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Daniel's Substack: Eureka! · Aug 17, 2026

Vacinas salvam 6 vidas por minuto!!

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Daniel Dahis PhD · Daniel's Substack: Eureka!

Bom dia, cientistas! 🧬☕

154 milhões de vidas salvas.

É o resultado de um estudo publicado no The Lancet, encomendado pela Organização Mundial da Saúde, que calculou o impacto de 50 anos de vacinação no mundo. Para dar dimensão: são cerca de 6 vidas salvas por minuto, todos os minutos, durante meio século.

95% dessas vidas eram de crianças com menos de 5 anos. Cento e um milhões delas eram bebês de menos de 1 ano.

Aqui na Eureka já citamos esse estudo de passagem quando falamos sobre sarampo. Hoje ele merece o texto inteiro, porque os detalhes são fascinantes.

A pesquisa foi publicada em 2024 no The Lancet, com participação de instituições como a London School of Hygiene & Tropical Medicine, o Imperial College London, a Universidade de Cambridge e a própria OMS. (estudo aqui)

Os pesquisadores usaram um conjunto de modelos matemáticos para estimar o impacto da vacinação contra 14 agentes infecciosos, considerando toda a cobertura vacinal aplicada no mundo desde 1974, tanto de rotina quanto em campanhas.

Para cada faixa etária, calcularam quantas mortes e quantos casos de doença foram evitados em comparação com um cenário hipotético sem nenhuma vacinação histórica. Depois, usaram esses resultados para estimar quanto da queda global na mortalidade infantil pode ser atribuída às vacinas.

A cobertura global da terceira dose da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche), usada como termômetro do desempenho dos programas, era de menos de 5% em 1974. Chegou a 86% em 2019, antes da pandemia, e hoje está em 84%.

Os números são estes:

  • 154 milhões de mortes evitadas desde 1974

  • 146 milhões delas em crianças menores de 5 anos

  • 101 milhões em bebês com menos de 1 ano

  • 9 bilhões de anos de vida ganhos

  • 10,2 bilhões de anos de vida com saúde plena ganhos, considerando também a redução de sequelas e incapacidades

  • Em média, 66 anos de vida saudável ganhos para cada morte evitada (afinal, salvar um bebê significa salvar uma vida inteira pela frente)

A vacinação responde por 40% da queda da mortalidade infantil no mundo ao longo desses 50 anos. Na região africana, esse número sobe para 52%. Entre todas as conquistas da saúde pública moderna (saneamento, antibióticos, nutrição, atenção primária), a imunização foi, segundo os autores, a maior contribuição individual para a sobrevivência infantil.

Uma criança de menos de 10 anos tem hoje 40% mais chance de chegar ao próximo aniversário do que teria num mundo sem vacinas.

Entre todas as vacinas analisadas, uma se destaca de forma esmagadora: a vacina contra o sarampo sozinha responde por 93,7 milhões de vidas salvas, ou seja, 60,8% de todo o total.

A vacina do sarampo foi a maior responsável por vidas salvas em todos os anos analisados, em todas as regiões do mundo e em todas as faixas de renda dos países. Sem exceção.

Em segundo lugar vem a vacina contra o tétano, com 27,9 milhões de mortes evitadas. A vacina da poliomielite responde por cerca de 7,8% de todos os anos de vida saudável ganhos, o que faz sentido: a pólio mata menos do que incapacita.

Primeiro, o essencial: é um estudo de modelagem, não uma contagem direta. Os números são estimativas baseadas em premissas, e modelos sempre carregam incerteza.

Mas os próprios autores fazem questão de destacar algo incomum: eles consideram esta uma estimativa conservadora, ou seja, um piso, não um teto. E explicam por quê:

  • Não incluíram vacinas importantes: COVID-19, influenza e HPV ficaram de fora. O HPV, por exemplo, foi licenciado só em 2006 e seu impacto está apenas começando a aparecer (como mostramos aqui quando falamos da queda drástica de mortes por câncer de colo do útero na Inglaterra).

  • Não incluíram a varíola. O cenário de comparação já assumia um mundo sem varíola, o que significa que o benefício gigantesco da erradicação da doença, em 1980, não entrou na conta.

  • Não incluíram benefícios indiretos, como o efeito da redução de diarreias sobre a desnutrição, nem ganhos econômicos e de desenvolvimento social.

  • Não incluíram vacinas de surtos (cólera, ebola) nem as usadas principalmente em países ricos (catapora, herpes-zóster, caxumba).

  • A abordagem por ano-calendário subestima doenças de manifestação tardia, como a hepatite B, cujo impacto se acumula ao longo de décadas.

Lembra que a vacina do sarampo é a que mais salvou vidas nesses 50 anos, respondendo por quase 61% do total? Pois a cidade de São Paulo acaba de intensificar a vacinação contra a doença, depois da identificação de casos na capital, possivelmente importados de outros países.

A medida foi anunciada pelo Programa Municipal de Imunizações da Covisa, em alinhamento com o Programa Nacional de Imunizações, com o objetivo de evitar a reintrodução do vírus no Brasil (lembrando que o país recuperou o status de livre do sarampo em novembro de 2024).

Durante a Campanha de Multivacinação, de 3 de agosto a 1º de setembro, a vacinação contra o sarampo foi ampliada para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos, de forma indiscriminada.

Fonte: prefeitura.sp.go.br

Onde e quando se vacinar em São Paulo:

  • Dia D, 22 de agosto (sábado): todas as 483 UBSs da capital abertas, das 8h às 17h

  • Durante a semana: todas as UBSs funcionam de segunda a sexta, das 7h às 19h

  • Aos sábados e feriados: as AMAs/UBSs Integradas atendem das 7h às 19h

  • Para encontrar a unidade mais próxima, consulte a plataforma Busca Saúde: buscasaude.prefeitura.sp.gov.br

E aí, cientistas? Sua caderneta (ou a das crianças da família) está em dia? Você sabia que a vacina do sarampo sozinha responde por 60% de todas as vidas salvas? Conta pra gente nos comentários.

E compartilha esse texto com aquele pai, mãe, avô ou avó, a campanha está rolando agora e o Dia D é sábado. Informação boa também protege.

A Eureka é construída junto com vocês. 🧬❤️

Até amanhã com mais ciência!

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Referências:

  • Shattock AJ, Johnson HC, Sim SY, et al. Contribution of vaccination to improved survival and health: modelling 50 years of the Expanded Programme on Immunization. The Lancet. 2024;403(10441):2307-2316. doi:10.1016/S0140-6736(24)00850-X

  • Ministério da Saúde. Campanha de Multivacinação 2026: estratégia para atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Brasília; 2026.

Read the original on dahis.substack.com

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