Por: Aline Gomes
Um drink pra afogar a tristeza, um chope pra comemorar, uma taça de vinho pra sextar, uma cervejinha pra acompanhar o happy hour… No dia a dia, o álcool aparece tão naturalmente nos nossos momentos de lazer que, quando a gente percebe, ele virou quase um companheiro oficial da rotina. Mas quando beber deixa de ser só uma escolha e passa a ser uma resposta automática para lidar com a felicidade, a tristeza, o estresse ou a ansiedade?
Não tem jeito, o álcool faz mal à saúde!
No curto prazo pode prejudicar a atenção, a memória, o julgamento e a coordenação motora, aumentando também o risco de acidentes e lesões. Mas o problema não termina quando a ressaca passa. O consumo excessivo está associado a uma série de problemas de saúde, incluindo doenças do fígado, como esteatose, hepatite e cirrose, além de doenças cardiovasculares e transtornos relacionados ao uso de álcool.
E os cientistas têm alertado cada vez com mais frequência sobre os riscos associados à ingestão do álcool mesmo em doses pequenas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há quantidade ou forma segura de beber álcool sem afetar a saúde em algum nível.
O álcool também está relacionado a mais de 200 doenças
Isso inclui enfermidades hepáticas, cardiovasculares, diversos tipos de câncer e danos ao cérebro. Um estudo publicado em 2021 pela Universidade de Oxford, com 25 mil pessoas, mostrou que qualquer quantidade da substância pode afetar a nossa massa cinzenta, parte do órgão associada à memória, ao raciocínio e outras funções cognitivas e motoras.
No Brasil, os dados do Ministério da Saúde mostram que 20,4% da população adulta, com 18 anos ou mais, consumiu seis ou mais doses de álcool em uma única ocasião, o que caracteriza consumo abusivo. Segundo a Vigitel 2025, esse comportamento vem crescendo ao longo dos últimos anos, mostrando que o consumo excessivo de álcool ganhou espaço na rotina de uma parcela cada vez maior da população.
Chama atenção também o aumento entre adultos de 35 a 44 anos, grupo em que o consumo abusivo passou de 17,4% para 26,3% ao longo da série histórica. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda mais expressivo: o índice praticamente dobrou, saindo de 7,8% em 2006 para 15,2% agora.
Na Atenção Primária à Saúde, que reúne serviços como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), os atendimentos por problemas e condições relacionados ao uso de álcool aumentaram mais de 157% na última década.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde também aposta na prevenção e autocuidado. Por meio do aplicativo Meu SUS Digital, a população pode acessar o Modera Brasil, uma ferramenta que tem como objetivo promover o consumo mais consciente e entender melhor a própria relação com o álcool.
E não é à toa que estamos te contando tudo isso por aqui, já que a Bonita de Pele foi convidada pra estar lá no lançamento e tirar todas as dúvidas diretamente com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O miniapp permite fazer uma avaliação do padrão de consumo e, a partir das respostas, receber orientações personalizadas para reduzir riscos, além de informações sobre autocuidado e sobre quando e onde buscar atendimento pelo SUS.
A ideia é ajudar as pessoas a perceber mais cedo quando a relação com o álcool pode estar começando a trazer problemas. Pra isso, a ferramenta faz uma triagem rápida, baseada em questionários já validados, e, a partir das suas respostas, mostra informações e dicas pra reduzir riscos. E se o resultado do teste acender algum sinal de alerta, o app também indica quando vale procurar ajuda na rede pública de saúde.
“As chamadas intervenções breves mostram que ajudar as pessoas a entender melhor a própria relação com o álcool pode ter um impacto positivo na qualidade de vida. O Modera Brasil nasceu a partir de uma experiência desenvolvida e testada na cidade de São Paulo, em parceria com a Universidade de São Paulo, dentro da realidade do SUS. Agora, essa iniciativa poderá chegar a pessoas de todo o Brasil”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Pra usar é bem fácil. No app Meu SUS Digital, basta procurar o Modera Brasil. Ao entrar na ferramenta, você responde ao AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test), um questionário desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pra identificar padrões de consumo de álcool que podem representar risco.
Claro que fizemos o teste, né?
São perguntas simples como “com que frequência você deixou de cumprir algum compromisso por causa da bebida?”. As respostas geram uma pontuação que ajuda a identificar o nível de risco. Além da avaliação inicial, o miniapp reúne ferramentas interativas, conteúdos e também dá pra descobrir quanto você gasta por ano com bebidas. Ficamos cho-ca-das com o resultado!
A zona de risco da redação foi “moderada” e já estamos atentas por aqui!
🟢 Risco baixo: um sinal positivo, mas vale lembrar que não existe consumo de álcool totalmente isento de riscos.
🟠 Risco moderado: um sinal de alerta de que seus hábitos podem estar trazendo riscos à saúde e merecem atenção.
🔴 Uso problemático: indica que o consumo pode já estar causando impactos na sua saúde e na sua vida. Nesse caso, vale buscar orientação e apoio.
Pra quem sente que o álcool está começando a trazer problemas, a UBS pode ser o primeiro passo para buscar ajuda no SUS. A equipe pode orientar sobre formas de reduzir ou interromper o consumo, acompanhar possíveis impactos do álcool na saúde e, quando necessário, encaminhar para serviços especializados, como os CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD), que oferecem acompanhamento multiprofissional e cuidado contínuo. E tem um detalhe importante: os CAPS funcionam de portas abertas, então também é possível procurar diretamente o serviço da sua região para um primeiro acolhimento.
SUS, conte sempre com a gente para divulgar novidades e políticas públicas que sejam acessíveis a todos! <3

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