RSS Amplifier

Curioso Mercado · Jun 15, 2026

Navios, luxo e petróleo: a fórmula de Onassis

0
Sign in to vote or save

Curioso Mercado · Curioso Mercado

“Em toda a minha vida, nunca conheci pessoas sábias que não lessem o tempo todo — nenhuma, zero.” — Charlie Munger

Agha Hasan Abedi, banqueiro.

Algumas histórias você realmente só encontra nos canais do Curioso Mercado. Então faça um favor para a gente e compartilhe a edição com alguém que também gosta de grandes histórias de negócios.

Agora, sente melhor na cadeira e venha acompanhar a história de Agha Hasan Abedi, o banqueiro que construiu um império financeiro e protagonizou um dos maiores escândalos bancários do século XX.

Abedi nasceu em 1922 em Lucknow, na Índia britânica. Ainda jovem, entrou para o Habib Bank e cresceu rapidamente. Em 1959, aos 37 anos, deixou o Habib Bank e fundou o United Bank Limited (UCL) no Paquistão, que se tornaria um dos maiores bancos comerciais do país.

No entanto, em 1972, o governo paquistanês nacionalizou o UCL. Abedi, agora sem o seu banco, entendeu o jogo e a partir disso fundou o Bank of Credit and Commerce International, o BCCI, estabelecido no mesmo ano mas com sede em Londres e registro em Luxemburgo.

O capital inicial veio do Bank of America e do governante de Abu Dhabi. A proposta de Abedi era criar em um banco voltado para os países em desenvolvimento, os excluídos do sistema financeiro ocidental, com presença nos mercados que os grandes bancos europeus e americanos ignoravam.

O BCCI cresceu agressivamente, operando em mais de 70 países com ativos que chegaram a US$ 20 bilhões no final dos anos 1980. Era o sétimo maior banco privado do mundo. Contudo, era em uma fraude do início ao fim.

Para enganar o mundo, o banco usava um sistema elaborado de estruturas corporativas complexas. As operações necessárias eram divididas em partes e distribuídas entre diversas entidades jurídicas em diferentes países. Nenhum sistema de fiscalização conseguia rastrear.

Isso tornou o BCCI em uma das instituições mais convenientes para lavagem de dinheiro que o mundo já viu. Líderes como Manuel Noriega e Saddam Hussein usavam o banco para depositar dinheiro saqueado dos tesouros nacionais.

O banco operava como conduto para dinheiro destinado a terroristas árabes, traficantes de armas e cartéis de drogas, além de ter ligações secretas com serviços de inteligência ocidentais e ter sido canal de recursos no escândalo Irã-Contras (escândalo político ocorrido nos Estados Unidos durante o governo do presidente Reagan na década de 1980).

Em 1988, Abedi sofreu em um ataque cardíaco grave e se afastou das operações. Sem o fundador, o império financeiro começou a se desintegrar rapidamente. O promotor Robert Morgenthau, de Nova York, assumiu a investigação e construiu em um caso que os próprios reguladores haviam resistido em processar por anos, em parte porque muitos governos estavam de alguma forma conectados ao banco.

Em julho de 1991, reguladores de vários países fecharam o banco simultaneamente e o banco foi a falência com dívidas de US$ 20 bilhões. A maioria dos principais executivos foi presa. Morgenthau chamou o caso de “a maior fraude bancária da história financeira mundial.”

Abedi escapou da extradição refugiado no Paquistão, cujas autoridades se recusaram a entregá-lo. Morreu em Karachi em agosto de 1995, aos 73 anos, sem ter sido levado a julgamento.

Valentino Garavani, empresário italiano.

Valentino Garavani nasceu em 1932 em Voghera, uma pequena cidade no norte da Itália. Aos 17 anos, convenceu seu pai para ir a Paris estudar moda, onde passou pelos ateliers de Cristóbal Balenciaga, Jean Dessès e Guy Laroche.

Quando retornou para a Itália, em 1959, abriu um atelier na Via Condotti com o propósito de vestir as mulheres mais poderosas do mundo com em uma elegância que nenhum outro designer italiano havia alcançado.

Em 1960, conheceu Giancarlo Giammetti, arquiteto de formação que se tornaria seu sócio e parceiro por décadas. A divisão de papéis foi imediata e definitiva. Enquanto Valentino criava, Giammetti administrava.

Foi uma das parcerias mais bem-sucedidas da história da moda e um dos primeiros exemplos modernos de um designer com um CEO dedicado ao lado. Em 1962, apresentaram a primeira coleção de alta costura no Palazzo Pitti em Florença. A plateia incluía Audrey Hepburn e Jackie Kennedy (ex-esposa de John F. Kennedy e do magnata Aristóteles Onassis ao qual escrevemos no texto a seguir).

A cor vermelha foi a decisão de branding mais eficaz da história da alta costura. Garavani desenvolveu em um tom específico de vermelho, que mais tarde ganharia seu próprio Pantone.

O vermelho Valentino acabou se tornando sinônimo da casa antes mesmo de existir como conceito formal. Em 1990, o filme Uma Linda Mulher levou o vermelho Valentino para em uma audiência que jamais havia pisado em um desfile de moda.

O modelo de negócio que Garavani e Giammetti construíram foi pioneiro na indústria. Enquanto as grandes casas francesas dominavam o mercado de alta costura, a Valentino expandiu sem abrir mão do posicionamento de luxo, criando em uma estrutura de receita que combinava peças inacessíveis com produtos aspiracionais. Em 2008, o grupo foi vendido ao fundo de private equity Permira por cerca de €700 milhões, com Garavani e Giammetti saindo da empresa após 48 anos.

Em 2012, a Valentino foi adquirida pelo grupo Mayhoola, do Qatar, e tem hoje Jacopo Venturini como CEO. O fundo gerencia um portfólio que inclui marcas como a francesa Balmain e a italiana Pal Zileri, além da varejista de departamentos turca Beymen.

Valentino Garavani morreu em janeiro de 2026, aos 93 anos, em Roma. Deixou para a indústria da moda um legado que vai além das roupas, mas a prova de que um designer pode construir uma marca global a partir de um posicionamento claro.

📹 Youtube, com versões mais detalhadas das curiosidades de negócios.

📱 Instagram, com curtinhas, reels com histórias de negócios e muito mais!

📖 Biblioteca do Curioso, com livros sobre as melhores histórias do mundo dos negócios.

📞 Canal no WhatsApp, com notícias e curiosidades diárias para você ficar por dentro de tudo.

Aristóteles Onassis, empresário grego argentino.

Aristóteles Onassis deixou Esmirna aos 16 anos praticamente sem nada depois que o incêndio destruiu a cidade em 1922, durante a Guerra Greco-Turca. Foi para a Argentina, onde começou vendendo tabaco em Buenos Aires. Enquanto construía sua vida do zero, dedicava as horas livres ao estudo dos mercados e dos negócios internacionais.

A grande virada veio durante a Grande Depressão. Com ativos sendo negociados a preços mínimos, Onassis enxergou uma oportunidade que poucos perceberam. Apostou no futuro do transporte marítimo de petróleo e começou a adquirir navios por valores depreciados. Em 1938, encomendou seu primeiro petroleiro em estaleiros suecos e o fretou para a Tidewater Oil Company, ligada a Jean Paul Getty.

No ano seguinte, criou sua primeira empresa panamenha e passou a operar sua frota sob bandeira do Panamá. Muito antes de a prática se popularizar, Onassis entendeu as vantagens competitivas das estruturas offshore e transformou esse modelo em um dos pilares de seus negócios.

A expansão continuou ao longo dos anos 1950. Em 1953, lançou o Tina Onassis, então o maior petroleiro do mundo, com capacidade de 46 mil toneladas. No ano seguinte, firmou um acordo com a Arábia Saudita que lhe concederia exclusividade no transporte do petróleo do país. O contrato, porém, provocou forte reação das grandes petrolíferas americanas.

A decisão colocou Onassis diante de uma de suas maiores crises. Com parte da frota parada e dificuldades para honrar financiamentos, chegou a cogitar vender seus ativos. Mas, a recuperação veio em 1956, quando vendeu sua operação baleeira para os japoneses e utilizou os recursos para ampliar ainda mais sua frota de petroleiros. No mesmo período, fundou a Olympic Airways, companhia que se tornaria símbolo da aviação grega e, na prática, a transportadora nacional do país, mesmo sendo privada.

Nas décadas seguintes, Onassis se consolidou como um dos homens mais ricos do planeta. O Times de Londres descreveu sua fortuna como “incomensurável”. Mas a reta final de sua vida foi marcada por uma tragédia pessoal. Em 1974, seu filho Alexander morreu em um acidente aéreo, golpe do qual ele jamais se recuperou. Pouco depois, vendeu a Olympic Airways ao governo grego e em março de 1975, morreu na França, vítima de complicações causadas por uma pneumonia.

Onassis deixou uma fundação filantrópica, uma ilha privada no Mar Jônico e um legado empresarial que ultrapassou o setor naval. Seu uso pioneiro de estruturas offshore ajudou a moldar práticas corporativas que seriam adotadas por empresas e grandes fortunas ao redor do mundo.

Esse foi apenas o “resumo” da história de Onassis. Já fizemos um vídeo em nosso canal no YouTube sobre sua trajetória. Clique no vídeo ao final da edição para conhecer a história por completo de um dos empresários mais influentes do século XX.

💰 Elon Musk se torna o primeiro trilionário do mundo após IPO da SpaceX

🍣 Ecossistema do luxo: a estratégia do Kanoe com sushi para 8 clientes e menu de R$ 1.400

💊 Pague Menos recusa farmácias de supermercados e questiona alcance de nova lei

Nike x Adidas: marcas apostam em celebridades para impulsionar vendas na Copa

📖 Livro da semana: O mesmo de sempre: Um guia para o que não muda nunca

“O Mesmo de Sempre” propõe uma forma mais inteligente de lidar com a incerteza ao focar naquilo que nunca muda no comportamento humano. Morgan Housel mostra que entender padrões constantes como medo, ambição, risco e desejo por segurança ajuda a tomar decisões melhores sobre dinheiro e vida.

📧 Deseja anunciar para milhares de pessoas na newsletter? Clique aqui.

Compartilhar no WhatsApp

Read the original on curiosomercado.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.