A primeira edição de Bia de Fato, minha newsletter renascida e renomeada, aquela que nunca morreu, de fato!, que vai acontecer quando tiver que acontecer. Prometo só escrever quando tiver algo para falar. De conteúdo raso, as redes sociais já estão lotadas.
Se você já era inscrito, não se assuste e fique por aqui. Eu sei, eu sei. Faz um bilhão de anos desde a última vez que nos falamos. Você vai entender o porquê abaixo:
Não é porque tirei férias da escrita que não sou mais escritora
Demorei a entender isso.
Demorei a entender que, quando me permito descansar e recuperar meu corpo; quando a inspiração vem ao meu encontro e fico encantada com algo; quando deixo uma ideia fomentar antes de sair apressada dando vida a ela meio torta; quando consumo algo que me transforma de dentro para fora; quando, enfim, crio — cada uma dessas etapas faz parte do processo de criar; faz parte de ser escritora.
Condicionada a fazer e fazer sem parar, sem pausa ou descanso, durante muito tempo, acreditei na ideia de que só era escritora quando estava, de fato, escrevendo.
A escrita não acontece somente no ato. É antes também. Principalmente, eu diria. Sempre precisei deixar uma ideia maturar antes de começar a criar, isso é, preciso de tempo para trazer uma ideia (imaterial) para este mundo (material).
Sei que tem por aí, milhares de métodos de escrita – com certeza, melhores que a minha, mais eficientes no quesito de produção. Mas, eu não estou aqui, nessa vida, escolhendo ser escritora num Brasil que mal lê, para ser a rainha da produção. Para o bem ou para o mal, sou humana demais para um mundo que exige produção desenfreada, do tipo que arranca da terra até o último nutriente e a torna infértil. Não farei isso comigo, não mais.
Uns anos atrás, no meu último lançamento oficial, de Como Laços São Feitos, tive um burnoutinho – carinhosamente apelidado para aliviar a coisa. Identifiquei logo e me cuidei – eu jurei que nunca mais faria aquilo comigo de novo. E não fiz.
Fiquei um tempo fora da bolha escritora, das redes sociais também. Fiquei rearranjando meu mundo interno, organizando prioridades e desejos, identificando medos e tentando exorcizar a maioria deles.
Decidi que não quero mais viver pela régua da sobrevivência ou escassez, a mesma que grita a ordem do mercado editorial: “Se não fizer um livro no estilo x não vende” ou “Se não lançar um livro por ano pelo menos, será esquecida para todo o sempre”. Se esse é meu destino, assim seja então! Assino meu atestado de óbito artístico e o online de uma só vez. Porque se o mercado ao qual faço parte se comporta dessa forma, as redes sociais que é o mercado de todos, tem também sua agenda. As redes sociais exigem presença 24/7, conteúdos infinitos como as timelines, o raso virou modus operandis, enquanto a cópia é trend.
Se me recusar a ser escrava de um algoritmo nojento criado com único intuito de me viciar e condicionar meu comportamento ao que executivos querem significa a morte no digital... então, pode me enterrar, meu bem, porque a lenda morreu.
Morri e passo bem. Agora sou deusa. Deusa da minha própria vontade, das minhas escolhas, do meu tempo e do que faço.
Dito isso, comecei essa newsletter porque era uma vontade antiga, mas que por diversos motivos – todos auto sabotadores – eu não havia começado antes.
Não vai ter agenda, não vou marcar no calendário de que toda quarta-feira de lua cheia em virgem vai ter newsletter... pelo amor da deusa, não! Vai ter quando eu tiver algo para falar. Cansei de me fingir de rasa para me encaixar.
A vida tem dessas... mortes e recomeços! Vem aí: Eterna 2.0!
Foi em uma tarde de verão quente para cacete em uma livraria independente, que eu e uma querida que até então só conversávamos pelo chat do Instagram (nem sempre a internet é uma vilã!!!), ficamos batendo papo até percebermos que Eterna seria perfeita para o perfil da editora.
A troca continuou por semanas e batemos o martelo. Acordo fechado. Eterna verá a luz do sol pela segunda vez em vida, tal qual um dos protagonistas que retorna à vida para cumprir assuntos que eram para ter sido feitos, mas não foram. Destino interrompido. Um amor atravessado pela tragédia, mas que ultrapassa as barreiras do tempo e da morte.
Sério, eu amo essa história. Eterna é uma história corajosa, fora da curva, que na época que veio ao mundo, este ainda não estava exatamente preparado para ela. Hoje em dia, até novos sub-gêneros da Fantasia (já tão marginalizada pelos eruditos) ganhou mais categorias: Romantasia e Monster Romance (ambas bem em alta atualmente).
Eu não gosto muito de me colocar em caixinhas, mas para comunicar ao outro é preciso. Então, colocando etiquetas nessa obra, digo que Eterna é uma fantasia sombria e urbana com romance sobrenatural (aka Monster Romance). A protagonista, uma cientista em busca de um antídoto para a morte, acaba sem querer fazendo um trato com uma entidade nefasta e traz de volta à vida, um músico assassinado. Ele, enquanto morto-vivo precisará entender as condições que o trouxeram de voltar e cumprir com seu destino. É um romance de star-crossed lovers (amantes desafortunados, tradução literal).
Comecei a escrever esse livro em 2011! Parece uma vida já. E foi mesmo. Eu tinha vários sonhos, muita vontade e coragem. Vivi coisas bacanas por conta desse livro, não nego. Mas, os tombos e rasteiras também vieram, claro. Definitivamente, não sou mais aquela menina. Várias pequenas mortes e renascimentos ocorreram de lá para cá. Hoje, com muito mais bagagem tanto de vida, quanto literária, pretendo honrar aquela menina e a nossa história durante a revisão, reescrita e reedição deste livro.
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