BOM DIAAA, CIENTISTAS!
Pessoal, estamos fazendo uma pesquisa sobre como implementar novos lançamentos da Eureka! Por favor, se tiver 30 segundos, responda o questionário abaixo para ajudar a Eureka! a espalhar ciência pelo Brasil!!
Como vocês estão? Sextamos com uma notícia super legal.
Vocês devem lembrar que, durante a pandemia, a tecnologia de mRNA virou assunto do dia a dia por causa das vacinas contra a Covid-19. Pois é: aquela mesma lógica de dar instruções para o corpo produzir uma proteína e assim treinar o sistema imunológico está sendo testada agora contra um inimigo bem mais antigo: o câncer.
E essa semana saiu uma notícia importante nessa frente.
Mas antes disso, não se esqueça de se inscrever na nossa newsletter:
A Merck e a Moderna anunciaram que um estudo de fase 3, chamado INTerpath-001, mostrou que uma vacina de mRNA feita sob medida para cada paciente, combinada com um imunoterapico já aprovado (o pembrolizumabe, vendido como Keytruda), reduziu significativamente o risco de o melanoma voltar depois da cirurgia.
É a primeira vez que esse tipo de terapia chamada de terapia individualizada de neoantígenos mostra resultado positivo numa fase 3.
Bora entender o que isso realmente significa.
Antes de mais nada, precisamos entender por que o sistema imunológico, sozinho, muitas vezes não dá conta do câncer.
Diferente de um vírus, que é claramente “estranho” ao corpo, uma célula tumoral nasce a partir das nossas próprias células. Ela só virou perigosa porque acumulou mutações (alterações no genoma). Isso significa que, para o sistema imune reconhecer o tumor como inimigo, ele precisa aprender a identificar justamente essas mutações e cada tumor tem o seu próprio conjunto único delas.
É aqui que entra o conceito central do estudo.
Conceito Eureka!
Neoantígenos: Toda vez que uma célula do corpo sofre uma mutação, ela pode passar a produzir proteínas ligeiramente diferentes das originais. Pequenos pedaços dessas proteínas alteradas, quando expostos na superfície da célula, são chamados de neoantígenos. Literalmente, “antígenos novos”, que não existiam nas células saudáveis. Por serem exclusivos do tumor, funcionam como uma espécie de impressão digital do câncer. O problema é que, sozinho, o sistema imunológico muitas vezes não presta atenção suficiente nesses sinais. Uma vacina baseada em neoantígenos tenta resolver isso: ela sequencia o tumor do próprio paciente, identifica quais mutações geraram esses neoantígenos e ensina o sistema imune a reconhecê-los como alvo.
E é exatamente isso que a terapia testada no estudo faz.
Ela se chama intismeran autogene (também conhecida pelos códigos V940 ou mRNA-4157) e funciona assim: os cientistas analisam uma amostra do tumor removido cirurgicamente do paciente, identificam até 34 mutações específicas daquele câncer e produzem uma molécula de mRNA que carrega as instruções para essas mutações.
Quando essa vacina é injetada, as células do corpo “leem” essas instruções e passam a exibir os neoantígenos na sua superfície (é como se colocassem vários cartazes de procura-se ao mesmo tempo). Isso chama a atenção dos linfócitos T, que aprendem a reconhecer e atacar qualquer célula do corpo que ainda carregue aquele padrão de mutações, incluindo focos do tumor que porventura tenham sobrado.
Só que essa vacina não age sozinha no estudo. Ela foi testada em combinação com o pembrolizumabe, um medicamento que já é padrão de tratamento em melanoma e que funciona de um jeito complementar: ele “solta o freio” dos linfócitos T, impedindo que o próprio tumor os desative.
A ideia é simples de entender: a vacina ensina o alvo, e o pembrolizumabe garante que o time de ataque não seja bloqueado no meio do caminho.
O estudo recrutou 1.137 pacientes com melanoma em estágio avançado (IIB a IV), que haviam acabado de passar por cirurgia para remoção completa do tumor. Parte deles recebeu a combinação vacina + pembrolizumabe, e parte recebeu apenas o pembrolizumabe isoladamente, que já era o tratamento padrão.
Depois de acompanhar os pacientes, os pesquisadores viram que o grupo que recebeu a combinação teve uma melhora estatisticamente significativa em dois desfechos: o tempo até uma recidiva do câncer, e o tempo até o surgimento de metástases à distância.
Ou seja, a combinação ajudou a manter mais pacientes livres da doença por mais tempo, quando comparada ao tratamento padrão isolado.
Vale lembrar que esse resultado atual já havia sido sugerido em uma fase anterior do mesmo programa de pesquisa (fase 2b), quando a combinação mostrou uma redução expressiva no risco de o câncer voltar. Agora, a fase 3 que é maior, mais rigorosa e decisiva para aprovações regulatórias confirmou esse benefício.
Mas, como sempreee:
Alguns pontos importantes para não sair achando que isso é “a cura do câncer”:
Primeiro, esses são resultados preliminares (topline) de uma análise interina. Os dados completos ainda não foram publicados nem revisados por pares eles serão apresentados em um congresso médico internacional nos próximos meses.
Segundo, um desfecho crucial, a sobrevida global (ou seja, se os pacientes de fato vivem mais tempo), ainda está sendo acompanhado e não foi divulgado nesse anúncio.
Terceiro, essa terapia ainda não está aprovada para uso. As empresas anunciaram que vão conversar com agências regulatórias sobre os próximos passos, mas isso ainda pode levar tempo.
E por fim: essa vacina é feita sob medida, exige sequenciamento genético do tumor de cada paciente e um processo de fabricação individualizado: o que hoje ainda é caro e logisticamente complexo. Ampliar o acesso a esse tipo de terapia é um desafio à parte.
Mesmo com essas ressalvas, o estudo é relevante porque mostra, pela primeira vez em fase 3, que uma vacina de mRNA feita para o perfil genético único de cada tumor pode, sim, reforçar o que a imunoterapia já faz, abrindo caminho para uma abordagem mais personalizada no tratamento do câncer.
E aí, cientista? Aprendeu algo novo? Então se inscreve na Eureka e manda esse texto pra aquele amigo que trabalha com biotecnologia ou que simplesmente ama ciência!
Aqui a gente fala sobre ciência todos os dias! Não fique de fora! :)

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