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Caminhando Juntos · Jul 28, 2026

Jesus foi interrompido

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Alguns dos momentos mais importantes da sua vida aconteceram quando ele estava a caminho de outro lugar.

“Enquanto Jesus ia, a multidão o comprimia.”

- Lucas 8:42

Jesus estava a caminho da casa de Jairo. A filha dele estava morrendo. A urgência era real. Cada segundo contava.

E no meio do caminho, alguém tocou nele.

Uma mulher que sangrava há doze anos. Que já tinha gasto tudo o que tinha com médicos. Que já não tinha mais nada a perder. Ela não marcou reunião, não pediu licença. Tocou na borda do manto dele no meio da multidão.

E Jesus parou.

Com uma menina morrendo, ele parou. Olhou para trás e perguntou: “Quem tocou em mim?” (Lucas 8:45). Os discípulos acharam a pergunta absurda porque havia gente por todos os lados. Mas Jesus não estava falando de toque físico, estava falando de fé desesperada.

E ele ficou ali. Conversou com ela. Chamou-a de “filha.” Curou-a. Não com pressa. Com presença.

Enquanto isso, a filha de Jairo morreu.

O Deus que para

Se eu estivesse no lugar de Jairo, estaria furioso. “Tu paraste? A minha filha estava morrendo e tu paraste para conversar?” Humanamente, faz todo o sentido.

Mas Jesus não opera com a nossa lógica de urgência. Ele sabia o que ia fazer na casa de Jairo. Sabia que a morte não era o fim daquela história. E sabia que aquela mulher, ali naquele momento, precisava de mais do que cura física. Precisava de ser vista.

E isso muda a forma como olhamos para as interrupções.

Porque essa não foi a única vez. Jesus estava sempre sendo interrompido. Bartimeu gritou do meio da estrada quando Jesus passava por Jericó e Jesus parou (Marcos 10:49). Zaqueu subiu a uma árvore só para ver e Jesus parou, olhou para cima e se convidou para jantar (Lucas 19:5). Quatro homens abriram um buraco no telhado para descer um paralítico e Jesus parou a pregação e curou o homem (Marcos 2:4-5).

Os milagres mais conhecidos de Jesus aconteceram quando ele estava a caminho de outro lugar e foi interrompido.

E nós?

Nós vivemos correndo. De tarefa em tarefa, de reunião em reunião, de notificação em notificação. Temos planos. Temos listas. Temos urgências. E quando alguém nos interrompe, a nossa primeira reação é quase sempre a mesma: irritação.

Mas e se algumas das coisas mais importantes que Deus quer fazer através de nós acontecerem nas interrupções?

Não estou dizendo que todo telefonema inconveniente é da parte de Deus. Mas estou dizendo que Jesus nos mostrou um padrão. Ele nunca tratou as pessoas como obstáculos ao seu plano. As pessoas eram o plano.

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A interrupção que encheu meu coração

Há uns meses, eu e o meu filho Daniel saímos de casa para pegar as irmãs dele no treino de vôlei. A Anna pediu para comprar umas coisas no supermercado, já que íamos sair. Entramos. O lugar estava cheio. Eu detesto filas. São um teste para a minha paciência. Mas finalmente conseguimos sair.

Na saída, alguém sentado no chão olhou nos nossos olhos e pediu dinheiro. Eu não tinha nada para dar. Olhei para a lanchonete ao lado. “Posso comprar um lanche para você.” Ele respondeu: “Mas ali vai ser mais caro para você e eu vou comer menos. Dá para ir no supermercado?”

Suspirei. Olhei para o relógio. Olhei para as filas enormes. E disse sim. Estava quase na hora de pegar as minhas filhas. Aquela interrupção estava me irritando. Peguei pães, presunto, água, fruta. Enfrentei as filas de novo. E saí de novo.

Mas nesse momento eu já estava mais calmo. Desacelerei. Parei. Entreguei as coisas. E nós os três conversamos. Descobri o nome dele: Alessandro. Ouvi os seus desafios. Oramos juntos. Depois corri para pegar as meninas. Chegamos a tempo.

Nas semanas seguintes continuei orando pelo Alessandro, pensando se poderia ter feito algo mais por ele. Dias depois, num evento em que participavam várias igrejas, o Alessandro estava lá. Sentado. Eu não conseguia acreditar. Descobri que uma das igrejas presentes tinha acompanhado o Alessandro no passado e recentemente o tinham reencontrado. Ele foi batizado nesse mesmo fim de semana. Meu coração ficou cheio.

Eu quase não parei. Quase disse “não tenho tempo.” Quase tratei aquela pessoa como um obstáculo entre mim e a próxima tarefa. Mas Deus estava trabalhando naquela interrupção. Como sempre esteve.

A mulher com hemorragia não estava no itinerário de Jesus naquele dia. Bartimeu não tinha hora marcada. Zaqueu não tinha convite. O Alessandro não estava nos meus planos. Mas Deus parou por cada um deles. E quando nós paramos também, vemos o que Ele está fazendo.

E talvez a pergunta que este texto nos faz não é “como posso ser mais produtivo?” Mas sim: “para quem eu preciso parar hoje?”

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Prática da semana

Esta semana, preste atenção às interrupções. Aquele colega que te puxa para conversar. O filho que te chama quando você está concentrado. O amigo que liga sem avisar.

Em vez de reagir com impaciência, faça uma pausa interior e pergunte: “Deus, há algo aqui para mim?”

Nem toda interrupção é divina. Mas talvez mais delas sejam do que imaginamos.

Oração

Senhor, perdoa a minha pressa. Perdoa as vezes em que tratei pessoas como obstáculos em vez de vê-las como Tu as vês.

Dá-me olhos para reconhecer quando Tu estás falando através de uma interrupção. E dá-me coragem para parar, mesmo quando tudo em mim quer continuar correndo.

Tu paraste por mim. Ensina-me a parar pelos outros.

Em nome de Jesus. Amém.

Para caminharmos juntos

Já aconteceu com você: uma interrupção que no momento pareceu inconveniente mas que acabou sendo o que você (ou outra pessoa) precisava?

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