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Boletim Tatuí · Jul 28, 2026

Terapia Literária | AGOSTO

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Boletim Tatuí · Boletim Tatuí

O Terapia Literária é um encontro semanal virtual de discussão a respeito de uma narrativa curta, seja de autoria contemporânea ou clássica. Quem conduz a conversa e faz a curadoria é Maria Paula Coelho, médica por profissão, restauradora de livros por hobby e bibliófila por paixão. Os encontros acontecem sempre às terças-feiras, a partir das 19h.

Para o mês de agosto, o tema do Terapia Literária é Luto: a quem confiar a tristeza?

4/8: A aventura de um fotógrafo, de Italo Calvino (Cuba, 1923 - 1985) Encontro presencial especial na Livraria Gráfica. Mais detalhes sobre Uma noite com Calvino aqui.

11/8: No cemitério onde Al Jonson está enterrado, de Amy Hempel (Estados Unidos, 1951)
Conto publicado no livro Collected Stories. Tradução realizada por Maria Paula Coelho para o Terapia Literária.

18/8: Os dragões não conhecem o paraíso, de Caio Fernando Abreu (Brasil, 1948 - 1996)
Conto-título do livro Os dragões não conhecem o paraíso (Companhia das Letras). Prêmio Jabuti de 1988.

Para a curadora, os dois últimos contos do mês são sobre o luto, uma experiência única para cada um de nós, nos preenche e nos esvazia, em muitos momentos nos emudece, nos congela, quando, no tempo certo, a palavra tenta nos devolver o sentido.

Em muitas ocasiões a dor nos cega, nos enlouquece, somos transportados para realidades fantasiosas, que nos acolhem; em outras, a brutalidade cotidiana nos obriga a seguir. O tempo real não para, ainda que nosso relógio interno tenha quebrado. Afinal, a quem confiar a tristeza?

Em No cemitério onde Al Jolson está enterrado, foge-se da dor desesperadamente. A narradora enche o quarto de hospital de trivialidades, histórias de bichos, de lembranças bobas, qualquer coisa que não seja a coisa em si. Quando a conversa toca o luto, ela vem deslocada, distante, travestida na dor de uma chimpanzé, que parece ser quem, de fato, a única a conseguir traduzir sua dor.

No terceiro conto do mês, Os dragões não conhecem o paraíso, a perda nem é nomeada: vira dragão, vira cheiro de hortelã e alecrim, alegorizou-se. E ao longo do conto acompanhamos uma história que um dragão que nunca foi domado, mas que passa a ser entendido quando já não está.

A saudade, presença constante, trabalha furtiva em nós, cuidando silenciosamente do nosso jardim de memórias, e começamos a perceber que cheiros despertam sorrisos tímidos, que músicas nos põem a dançar sozinhos, e ouvimos risadas em segundos de muita sorte. A ausência passa a fazer companhia, par do amor.

- Maria Paula Coelho


No Terapia Literária, os contos são cuidadosamente garimpados e servem de ponto de partida para
discussões que trazem mais perguntas do que respostas. Quer fazer parte? Inscreva-se aqui.

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Read the original on boletimtatui.substack.com

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