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Hit or Miss por Camila Yahn · Jul 24, 2026

A Era do Encantamento 😍

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Camila Yahn · Hit or Miss por Camila Yahn

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Radar da semana

😍 A era do encantamento

❤️‍🔥 Dior Couture

📺 The Shards

☕️ Couro feito de borra de café

🎤 Leonard Cohen

📝 Substack da Balen

🎵 Uma música do ❤️

Uma nova geração de peças, mais complexas e elaboradas, devolve à moda o prazer da descoberta, em camadas, detalhes e surpresas escondidas

Alta Costura Iris Van Herpen / Foto: site oficial

✨ Aproveitando a recente temporada de Alta Costura, trago um texto que escrevi especialmente pra Vogue Brasil

Com tantas trocas criativas recentes nas grandes maisons, um sinal de mudança parecia inevitável. Afinal, quando praticamente todas as principais casas de luxo do mundo se movimentam ao mesmo tempo, é porque há algo mais profundo em curso, ainda que nem sempre visível. Não se trata de uma questão pontual, mas de uma necessidade de transformação mais estrutural do segmento.

A gente viu, ao longo dos últimos anos, a moda sendo orientada por uma lógica única: performar bem no feed. Isso tirou o foco da roupa como objeto e a transformou em mídia - tendo no quiet luxury um dos melhores exemplos dessa lógica. A tendência de estética limpa e imediatamente reconhecível como elegante, estourou ao simplificar os códigos do luxo, tornando-os facilmente replicáveis, comercializados e instagramáveis.

Diante disso, era de se esperar que essa grande onda de trocas criativas apontasse um novo caminho e chegasse para aquecer um cenário até então mais morno e previsível.

Mas, de uma forma geral, o que vemos é uma continuidade mais cautelosa do que ousada, como se as últimas grandes transformações ainda estivessem ancoradas na década de 2010 - foi ali que a moda passou por mudanças de linguagem mais profundas, como o avanço do streetwear. De lá pra cá, a descentralização geográfica, inclusive do olhar, ampliou os centros de influência para além do eixo Europa–Estados Unidos, resultando em uma expansão de repertório cultural e visual para a moda.

As marcas podem querer e buscar mudanças, mas elas não querem o risco que acompanham esses movimentos. A troca de diretor criativo funciona, muitas vezes, como um paliativo para acalmar - ou animar - o mercado em tempos de crise e grandes transformações. Substituir esse profissional acaba sendo a forma mais visível de sinalizar mudança, mas a verdade é que ele entra, gera expectativa e cai se não entrega resultado rápido.

O tempo criativo foi totalmente comprimido porque as marcas estão respondendo a várias pressões ao mesmo tempo, da desaceleração de crescimento à mudança no comportamento do consumidor, passando por um questionamento de valor, especialmente no mercado de luxo.

Mas tem vezes que as mudanças são inevitáveis. Você pode correr dela, jogar debaixo do tapete, sentar em cima, mas ela vai encontrar o seu caminho. Em meio a esse cenário, algumas marcas começam a acender novos sinais, quase como um farol indicando outra direção possível.

Chanel Alta Costura

À frente deste novo movimento, Chanel e Dior apontam para uma moda menos preocupada com a imagem imediata e mais interessada na experiência íntima de quem veste.

Uma roupa que não se resolve na foto, mas no encontro. Um convite a uma experiência mais íntima, que não é revelada de imediato, mas através das descobertas que ela propõe.

Dois dos maiores talentos atuais, Matthieu Blazy e Jonathan Anderson, respectivamente diretores criativos da Chanel e da Dior, estão apostando em peças ultra elaboradas, onde o prazer de vestir vale mais do que mil likes. O que sentimos ao colocar uma roupa hoje? No nosso imediatismo, provavelmente pouco. Ou quase nada. O corpo quer sentir de novo. Textura, peso, forma, toque, olhar, surpresa. A ideia de uma experiência mais rica entre corpo e produto pode ser essa nova camada. “É uma roupa que precisa ser vista de perto e você vai descobrindo pequenos segredos aos poucos, cartas de amor bordadas”, diz Rita Lazzarotti, diretora de moda at large da Vogue. “São peças com informações muito especiais que, quem estiver olhando pela internet, naturalmente não conseguirá perceber”.

E esse pensamento da moda como um parque de diversões - os brinquedos sendo os bordados, botões, penduricalhos, camadas, mix de cores, tramas e texturas - resgatou, como Rita disse, o tesão da moda. “Fazia tempo que não sentia um frisson no ar. Estava muito pasteurizado e morno, mas agora parece que a alegria de fazer moda voltou. Vejo como um momento de otimismo”.

Detalhe look de alta costura da Dior

No mercado do luxo, essa roupa mais sensorial e especial também resolve um problema: melhora a percepção de valor. Após aumentos sucessivos nos preços, que colocaram em xeque o próprio valor percebido do luxo, inclusive entre os super ricos, peças mais elaboradas surgem como uma solução: ao contrário de itens mais reconhecíveis, como os monogramados, a força destas peças estão na construção, no processo e na experiência. Luxo não é mais apenas sobre preço, logo e status imediato, ele precisa justificar sua existência de outra forma. “A própria experiencia de ter uma roupa mais elaborada é uma espécie de exclusividade voltada especialmente para quem está vestindo”, diz João Braga, professor de história da moda da Faap.

Tanto a força quanto o ponto de fricção dessa nova lógica é que você não captura a peça logo na primeira olhada; você precisa estar ali, degustando aquela beleza. É um baita antídoto a este momento em que a moda segue previsível, legível e rápida. É a volta do belo, do inusitado e a celebração do trabalho manual.

Mas esta nova sofisticação sensorial, quase secreta, aumenta ainda mais um problema estrutural da moda de luxo: o pouco acesso.

Diferente do logotipo que democratiza a leitura, ou do quiet luxury, que democratizou um código visual, essa nova moda não é escalada com facilidade, nem facilmente reproduzível ou até mesmo reconhecível (por enquanto). Ela é mais restrita, complexa, intelectual. Essas roupas exigem tempo, técnica, pesquisa, material e mão de obra especializada, ou seja, ela custa (muito) mais.

E sabemos que, quanto mais a moda se afasta da imagem e se aproxima da experiência, mais ela se distancia do acesso.

Enxergo essa nova tendência (será que já podemos chamar assim?) também como um convite. Enquanto que, para a maior parte das marcas será impossível abraçar essa complexidade, talvez seja possível absorver o espírito. Introduzir pequenas surpresas e momentos de descoberta e encontrar um lugar mais inventivo para existir, olhando a roupa como um objeto poderoso, pode ser um caminho do meio.

Possivelmente, o valor dessa tendência nascente não esteja apenas em quem pode consumi-la, mas no que ela sinaliza: um convite para que a moda, em todos os níveis, volte a tratar a roupa como uma experiência em si, e não apenas como imagem. Nem tudo que importa pode ser visto de longe.

“Parte da realidade da moda é encontrar novas possibilidades de se diferenciar e se distanciar do que já está aí. Enquanto existir uma cabeça que pensa e um ser humano criativo, as novas respostas sempre virão”, finaliza Braga.

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Sei que estou atrasada nesse assunto. Eu sempre fui fã de carteirinha da Alta Costura, não porque eu posso comprar - não posso! - mas pelo absurdo laboratório criativo que ela se tornou. Há desfiles que impressionam pela técnica, outros, pelo espetáculo. Mas o mais recente da Dior, assinado por Jonathan Anderson, é mais um capítulo da sua trajetória impressionante na moda.

Foi, para mim, um dos desfiles mais bonitos da Dior dos últimos anos. É tão feminino, mas de uma forma inteligente, tendo o trabalho da artista Lynda Benglis como principal inspiração. Foi dela que saíram os vestidos metalizados, plissados e esculturais - vale olhar a obra de Lynda para entender como ele transforma referência em produto.

Alta Costura da Dior / Foto: Dior

A delicadeza nas peças de Anderson é quase contraditória: roupas monumentais, mas que são leves e se movimentam suavemente com o caminhar de quem tem o privilégio de usar. É técnica transformada em emoção.

A nova série de Ryan Murphy é uma adaptação do romance cult do escritor Bret Easton Ellis, The Shards, que acompanha um grupo de jovens da elite de Los Angeles em 1981, quando seu último ano do ensino médio é atravessado por festas, sexo, paranoia e a ameaça de um serial killer. A modelo Kaia Gerber (filha de Cindy Crawford) está no elenco, junto com Igby Rigney e Homer Gere (filho do Richard Gere).

Só para lembrar, Ryan Murphy é quem esteve por trás de sucessos como Glee, American Horror Story, Pose e Feud. É dele também a temporada de American Crime Story sobre o assassinato de Gianni Versace, e a série Monstros, sobre aos irmãos Menendez. Mais recentemente, Murphy levou às telas o romance de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette na minissérie Love Story, que recria o casal mais fotografado dos anos 1990 (eu amei e já falei aqui dela).

The Shards estreia dia 5 de agosto no Hulu/Disney.

A Insider lançou um material alternativo ao couro feito a partir da borra de café. Por enquanto, ele existe apenas como um conceito - a jaqueta apresentada pela marca funciona como uma prova, mas ainda sem previsão de produção em escala ou lançamento comercial.

Conheci a Insider na pandemia por conta das máscaras de tecido que ela fazia e, desde então, sigo acompanhando a evolução da marca. Segundo matéria na Exame, esse biocouro tem pelo menos 75% de composição vegetal, usa menos de dois litros de água por m2 (contra mais de 100 litros no curtimento tradicional) e apresentou potencial de biodegradação nos testes.

Muito legal saber dessas pesquisas. Nos últimos anos, a moda viu surgir uma nova geração de materiais produzidos a partir de micélio, algas, casca de maçã, folhas de abacaxi e agora borra de café. O desafio é conseguir produzir em escala a custo competitivo e com uma qualidade consistente. Espero que esse material da Insider veja a luz do dia ; )

Dez anos após sua morte, Leonard Cohen volta aos palcos, e de uma forma muito especial, com seu filho e neto cantando seus maiores clássicos.

A família do cantor anunciou recentemente a turnê oficial de Everybody Knows, série de shows em homenagem a Cohen, produzida por seus próprios familiares.

O show também reunirá fotos e filmes de arquivo com direção visual da Moment Factory, estúdio que trabalha com Madonna, Billie Eilish e Olivia Rodrigo.

A estreia acontece no Canadá, terra natal de Cohen, em novembro deste ano, e segue para a Europa no início de 2027. Acho que vai ser lindo ; )

Quem gosta de ler sobre moda, vale acompanhar o perfil da Balenciaga aqui no Substack. Eles têm feito uns conteúdos mais POV, com o próprio Paolo Piccioli escrevendo os textos, seus processos e sensações. Neste aqui, ele conta como foi desenvolver a mais recente coleção de alta costura da marca.

Everything You Lose Creates Space for Everything You Need.

Tudo o que você perde cria espaço para tudo o que você precisa.

Shyamankar Singhari

Stupid Song, Olivia Rodrigo

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Read the original on camilayahn.substack.com

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