fim desses meses, percebi que a situação era bem mais séria e duradoura do que imaginei.
Enquanto outras áreas estavam a retomar, o nosso setor foi dos mais afetados. As discotecas foram as primeiras a fechar e as últimas a reabrir, e mesmo quando parecia que as coisas iam melhorar, houve recaídas e novos encerramentos. Durante esse período, surgiram os streams, mixes no Twitch, entrevistas no Facebook, mas foi um momento negro.
“O reset da pandemia trouxe uma nova geração com referências musicais diferentes”
Pois, a pandemia causou um desgaste enorme nos clubs… Houve algumas tentativas de reabertura com restrições, como eventos onde as pessoas tinham que ficar sentadas em mesas e não podiam dançar. Isso criou uma dinâmica muito estranha para os DJs, que tinham que pensar cuidadosamente no que iam tocar, para evitar agitar o público e causar problemas com a polícia. Eu próprio fiz dois ou três gigs assim, e era uma situação absurda. As incoerências eram frustrantes — as pessoas podiam estar em autocarros lotados, mas os eventos de música eletrónica eram vistos como o problema.
Esse período acabou por afastar muitas pessoas que saíam regularmente e trouxe uma nova geração que nunca tinha experienciado os clubs antes. As suas referências musicais são diferentes, e isso também influenciou as mudanças no cenário. Muitos clubs não conseguiram voltar a abrir, ou abriram por um curto período e fecharam novamente.
Foi um reset que acabou por reconfigurar o panorama dos clubs de forma significativa…
Portugal está a passar por uma transformação na cena eletrónica, e acho que estamos a seguir uma tendência que já se vê noutros países. Antes, havia um grande atraso entre o que acontecia lá fora e o que chegava aqui — algo que podia levar anos. Hoje em dia, esse atraso reduziu-se para alguns meses. O que estamos a ver agora, por exemplo, já começou logo a seguir à pandemia em países como Inglaterra e Espanha, onde muitos clubs de música eletrónica não conseguem competir com os mega-eventos que se tornaram mais frequentes. Essas produções gigantescas, com cartazes de artistas que custam 100, 200 mil euros, e investindo em experiências únicas, começaram a dominar.
A mesma tendência chegou a Portugal, e os clubs de eletrónica estão a enfrentar grandes desafios. Em Lisboa, em particular, a dinâmica mudou. O Porto e o norte, que antigamente era o centro da eletrónica, perdeu esse lugar para a capital, que agora recebe não só mega-eventos mas também atrai um público novo, incluindo muitos nómadas digitais e residentes não habituais que vieram viver para aqui, entre outras coisas, por causa dos benefícios fiscais.
Ainda no outro dia estive a ver, e entre junho e setembro de 2023, Lisboa e a Costa da Caparica teve eventos de eletrónica todos os fins de semana, e não apenas pequenos eventos, mas produções de grande escala que competem diretamente com os clubs. Os clubs tradicionais têm dificuldade em oferecer a mesma experiência. E é completamente diferente estares num espaço fechado ou numa praia ou numa pedreira em Sesimbra no meio de uma mega-produção e com uma fasquia já muito elevada…
É um grande desafio para os clubs de eletrónica tradicionais…
Exato, e já são suficientes para teres eventos com duas ou três mil pessoas. Por exemplo os produtores da Yard começaram por fazer eventos só para um público francês que tinham e tiveram sucesso só nesse target. Claro que depois foi crescendo e agora já têm outras pessoas… mas começaram por implantar a marca deles só com o público estrangeiro.
Sim, como a Charlotte de Witte, o Sangiuliano, a Anna e o marido Wehbba ou o Dennis Cruz que mora ali na Aroeira. Todas as semanas ouço falar de algum outro top dj que está a viver aqui! Até o Richie Hawtin anda sempre por aí que até pensava que já morava cá! (Risos…)
Portugal é espectacular para eles, com as horas de sol que temos, a comida, custo de vida, há boa conexão de voos… para quem vem de fora é top!
Sim, é um programa semanal que está no ar há 8 anos, e por vezes tenho 2.000 downloads, além dos plays dentro do próprio Soundcloud, o que são números bastante interessantes.
É uma parceria com o China do Algarve e o Rui Borja. Fizemos uns lives de lá durante a pandemia e começámos a pensar em produzir um evento e falámos com a autarquia e eles gostaram da ideia.
Tem algumas dificuldades logísticas, como as portas pequenas para passar as carrinhas com o material… mas conseguimos fazer um evento muito interessante que teve a melhor edição de sempre este ano.
Eu por acaso nunca me envolvi muito nessa parte de produção de eventos, em parte pelo lado imprevisível do que pode acontecer. Por exemplo, ás vezes há situações estranhas em que acontece alguém de uma discoteca local ter relações “privilegiadas” com a policia e “por coincidência” tens uma inspecção em que tens de parar a música durante 1h... Podes ter tudo legal mas enquanto a policia está a verificar fica tudo parado, e entretanto as pessoas vão-se embora...
Sim, percebo isso. Com cada vez mais clubs a fecharem e os grandes eventos só a convidarem nomes conhecidos, onde é que um novo DJ vai tocar?
Tens alguns casos de sucesso, como a Fuse, que começou assim e que atualmente conseguem encher uma festa só com os DJs residentes deles… mas é um caminho muito difícil.
Quando deixei o X-Club, comecei a trabalhar com o Nelson Vieira, que gere a minha agenda desde então. Para além do X-Club, nunca tive outra ligação exclusiva a nenhuma agência, porque, muitas vezes, apareciam pessoas com menos contactos do que eu. Não fazia muito sentido… especialmente aqui para Portugal.
Sim, isso é verdade. Pode ser uma mais valia estar numa agência internacional, e acho que, não sei eu mas outros DJs portugueses, perdemos algumas oportunidades lá fora porque ficámos aqui na nossa zona de conforto… aqui éramos headliner’s e lá fora não íamos ser… Talvez tenha sido essa uma das razões.
O mais importante, para mim, é tocar aquilo que realmente se sente, em vez de seguir ‘modas musicais’ só para conseguir destaque rápido. É fundamental investir tempo a descobrir a música que se gosta verdadeiramente, em vez de se limitar a comprar os temas do ‘Top 20’ e tocá-los em sequência… Essa é a receita ‘fácil’, mas está longe de ser a fórmula para um sucesso duradouro. Produção de música e bons conteúdos para as redes sociais, claro, ajudam muito hoje em dia, mas se não fizerem sets autênticos, com música que realmente vos inspira, o público vai perceber, mais cedo ou mais tarde…
O essencial é ter um bom computador e um par de headphones de qualidade. Vejo muitos produtores preocupados com a acústica do quarto ou da casa, mas isso é complicado sem um investimento considerável. Especialmente se vivem num apartamento com vizinhos, o melhor é mesmo investir num bom par de headphones – por volta de 300€ já se encontra algo com ótima qualidade.
Com esse valor, não se consegue fazer quase nada em termos de tratamento acústico…
É possível… mas para mim nunca funcionou. Mas já vi coisas muito interessantes produzidas assim… mas andar em tour e a produzir ao mesmo tempo não é fácil… mas não esquecer que também há o fenómeno dos ghost producers…
Nada de especial… tudo faz parte do crescimento e da aprendizagem contínua. Mas, sem dúvida, descurei um pouco a parte internacional e teria dado mais atenção a isso.
O feedback positivo do público nos eventos é uma motivação enorme. Às vezes, basta entrar na cabine e já vejo o público de braços no ar… É uma experiência muito enriquecedora, que mostra como realmente apreciam o meu trabalho.
Sim, vai ser uma celebração especial. Originalmente, seria a festa dos meus 35 anos de carreira, mas com a pandemia pelo meio… passou para 35+3. Vou fazer um back-to-back com todos os artistas convidados: Dubtiger, o meu filho Gui, XL Garcia, Miss Sheila, Tiger Lewis e Guitos ao vivo.
Texto: Nuno Rodrigues
Fotos: D.R.
Entrevista publicada no site Dance Club em Novembro de 2024
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