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Nevoeiro · Jul 10, 2026

Alguns mantras de escrita

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Carol Bensimon · Nevoeiro

Recado para os assinantes: agora reuni aqui todas as edições dessa Caderno Amarelo (sobre escrita criativa, exclusivas para assinantes pagos). Antes tarde do que nunca!

1.

Quanto mais a pessoa escreve, mais vulnerável ela vai parecer diante dos outros. No primeiro livro – ou na primeira edição da newsletter –, a autora é um mistério. Você ainda não sabe o que há dentro dela. Então três, quatro livros – ou dezenas de ensaios no Substack – e os temas ficam claros. As obsessões. Os medos. As explicações erradas sobre o mundo. O que ela está tentando fazer com a vida dela.

2.

Sempre acho estranho escrever uma edição da Nevoeiro porque não há como saber a partir de que ponto você começou a acompanhar a história, ou se pulou um capítulo, ou quantos capítulos, sei lá. Um livro tem a primeira e a última página. Aqui o fluxo continua, há personagens que vêm e vão, descobertas do dia-a-dia, os grandes movimentos da vida. Você deve saber que nasci em Porto Alegre. Deve saber que me mudei pra um lugar muito remoto da Califórnia em 2018. Talvez saiba que descobri a cabana onde moro no Airbnb, que acabei ficando muito amiga dos donos – Sharon e Mitchell –, que ambos morreram no decorrer dessas edições, que eu sigo aqui, nessa propriedade que me fez acreditar em coisas invisíveis. E agora estou usando o estúdio onde Sharon fazia suas esculturas como meu novo lugar para escrever. Só atravesso o jardim e estou aqui.

3.

Hoje não é dia de trabalhar no meu romance, mas sim de vestir meu manto mágico de guru e falar de algumas coisas que descobri sobre escrita. Coisas recentes – porque estamos sempre aprendendo ou reaprendendo. É engraçado isso, e perdão pela analogia tenística, mas vamos lá: uma jogadora profissional de tênis precisa, horas antes de um jogo, ir para a quadra treinar seus golpes. Sentir que a coisa encaixou. E você poderia pensar que isso é ridículo, afinal não é possível que alguém que tem a vida dedicada ao tênis possa “esquecer” como se bate numa bola (eu pensei isso por muito tempo). Da mesma maneira, é fácil achar que uma escritora com uma certa trajetória já entendeu os caminhos da escrita, não se embanana mais, não corre o risco de cometer os mesmos erros repetidas vezes. Pois não é assim que funciona, e semanas atrás me vi repetindo certas frases como mantras. São elas:

Pare de se preocupar em explicar o livro no primeiro parágrafo.

Decisões arbitrárias precisam ser tomadas.

O narrador que a história “pede” não é o narrador que você deve usar.

Read the original on carolbensimon.substack.com

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