Alguns anos atrás, quando eu ainda estava aprendendo a liderar meu primeiro time, almocei com Léo Bossan. Ele é uma referência para mim. Com o tempo, se tornou também meu mentor.
Nos encontramos em um bom restaurante argentino em São Paulo, daqueles com uma cozinha aberta ao fundo, onde dava para ver os cortes sendo preparados.
Não me lembro exatamente como, mas em algum momento, começamos a conversar sobre liderança.
Naquele dia, lembro que Léo me perguntou algo como: “você prefere ser líder ou um chefe?”
Olhei para ele e respondi com confiança: “Prefiro ser líder.”
Afinal, é aquela ideia que todo mundo já ouviu: o líder inspira, enquanto o chefe só dá ordens e cobra.
Mas aí veio a virada. Ele disse que ser líder não é o oposto de ser chefe. E, na verdade, todo líder de verdade também precisa ser chefe.
O chefe é aquela pessoa que organiza tarefas, cobra prazos e resultados, e garante que a operação continue rodando. Não existe empresa sem isso. O problema não é ser chefe, mas ser só isso.
Na hora eu fiquei meio pensativo.
Porque, até então, a tendência natural era associar liderança com o oposto de chefia.
Mas, se você leva essa ideia ao extremo, começa a perceber que um líder que só tenta inspirar e ganhar o coração, mas deixa de assumir o papel de chefe — como definir prazos e cobrar resultados — é incompleto.
Às vezes podemos cair na armadilha de achar que liderar é ser aquela pessoa boazinha, que quer ser aceito por todos, que evita confronto e se posiciona mais como amigo do que como responsável.
Desde aquela conversa, comecei a aplicar isso na prática, e a ideia foi fazendo cada vez mais sentido. Percebi que, quando existe equilíbrio entre uma liderança que conquista o respeito e o coração do time e, ao mesmo tempo, gerencia com clareza e exigência, o time começa a entregar muito mais.
E, nessa semana, tive uma conversa parecida com uma pessoa do meu time que está começando a liderar outras pessoas. E foi curioso perceber que aquilo que aprendi com o Léo, pratiquei ao longo do tempo, agora estava passando para frente, quase que da mesma forma.
Quando perguntei o que era liderar, a resposta veio muito na linha de conexão, proximidade e desenvolvimento. E isso está certo. É um bom começo, mas não é suficiente. O líder também precisa ser chefe, no sentido mais prático da palavra.
Com o tempo, fui simplificando liderança em três pilares:
Conectar → ganha o coração
Treinar → eleva o nível
Gerenciar (ser chefe) → garante resultado
Se você só gerencia, vira um chefe que ninguém quer seguir.
Se você só treina, vira suporte, como um consultor interno.
E se você só se conecta, vira alguém que todo mundo gosta, mas que não extrai o melhor das pessoas.
O segredo está no equilíbrio entre os três.
Virei para ela e perguntei: “você percebe o quanto eu te cobro?”
Ela ficou pensativa por alguns segundos, como quem não tinha essa percepção.
Mas, à medida que eu fui mostrando como essa cobrança aparecia no dia a dia, isso foi ficando muito claro para ela.
Porque, embora não seja algo pesado, a cobrança está o tempo inteiro.
Começa na Daily, nossa reunião com todo o time, onde olhamos os números da semana, revisamos o que foi feito no dia anterior e o que precisa ser feito para bater a meta.
Além disso, temos metas semanais e atualizações constantes ao longo do dia nos grupos de WhatsApp, onde ela me envia os resultados. E, quando estamos longe da meta, eu ligo para entender o que está acontecendo e o que pode ser feito de diferente.
Ou seja, existem prazos, metas, acompanhamento de números, ajustes, cobranças. Existe gestão.
Tudo isso cria uma estrutura que mantém o time focado no resultado e puxa o nível de performance.
“Realmente você me cobra muito, mas não sinto esse peso.”
Como existe conexão e desenvolvimento, a cobrança não é vista como algo negativo. Ela entende que é para o crescimento dela, porque eu sei que ela pode mais.
Em um momento, fizemos uma reflexão: “imagina se não tivesse isso. Sem metas, sem números, sem cobrança. Tudo solto. Será que teríamos evoluído tanto nos últimos 2 anos?”
A resposta veio sem hesitar: “não.”
E é aí que a diferença aparece.
Quando só existe cobrança, vira pressão.
Quando só existe conexão, vira conforto.
Mas quando existe conexão, treinamento e cobrança juntos, vira desenvolvimento.
Como já ouvi o Joel Jota falar várias vezes: cobrança é uma medida de confiança. O líder só cobra de quem sabe que pode mais. Do contrário, nem cobraria.
No começo, eu achava que precisava escolher entre ser líder ou chefe. Hoje vejo que essa escolha nunca existiu. E, naquela conversa, isso também ficou claro para ela.
No fim, quando você realmente se interessa pelos sonhos dos seus colaboradores, se conecta e, ao mesmo tempo, também assume o papel de chefe, essa combinação se torna poderosa para o desenvolvimento de todos.
Ser “líder” sem ser “chefe” é incompleto. Ser “chefe” sem ser “líder” é insustentável.
E você, está equilibrando ser “chefe” e “líder” ou está sempre indo mais para um lado?
Um forte abraço e até a próxima semana,
Brenno Augusto.

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