34ª edição | parte 2 | abril de 2026
Nota liminar: Este post é o segundo de dois. A parte 1 apresentou o mapa natal do regime, esta analisa os trânsitos do momento atual.
Em agosto de 26, o céu astrológico concentra sobre o Irã uma densidade de aspectos raramente vista em um único mês: um eclipse solar total de Nodo Sul, a 20° de Leão, em quadratura exata com Urano natal na casa 8, a oposição de Júpiter em trânsito ao stellium Sol-Mercúrio-Marte do regime, e a aproximação do Nodo Sul ao Júpiter natal. O que vinha se construindo ao longo de anos chega a um ponto de ruptura súbita, visível e muito provavelmente irreversível.
Mas agosto não surge “do nada”. O atual regime iraniano passa por um processo de revoluções e confrontos em série, principalmente devido à concentração planetária no signo de Aquário, onde Plutão transita atualmente. O ano de 2027 será chave nesse percurso, pois o eixo cármico vai transitar sobre Aquário e realizar conjunções com todos os planetas do stellium aquariano do Irã. Agosto de 2026 é o primeiro grande estremecimento antes desse encontro.
Independente dos desdobramentos do conflito atual, estima-se que os enfrentamentos políticos e estruturais devam seguir até dezembro de 2031, quando finalmente novos rumos podem se apresentar ao regime. Há a possibilidade de um enfraquecimento maior entre 2033 e 2034. Todo esse percurso será extremamente turbulento. Portanto, agosto precisa ser lido dentro deste contexto: não se trata de um ponto final, mas sim de um ponto de inflexão capaz de alterar a trajetória de tudo o que vem depois.
Uma das únicas chances desse cenário astrológico não se confirmar seria uma queda do regime durante os eventos dos próximos anos. Entretanto, pela resiliência e descentralização exploradas na parte 1 deste post, o mais provável não é uma desmobilização total, mas uma mutação. Provavelmente, o regime se transforma e recua, com a ideologia sobrevivendo em outros campos de batalha. Para entender como o Irã faz a travessia até agosto - e o que esse mês pode desencadear - é preciso percorrer o caminho: um regime endurecido, uma fé cega que o sustenta e a vulnerabilidade escondida sob a armadura.
Em 2026, o regime não recua, ele endurece. Saturno pressiona o Ascendente e a Lua, enquanto Plutão “escava sem dó” a ferida identitária de Quíron. O país se fecha sobre si mesmo como uma fortaleza que pode confundir resistência com sobrevivência.
O regime iraniano se coloca de forma resistente e rígida diante de todo o cenário geopolítico mundial. A resiliência está em alta até o início de 2027 e todos os sacrifícios necessários para suportar os ataques podem ser realizados com naturalidade nesse período. Há o risco de o país adotar uma postura diplomática tão radical que o leve a relações do tipo “tudo ou nada“ – ou você está comigo ou é meu inimigo.
É comum haver isolamento com Saturno transitando sobre o Ascendente. De fato, tudo o que não servir ao propósito da resistência deverá ser sumariamente descartado, sem a menor cerimônia ou sombra de dúvidas.
Saturno está em conjunção com a Lua do Irã desde o início de abril e seguirá nesta posição até dezembro de 2026. Esse trânsito simboliza o povo criticando duramente o regime, ou uma autocrítica aguçada do próprio regime em relação a si mesmo – talvez dissidências, um racha?
Há um questionamento sobre a condução do processo decisório e o povo tem um papel nisso, ou por se colocar muito a favor ou por se opor completamente. As posições são muito marcadas e os direitos femininos podem ajudar a desequilibrar o jogo de forças. No mínimo, a pauta dos direitos das mulheres provavelmente atuará como um fator relevante para o povo iraniano durante 2026, algo que não poderá ser ignorado.
Existem emoções muito violentas conectadas à ferida identitária de Quíron na casa 1 do regime. A intolerância e a impaciência emergem como resultado de dores coletivas fundamentadas em experiências de rejeição e abandono. Pode haver briga entre pares, famílias se opondo a famílias – embates entre clãs?
O regime utiliza a raiva e a fúria como uma proteção natural contra exclusões e injustiças às quais já foi submetido. Porém, em algum momento, será preciso integrar essa dor como parte da experiência e aprender a utilizar meios mais diplomáticos. Caso continue no extremo da agressividade, esse trânsito - que se estende até o início de 2028 - pode trazer como resultado os sentimentos de impotência e culpa em um caminho no qual o país segue sendo usado para servir a interesses exteriores, além de perder a chance de uma “luta justa”. Mas a dureza não explica tudo. Por baixo da armadura, há uma fé cega. É ela que torna o regime verdadeiramente imprevisível.
Netuno em trígono com Júpiter e em quadratura com o Meio do Céu pintam o retrato de um regime que não governa somente pela força, ele utiliza a convicção divina, a predestinação. A fé é combustível. O vitimismo é estratégia. A janela diplomática existe, mas é estreita.
Há uma sensação de predestinação espiritual, uma fé inabalável no futuro, a confiança em uma força maior que pode ser interpretada como uma suposta garantia de sucesso. Essa sensação estará presente por muitos anos, até o início de 2028. O desejo de liberdade e uma visão idealista podem se colocar sobre qualquer necessidade material, fazendo que o regime enfrente quaisquer adversidades financeiras para atingir os próprios objetivos.
O otimismo e a autoconfiança podem fazer o Irã assumir riscos intoleráveis em outros momentos. Esse é um trânsito que infla a fé fundamentalista e pode cegar os mais religiosos. Por outro lado, sob o ponto de vista daqueles que buscam os ideais, a luta acontece por um senso muito forte de justiça social, e, sobretudo, em auxílio dos mais fracos - um combustível bastante potente para alimentar a resistência.
Quíron em trânsito está estabelecendo um trígono com o planeta Vênus do regime, postado na casa 9 do mapa e em conjunção com Netuno em Sagitário. Esse trânsito demonstra abertura para acordos, mesmo em meio a toda violência e resistência. Para isso, é necessário dialogar com os representantes religiosos, os condutores da ideologia iraniana. Uma aproximação respeitosa frente a essas figuras tende a trazer bons resultados em mesas de negociação diplomática. A janela para essa aproximação está aberta até janeiro de 2027. O regime carrega a dor de sanções em série e compreende a necessidade de negociar.
A partir de junho de 2026, se estendendo até março de 2028, o país pode começar a demonstrar uma face mais vitimizada frente à opinião pública mundial. Talvez, parte da população comece a suplicar por ajuda e clamar pelo fim da instabilidade imposta pelos confrontos envolvendo o regime.
Outra possibilidade é o fundamentalismo se fortalecer ainda mais. Em uma guerra de sobrevivência, onde nada mais há para se perder, o valor da própria vida pode ser um preço muito pequeno a ser pago pelo ideal de “liberdade” e justiça para toda uma nação.
O aspecto em questão pode atuar como uma afirmação pública de fé, onde o ego e a vontade pessoal passam a servir a um ideal maior. Nesse sentido, quanto maior o vitimismo, maior a força do sacrifício em nome da causa. Dessa forma, o regime pode chegar ao segundo semestre de 2026 com toda sua blindagem ativada. É exatamente nesse momento que o céu “apresenta a conta” de agir como uma fortaleza da fé.
Grande parte dos eventos apresentados até o momento convergem em um único mês. Agosto de 2026 é um gatilho para mudanças.
O ano se iniciou com Plutão em trânsito no início de Aquário e em oposição a Júpiter natal do Irã, em Leão. Esse enfrentamento planetário demonstrou a revolta popular contra o autoritarismo do regime. Estima-se um total de 7 mil mortos e mais de 50 mil detidos, números dignos do aspecto.
O mapa do Irã apresenta Mercúrio em Aquário e conta com a comunicação tanto como uma arma de controle quanto com a resistência que surge dos jovens no meio estudantil para combater esse mesmo controle.
Entre junho de 2026 e julho de 2027, Júpiter vai transitar em Leão, realizando um encontro com o Nodo Sul entre novembro e dezembro de 26. Nesse contexto, é exaltado um senso de honra e pertencimento, trazendo as memórias de como o regime se tornou a liderança do país e construiu seus próprios ideais.
Há um reconhecimento da soberania, um direito de poder entregue pela divindade, sobretudo em julho, durante a passagem de Júpiter sobre o Júpiter natal do país, quando existe um ponto de maturidade cíclica com a sensação de dever cumprido ou a ser cumprido.
Mas o retorno de Júpiter ao próprio lugar natal pode carregar uma sombra. Ao mesmo tempo em que o regime se sente investido de missão, o céu apresenta a oposição de Júpiter em trânsito ao stellium Sol-Mercúrio-Marte natal. A liderança é pressionada, a narrativa distorcida e a força militar inflada além do sustentável. E então, agosto se revela.
O eclipse solar de Nodo Sul, no dia 12 de agosto, a 20º de Leão, vai acontecer em quadratura com Urano natal do Irã, na casa 8. Existe um evento súbito e disruptivo - pode ser um abalo econômico abrupto, mais mortes de lideranças importantes, acordos nucleares ou financeiros. De alguma forma, a fragilidade do regime pode ser subitamente exposta.
Some a isso, a oposição entre Júpiter em trânsito com Mercúrio, Marte e Sol do Irã. Todos eles acontecendo durante o mesmo mês. De fato, agosto é o auge da tensão em relação ao regime e os desdobramentos podem ser inesperados e muito impactantes.
A casa 8, impactada pelo eclipse, governa recursos externos, dívidas, sanções, mortes de figuras de poder e crises de sobrevivência do estado. Urano sendo ativado por um eclipse solar nessa casa - e no mesmo grau - indica que o gatilho será inesperado: mesmo num contexto de tensão acumulada, o evento específico tende a surpreender. Provavelmente, não veremos o resultado de uma escalada previsível, mas sim uma ruptura súbita, com consequências que se estendem muito além do mês.
O regime iraniano traz movimentos contraditórios em 2026: endurece e negocia, resiste e sangra, acredita e cega. Os trânsitos do ano não apontam exatamente para uma queda, mas para uma transformação forçada, acelerada por um mês disruptivo.
Agosto de 2026 é o momento em que o processo acumulado se expressa como evento. O que acontece ali, qualquer que seja a forma concreta, redefine a trajetória do regime para os anos seguintes. O horizonte de 2027, com o eixo cármico sobre o stellium aquariano, provavelmente já começa a ser construído a partir desse mês.
O regime pode sobreviver a agosto. Mas não sairá igual.
Abraços,
Marcelo Wilkes
Caminho Astrológico
Paz e luz.
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