“E este é o amor: que andemos em obediência aos seus mandamentos. Como vocês já têm ouvido desde o princípio, o mandamento é este: que vocês andem em amor.”
- 2 João 1:6
Todas as noites, antes dos meus filhos dormirem, eu oro por eles.
No outro dia, a minha filha mais velha começou a falar no meio da minha oração. Acontece de vez em quando. Ela estava distraída, e entusiasmada com alguma coisa e nem tinha percebido que eu tinha começado a orar por ela.
Eu fiquei triste. Ela não estava prestando atenção. Meu primeiro pensamento foi: “para quê orar se ela não está nem aí?”
Eu parei minha oração. Ela percebeu que eu estava abatido. E pediu: “pai, ora por mim, por favor”.
Normalmente minha oração não é longa. Não é elaborada. Muitas vezes as palavras são quase as mesmas. Peço proteção, peço sabedoria, peço que eles conheçam Jesus de verdade. Coloco a mão na cabeça deles, digo amém, dou um beijo.
E tem noites em que esse momento é lindo. Sinto a presença de Deus no quarto. Saio de lá grato, cheio.
Mas tem noites em que é seco. Automático. Eu estou cansado, eles estão agitados, e a oração sai quase mecânica. Nessas noites, se eu fosse honesto, diria que parece mais obrigação do que outra coisa.
E por muito tempo, isso me incomodava. Eu achava que se não sentia nada, talvez não estivesse sendo real. Que amor de verdade deveria ser sempre quente, sempre emocionante, sempre sentido.
Mas o Caminho de Jesus me mostrou algo diferente. Ontem, quando li esse versículo de 2 João, Deus falou comigo. Aqui está o segredo que mudou a minha forma de entender o que é seguir Jesus.
O apóstolo escreve: “Este é o amor: que andemos em obediência aos seus mandamentos.” E logo em seguida: “O mandamento é este: que vocês andem em amor.”
Leu com atenção?
Amor é obedecer. O mandamento é amar. Amar é obedecer. Obedecer é amar.
É um círculo. Um loop que não tem início nem fim. E isso é de propósito.
Porque Deus não separa o que sentimos do que fazemos. Ele não diz “primeiro sinta amor, depois obedeça.” Nem diz “obedeça sem amor, só por dever.” Ele coloca as duas coisas dentro uma da outra. Como se fossem a mesma respiração.
E “desde o princípio” (João faz questão de dizer) já era assim. Não é novidade. Não é uma regra extra. É o chão de tudo.
Eu penso naquelas noites em que oro pelos meus filhos sem sentir nada de especial. E agora vejo diferente. Aquela oração seca, repetida, quase mecânica, não é falta de amor. É amor em forma de obediência. É o amor que aparece mesmo quando a emoção não aparece, mesmo quando estou exausto e na verdade só quero descansar um pouco.
É o amor que decide voltar ao quarto, colocar a mão na cabeça e dizer as mesmas palavras outra vez.
E sabe o que é bonito? Meus filhos não sabem a diferença. Para eles, a oração de uma noite inspirada e a oração de uma noite seca são a mesma coisa: meu pai orou por mim. Meu pai me ama.
Talvez Deus veja da mesma forma.
Talvez a obediência sem emoção não seja menos amor. Talvez seja o amor mais maduro que existe. O amor que caminha. Que anda. Que volta. Que repete. Que não depende de como se sente para fazer o que é certo.
Andar em amor não é um sentimento permanente. É um passo de cada vez. E cada passo de obediência é amor. E cada gesto de amor é obediência. E o loop continua. Desde o princípio. Até hoje. Na sua vida. Na minha.
Na oração seca de uma terça-feira à noite com três crianças cansadas.
Até aí.
Escolha um gesto simples de amor que você já faz, mas que às vezes parece mecânico: uma oração, um abraço, uma mensagem, um serviço.
Esta semana, faça-o de propósito. Mesmo nos dias em que não sentir nada. E antes de fazer, sussurre para si mesmo: “Isto também é amor.”
Senhor, obrigado porque o amor que Tu pedes não depende do que eu sinto, mas do que eu escolho fazer.
Ensina-me a amar com os pés, com as mãos, com a repetição fiel dos gestos pequenos.
E quando a obediência parecer seca, lembra-me de que o amor mais forte é o que caminha mesmo sem aplausos.
Porque esse é o teu Caminho, Jesus.
Amém.
Qual é o gesto de amor que você repete mesmo nos dias em que não sente nada?

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