Bom dia! ☀️
Radar da semana
🌹This Woman’s Work
❤️ American Love Story
💥 Nanda Tsunami
🧠 Festival Fronteiras
🚫 QuitGPT
😵💫 Tyra Banks
🎵 Uma música do ❤️
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Entre músicas, realities, inteligência artificial e decisões judiciais, uma reflexão fluida sobre a liberdade feminina
This Woman's Work. Passei a semana ouvindo essa faixa da Kate Bush, a música mais linda dela e que eu não escutava há muitos anos, até que ela apareceu na série do John Kennedy Jr. e Carolyn Bessette (na Disney+), na sequência que cobre a preparação para o vôo e constrói dentro da gente uma sensação de tristeza - para nós que conhecemos a história.
Minha filha não conhecia. Ela sabia quem era a Carolyn por causa dos videos do Tik Tok que vieram na esteira das trends dos anos 90. Tomou um baita spoiler logo de cara. Nada mais do que o maior spoiler da série 🫣😬 Sorry, filha.
A cena do avião decolando é o momento em que sentimos mais fragilidade na série toda.
E fragilidade é a emoção por trás da música This Woman's Work, de Kate Bush, especialmente escrita para uma cena de She’s Having a Baby (1988), longa de John Hughes. No filme, o casal Jake (Kevin Bacon) e Kristy (Elizabeth McGovern) chegam ao hospital para o nascimento de seu primeiro filho, mas ele logo descobre que a vida dela e do bebê corre risco.
Enquanto a música toca, uma sequência de flashbacks é exibida, mostrando o casal em momentos mais felizes, juntamente com cenas dele apreensivo, aguardando notícias na maternidade. Por isso que a letra foi composta a partir da perspectiva masculina. “A música explora sua tristeza e culpa, de repente chega o momento em que ele precisa amadurecer. Ele tinha sido um completo bobo até então”, disse Bush na época.
This woman's world
Ooh, it's hard on the man
I know you have a little life in you yet
I know you have a lot of strength left
Além da Kate Bush, teve outra música que reinou por aqui, uma que vai pro lado oposto. P.I.T.T.Y (Parecendo Uma Cafetina), da Nanda Tsunami. Não preciso falar mais nada. Alguém com esse nome dispensa apresentações. Só vai lá e ouve.
A faixa, que já soma mais de 25 milhões de reproduções nas plataformas digitais, nasceu como uma resposta ao verso “Nóis te quebra e te devolve para o frango que te ama”, do funkeiro MC Negão Original. Ela faz uma crítica, inverte a dinâmica e usa o sexo como um símbolo da autonomia feminina. E eu adoro as referências de espiritualidade, que a gente não encontra muito nas músicas de funk, na verdade nem de nenhum outro gênero.
Gosto dos homens igual eu gosto dos meus sapatos
Calados (shh), bonitos e altos
Eu só falei umas coisinha, tendo um rostinho bonito
E choveu de comentário de homem com mommy issues
Tô tentando melhorar, me desculpa se eu fui malvada
Tô fazendo Ho’oponopono e meditação guiada
Falando menos palavrão, sabe? Alinhando meus chakras
escute aqui » P.I.T.T.Y
Eu fico transitando entre gêneros, estilos e histórias e gosto quando acho pessoas originais e que se dão a liberdade de ser quem são. Sem se desculpar ou se prender. A verdadeira autenticidade só é possível quando a gente entende que não precisa caber, e expande a partir daí. Ser original necessita coragem pra sustentar a própria voz, mesmo que ela não seja a mais alta da sala.
E esse é o tema de um dos painéis da próxima edição do Festival Fronteiras (07 e 08 de março): A liberdade de ser quem se é. A inspiradora antropóloga Mirian Goldenberg e a escritora Camila Appel conversam sobre escolhas, autonomia e construção da felicidade ao longo da vida, abordando envelhecimento, afetos, corpo e liberdade feminina.
Liberdade feminina é um tópico bem importante porque as mulheres dão dois passos pra frente e, de repente, são empurradas 10 pra trás. A gente caiu de novo nesse lugar em que ser mulher ainda implica negociar espaço, segurança e credibilidade. O que dizer do juiz em Minas Gerais que absolveu um homem de 35 anos após relações com uma menina de 12? Doze anos. O relator falou em “vínculo afetivo consensual”, em “relação análoga ao matrimônio”, com conhecimento da família. Precisa desenhar?
Somente a desembargadora foi contrária à absolvição. Depois de muita pressão, o Tribunal voltou atrás e condenou o homem a 35 anos de prisão. Mas o susto já estava dado. E uma mensagem totalmente errada também.
Falando em retrocessos e poder, outra discussão que me pegou essa semana foi o movimento QuitGPT. Ele começou quando descobriram que o presidente e cofundador da OpenAI, Greg Brockman, foi um dos maiores doadores individuais de Trump em 2025. Ele e sua esposa, Anna Brockman, doaram US$ 25 milhões para a MAGA Inc - a maior doação que Brockman fez anteriormente foi de US$ 5.400 para a campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016. De 5 mil para 25 milhões. Eu ri para não chorar.
A Wired entrevistou Brockman, que segue dizendo que essa doação não tem nada a ver com política. “Há um pequeno número de políticos que estão realmente se expondo para dizer que, na verdade, acreditamos que a IA é importante para o país”, diz ele. “Acho que apoiá-los é realmente importante. É a coisa mais impactante que a humanidade já criou. Acertar nisso e fazer com que beneficie a todos, isso é o mais importante.”
O movimento já tem mais de um milhão de assinaturas/adesões e, basicamente, você pode compartilhar a petição online ou assinar um compromisso (cancelar a assinatura ou parar de pagar pela versão premium).
Enquanto parte do poder tecnológico flerta com projetos políticos conservadores, mulheres aqui no Brasil estão criando IAs feministas. Eu li na ótima newsletter Brasis que esse movimento é uma resposta ao aumento da violência digital e política contra mulheres e pessoas lgbtqiapn+.
São várias iniciativas que usam a inteligência artificial para detectar violência, acolher vítimas e produzir dados e evidências. Incrível. No site AzMina você lê o artigo completo.
Pra encerrar a sessão sobre conservadorismos, estou há dias querendo falar sobre a Tyra Banks e o documentário Reality Check: Inside America's Next Top Model.
Eu nunca tinha assistido o America’s Next Top Model porque tenho dificuldade com realities, sou contra sofrimento virar entretenimento. Assistindo ao documentário Reality Check, entendi que não era exagero.
Por mais de 20 temporadas, o America’s Next Top Model selecionava um grupo de aspirantes a modelo que viviam juntas e recebiam desafios como participar de ensaios fotográficos imitando uma viciada em drogas, ou uma mulher que foi vítima de uma violência extrema ou fingir que era de outra etnia (juro, com black face e tudo).
E tem coisas muito piores, muito assédio moral e até um episódio de abuso sexual. Tudo filmado. O documentário retrata o ANTM como um ambiente extremamente problemático e tóxico. O que me chocou é que nem a Tyra - nem ninguém do programa - se desculpou. Eles apenas se justificam, falando algo como “ah, é bem ruim vendo hoje, mas na época era assim". Vale ver.
Entre Kate Bush e Nanda Tsunami, entre vulnerabilidade e resiliência, entre espiritualidade e deboche, existe um limite que não deveria ser atravessado: o direito e a liberdade de ser quem se é.
E antes de ir embora, quero
Indicar esse perfil que fala sobre Ayurveda de forma super gostosa de ler e entender e praticar.
Agradecer a newsletter Aurora, que sempre menciona meus textos. Muito obrigada, eu também adoro o trabalho de vocês ❤️
Cherry-coloured Funk, Cocteau Twins

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