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Cartas do Telhado · Oct 10, 2025

Como eliminar desgastes emocionais desnecessários com seu marido

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Ana C. Marsh · Cartas do Telhado

Todo mundo sabe que a comunicação é a chave para um bom relacionamento, mas o que eu vim a descobrir é que a comunicação é uma faca de dois gumes: se não aplicada corretamente ela também te corta, principalmente no casamento.

Recentemente venho descobrindo o poder feminino do silêncio e de comunicar meus desejos sem expectativas ou explicações. Uma forma surpreendentemente simples de acabar com o desgaste emocional desnecessário que sofremos quando nos comunicamos com nossos maridos da forma errada.

É sobre isso que quero te escrever hoje.

Saber se comunicar é uma habilidade de vida muito importante. Não faltam cursos e livros sobre o tema, um dos mais proeminentes atualmente sendo a tal da comunicação não-violenta, ou CNV, abreviando.

Minha opinião impopular: A comunicação não violenta não funciona no casamento, porque ignora nuances necessárias à polarização das energias masculina e feminina.

Já tive ótimos resultados com a CNV em ambiente de trabalho, amizades e relacionamentos familiares, mas no meu casamento, sempre que tentava aplicar a técnica o tiro meio que saía pela culatra.

Meu desejo, como pessoa profundamente sensível e mediadora, é sempre resolver o conflito o mais rápido possível, mas sempre que eu tentava aplicar a CNV, ou “convencer” meu marido de forma racional, a discussão se prolongava e a ressaca emocional permeava o restante do dia.

Essa semana aconteceu mais uma vez, no grande laboratório alquímico da nossa cozinha, um experimento de grande importância sobre um tema ainda mais crucial: a louça.

Acordei feliz e fui preparar o café da manhã, quando abri a geladeira e encontrei: a única panela que uso para fritar ovos dentro da geladeira, cheia de purê de batata que sobrou da noite anterior. Só uma mulher casada com filho pequeno pode compreender a fúria que isso invoca.

Como se não bastasse, no exato momento em que o sangue subia à minha cabeça, meu marido resolve docemente me dar um beijinho no pescoço, ao qual eu reagi esquivamente e na hora ele pescou que algo estava errado.

— O que foi?, disse ele

— Nada. Te amo. Obrigada por lavar a louça ontem de noite.

“Nada”: a pior e mais falsa resposta possível. Obviamente algo tinha acontecido, mas eu estava tão embaraçada com o fato de que a panela na geladeira tinha o poder emocional de acabar com meu humor que eu não quis admitir. Frequentemente eu penso que sou melhor e mais evoluída emocionalmente do que realmente sou. Meu traço tóxico.

Depois de alguns minutos de silêncio e desconforto eu consegui me recompor para falar a verdade, no estilo CNV:

— Quando você deixa a panela na geladeira com comida e eu não tenho uma panela limpa para cozinhar de manhã eu me sinto frustrada, porque agora eu preciso limpar a panela e isso atrasa o café da manhã. Temos uma geladeira pequena e poucos utensílios de cozinha. Eu gostaria de acordar com uma cozinha limpa.

Eu não sou expert no assunto mas pelo que me lembro e no calor do momento achei que tinha me saído bem na estrutura “observação, sentimentos, necessidade e pedido”.

Só que não deu certo. A névoa de resseca emocional ainda pairava no ar e horas depois, eu perguntei pra ele o que poderia ter feito melhor e ele me disse que não gostou que eu tentei fazer “mansplaining” com ele, que poderia somente ter dito que preferiria o purê num pote (!)

Ou seja, eu achei que estava aplicando CNV, mas o que meu marido ouviu foi provavelmente algo como: deixa eu te explicar essa coisa óbvia que você é nitidamente incapacitado de avaliar sobre o tamanho da nossa geladeira e jogo de panelas e como você é limitado até quando tentar me ajudar porque você não tomou a decisão correta, e por correta quero dizer: aquela que eu tomaria.

Ou, em uma versão mais abreviada: você é um idiota e eu sei melhor que você.

Ai.

Quando ele me falou fez total sentido. Eu estava me colocando em um papel masculino de convencer e explicar, sendo que esse não é meu papel. E antes que gritem “masculinidade frágil” pare e releia o que eu disse novamente. É muito condescendente. Eu poderia falar assim com a minha filha mas não com meu marido. Falar assim com ele é desrespeito — e respeito, para o homem, é como oxigênio (pretendo escrever mais sobre isso em outra oportunidade mas fique apenas com essa informação agora).

Enfim, o que eu poderia ter feito?

1- Ficado quieta.

Se seu estivesse realmente bem e descansada, eu não me importaria de lavar a panela ou fazer torrada no café da manhã por exemplo. Mas porque eu estava cansada e precisava de tempo pra mim, aquele pequeno dissabor me desestruturou e eu paguei o preço emocional.

2- Dito o que eu queria sem explicações condescendentes e sem propor soluções

“Amor, eu quero fazer ovos mas a frigideira tá ocupada na geladeira”

Essa teria sido a melhor opção visto que no momento eu realmente fiquei enfurecida e não teria conseguido ficar quieta. Aqui eu foco no que eu desejo, estou no meu feminino e deixo ele, com sua energia masculina, resolver o meu problema.

O poder da comunicação feminina está em expressar verdadeiramente seus desejos sem expectativas ou explicações. É absurdamente simples, mas não é fácil, porque temos uma imensa camada de culpa e vergonha nos condicionando a não desejar e sermos “racionais”.

Meu convite pra você é observar a próxima oportunidade que tiver e ao invés de tentar fazer mansplaining com seu marido, se perguntar: o que eu desejo agora? O que eu preciso agora? Deixe a sua fala partir daí e veja seu marido reagir de forma totalmente diferente. Depois me conta como foi.

PS.: Aparentemente o Substack não está mais permitindo resposta aos emails, então se quiser interagir com esse post e comigo a melhor forma é deixando um comentário clicando abaixo:

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PPS.: Aprendi essa prática libertadora no livro “The Surrendered Wife” da Laura Doyle. Recomendo para qualquer esposa que queira aprender a se comunicar verdadeira e efetivamente com seu marido, de forma feminina. Esse livro é um divisor de águas.

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Read the original on cartasdotelhado.substack.com

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