Ontem alguém me fez uma pergunta simples: “Por que você se mudou para a Itália? A vida não era boa em Portugal?”
É o tipo de pergunta que parece prática. Logística. Mas quando ela chegou, eu hesitei. Não porque não soubesse a resposta, mas porque a resposta verdadeira é o tipo de coisa que nem todo mundo vai entender.
A verdade é que eu senti Deus me chamando para amar as pessoas da Itália. Não ouvi uma voz. Não tive uma visão. Mas houve uma clareza interior que eu não conseguia ignorar. Sabia que tinha que obedecer, mesmo sem ter todas as respostas.
E eu disse isso. Porque é a verdade.
Mas a pergunta ficou comigo. Não pela resposta que dei, mas pelo que ela mexeu dentro de mim. Uma pergunta simples me levou a um lugar mais fundo do que quem perguntou imaginava.
E eu acho que Deus faz isso o tempo todo.
“Onde estás?”
A primeira coisa que Deus diz à humanidade depois que tudo deu errado não é uma bronca. Não é uma ordem. Não é um “eu avisei.”
É uma pergunta.
“O Senhor Deus chamou o homem: Onde estás?”
- Gênesis 3:9
Deus sabia a resposta. Ele sabia exatamente onde Adão estava, por que estava escondido e o que tinha feito. A pergunta não era para Deus. Era para Adão. Para que ele parasse, olhasse para si mesmo, usasse sua conscicência, e reconhecesse onde tinha ido parar.
E esse padrão se repete pela Bíblia inteira.
Deus pergunta a Caim: “Onde está o teu irmão?” (Gênesis 4:9). Ele sabia. Mas queria que Caim dissesse.
Deus pergunta a Elias, escondido numa caverna: “O que você está fazendo aqui?” (1 Reis 19:9). Duas vezes. A mesma pergunta. Porque Elias precisava ouvir a si mesmo responder.
E Jesus continua esse padrão. Aos primeiros discípulos que o seguem, ele não diz “venham, eu vou explicar tudo.” Ele pergunta: “O que vocês estão procurando?” (João 1:38). Aos doze, depois que muitos vão embora: “Vocês também querem ir?” (João 6:67). A Pedro, depois da ressurreição, três vezes: “Você me ama?” (João 21:17).
Jesus sabia as respostas. Mas queria que eles as dissessem em voz alta.
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Por que Deus pergunta
Deus não pergunta porque tem dúvida. Pergunta porque quer o melhor para nós e quer nos ajudar a ver isso.
Ele não invade. Não força. Não arranca confissões. Ele abre espaço para que a gente olhe para dentro e responda com honestidade. Mesmo quando a resposta é difícil. Mesmo quando a gente hesita antes de falar, como eu hesitei ontem.
Uma boa pergunta faz mais do que um sermão inteiro. Ela não te diz o que pensar. Te leva a pensar. E quando você chega à resposta sozinho, ela é sua de verdade.
Talvez Deus esteja te fazendo uma pergunta agora mesmo. Não com voz audível. Mas através de uma situação, de uma inquietação, de algo que não te sai da cabeça. Uma dessas perguntas simples que parecem práticas mas te levam a um lugar mais fundo do que você esperava.
Onde estás? O que você está procurando? Você me ama?
Ele já sabe a resposta. Mas quer ouvir você dizer.
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Prática da semana
Escolha uma dessas três perguntas de Deus — a que mais te toca hoje:
“Onde estás?”
“O que você está procurando?”
“Você me ama?”
Sente-se em silêncio por alguns minutos e responda a Deus com honestidade. Sem filtrar, sem montar a resposta certa. Apenas diga a verdade, como ela é.
Oração
Senhor, obrigado porque Tu não chegas com ordens, chegas com perguntas.
Obrigado porque me respeitas o suficiente para esperar que eu responda.
Dá-me coragem para ser honesto contigo, mesmo quando a resposta me assusta, mesmo quando hesito antes de falar.
Tu já sabes. Mas queres ouvir de mim. Então aqui estou.
Amém.
Para caminharmos juntos
Qual dessas perguntas mais mexeu com você hoje: “Onde estás?”, “O que você está procurando?” ou “Você me ama?”

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