Caro leitor
Quando tomamos uma decisão, temos geralmente a convicção de que poderíamos ter decidido de outro modo. Mas será essa convicção verdadeira? Se tudo o que acontece resulta de acontecimentos anteriores e das leis da natureza, haverá ainda lugar para escolhas genuinamente livres?
Os cinco artigos que hoje lhe proponho formam uma sequência de leitura. Começamos pela apresentação do problema, identificamos depois as principais posições em confronto e terminamos com uma das respostas compatibilistas mais sofisticadas da filosofia contemporânea.
O melhor ponto de partida é Teremos Realmente Livre-Arbítrio?, de Theodore Sider, com tradução de Vítor Guerreiro. Sider começa por relacionar directamente o livre-arbítrio com a responsabilidade moral: não parece justo censurar alguém por uma acção que não poderia ter evitado. O problema surge quando aplicamos o determinismo às decisões humanas e descobrimos que as causas das nossas escolhas remontam a acontecimentos anteriores ao nosso nascimento. A ciência e a moralidade parecem, assim, conduzir-nos em direcções opostas.
Depois de compreender o conflito fundamental, Livre-Arbítrio, Determinismo e Responsabilidade Moral, de Howard Kahane, com tradução de Álvaro Nunes, oferece-nos um mapa sistemático das principais respostas.

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