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Caraminholas na cabeça · Sep 20, 2024

Slow down you crazy child

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Sou facilmente distraída, porém coisas simples podem me captar a atenção como: o vento balançando bem devagar a copa de uma árvore, as perninhas engraçadas de um neném correndo, os feixes de luz passando ‘‘cortados’’ entre as árvores… muito sobre ambiente e sobre gestos.

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Sou facilmente distraída, porém coisas simples podem me captar a atenção como: o vento balançando bem devagar a copa de uma árvore, as perninhas engraçadas de um neném correndo, os feixes de luz passando ‘‘cortados’’ entre as árvores… muito sobre ambiente e sobre gestos.

A padaria onde geralmente passo com meu pai depois da nossa corrida matinal, é meio caótica como só uma padaria de bairro consegue ser: TV ligada com o som no talo passando as notícias do jornal da manhã, alguém gritando a quantidade de pães, queijo e mortadela, funcionário pedindo reposição de pão na cozinha… ok! já deu para entender, mas nesse caos ‘‘organizado’’ de toda semana, minha atenção se fixa nesse rapaz, um dos funcionários atendentes.

Ele praticamente não fala, nunca ouvi sua voz, pois mesmo quando fala é quase um sussurro, e ele faz as coisas com uma calma, com uma dedicação quase metódica, porém não é aquela meticulosidade de querer fazer a dobra perfeita do papel e refazer até acertar. Não! É a meticulosidade de um certo carinho, cuidado, delicadeza, leveza.
Podem dizer que ele é lento, que ele precisa acelerar, mas ele corta cada fatia de queijo com precisão, separa os pães depositando eles no saco de papel e não jogando como a maioria, embala os frios e entrega seu pedido com um sorriso tímido, de olhar baixo, antes de passar para o próximo cliente.

Ele não se importa com os olhares, não se importa com os julgamentos. Tem um ar sonhador. O observo com curiosidade e ‘‘I can’t help but wonder’’ (haha) o quão melhor a vida é quando conseguimos desacelerar o externo e fazer nossas coisas com graça e com (c)alma.

É possível? Ou isso é dádiva dada somente pessoas à escolhidas e/ou muitíssimo evoluídas emocional e espiritualmente?

Nem sempre compramos pão depois da corrida, mas quando compramos, dedico meus minutos de atenção plena aos gestos do rapaz, invejo sua calma secretamente, e sigo adiante tentando desacelerar um pouco.

Afinal, desacelerar não é parar, você ainda permanece em movimento, e consegue apreciar melhor a vista desse jeito.

sugestão para fechar: Vienna, do Billy Joel, mas na voz de Gretta Ray



Bjos!

Let Oliveira

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