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O que o Claudio Shikida anda lendo, meu Deus?! · Jul 29, 2026

Maryland - Legal e moral? - História - Jorge Vianna Monteiro.

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Claudio D. Shikida · O que o Claudio Shikida anda lendo, meu Deus?!

O v(6), n(33) está na área, sem sinais de impedimento. Ah sim, a historinha sobre o universo de Noboru, Leila e Carlos Morita continuará no próximo número.

Maryland - Estive uns dias na University of Maryland, em um evento da Foundation for Economic Education (doravante, FEE). Dias bem quentes, e uma programação intensa que me ajudou a repensar um pouco sobre o que tenho feito nos últimos anos e, claro, também pude pensar no futuro.

É incrível como, no Brasil, não há nada similar ao programa da FEE. Recursos para professores e alunos e diálogos com professores incríveis é o mínimo que posso mencionar. Impressionou-me mesmo a premiação na última noite do evento, uma celebração da boa economia como nunca vi - mesmo - no Brasil, onde as cerimônias de premiação são pobres, marcados por um oficialismo (notadamente quando são do setor público) ou por um excesso de plumas e paetês (no caso do setor privado).

Foram três premiados. Um foi um professor de economia, James Redelsheimer, que conseguiu ganhos sustentados com seus alunos ao longo de sua carreira. Incrível ler o que ele conseguiu promover na high school em que atua. A outra, uma ex-professora da rede pública, que agora empreende com suas chamadas micro-schools. Finalmente, um pesquisador que admiro muito, novo, o prof. Vincent Geloso, que tem desmontado muitos argumentos usando…dados e econometria sólida.

A cerimônia foi incrível com professores (os fellows desta rodada de fellowships da FEE), personalidades ligadas à FEE, professores e alunos de vários cursos - que também foram premiados em duas categorias. O jantar? Excelente. Aliás, todos os jantares ou almoços - mesmo os do “bandejão” universitário - foram muito bons (e matei a saudade das pizzas com uma fatia de, claro, uma de pepperoni).

Poderia ficar um bom tempo falando aqui sobre as incríveis palestras/aulas - destaco as de Art Carden, Vincent Geloso e Veronique DeRugby (mas só porque não me lembro das outras) - e também do serviço de apoio ao evento (com a energética Daphne Posadas que não parecia se cansar nunca!) que mostraram um profissionalismo que raramente vejo nos dias de hoje.

O ambiente universitário brasileiro não é, nem de longe, algo similar ao que vi. Aqui, a discussão - que já era ruim, mas parecia estar melhorando - retrocedeu um bocado (é minha impressão, posso estar errado) após a pandemia com o radicalismo aliado à absoluta falta de vontade de ler textos mais longos que um “tuíte” dos alunos atuais. Digamos que se fôssemos colocar apenas alunos brasileiros lá no salão em que todos nos reunimos, no jantar final, não teria mais que quatro alunos (de fato, haviam dois brasileiros lá…e oriundos da mesma faculdade, o que mostra outro preocupante aspecto do nosso falido modelo educacional…).

No Brasil, a universidade pública perdeu seu impeto (ok, há exceções em alguns departamentos) e a militância doutrinária venceu - na maioria, não na unanimidade - o ceticismo científico. As privadas não ficam atrás. Nelas se vê uma destruição dos laços entre professores e alunos em nome da massificação (commodification) do ensino (há uma ou outra exceção, mas não vou mencionar aqui, claro).

Alguém poderia dizer que são os ‘ossos do ofício’, mas o fato é que os ossos têm se alterado na forma e na composição… e têm enfraquecido ao longo do tempo e, não, isto não estava no contrato. A não ser que alguém me diga, por exemplo que trabalhar como escravo também é uma possibilidade de um contrato de assalariado agora porque, sabe como é, você sabia que poderia receber uma ordem para se transformar em um minotauro quando assinou o contrato…não, não…os limites são claros. Há os seus ossos do ofício e há os ossos do ofício alheio que tentam lhe jogar nas costas. Identificar cada um deles nem sempre é fácil, mas mais difícil é evitar a confusão…

De todo modo, quão maravilhoso seria ter uma FEE brasileira promovendo eventos assim. Quão bom seria ter um contingente significativo de alunos preocupados com sua formação (os meus amigos conservadores, que adoram falar em “educação clássica” - embora raramente concordem com o que seja isso - nunca conseguem me explicar como teriam alunos suficientes para garantir, digamos, o almoço do dia seguinte), com seu futuro profissional e com um país comprometido com uma sociedade livre e com uma economia de mercado forte.

Seria ótimo, mas o Brasil não anda lá muito nesta direção nos últimos tempos…

big bang universe

Legal e moral? - Não, nem sempre.

História - Russ Roberts com uma reflexão sobre o aprendizado das lições da História.

Jorge Vianna Monteiro - Minha colaboração no ótimo Public Choice in Latin America.

Até mais ler.

(*) até mais ler” foi plagiado do Orlando Tosetto, cuja newsletter, aliás, você deveria assinar.

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