A nova cena de Goiás se concentra na capital Goiânia e é formada por ao menos 83 bandas e artistas solo com som autoral, que tocam em 49 casas de shows espalhadas por várias cidades do estado.
Assim como aconteceu em SP, Aracaju e Rio, este é o começo da conversa. A pesquisa foi feita pela Fernanda Meireles, que conhece e trabalha na cena de Goiás há 15 anos. As ilustrações foram feitas pela Isabella Pontes.
👉 [Baixe aqui o mapa ilustrado]
👉 [Google Maps com todas as casas de shows mapeadas]
👉 [Lista com todas as bandas de Goiás com até 5 anos de atividade]
A planilha tem abas por estado. Por enquanto só temos São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Goiás preenchidos. Abaixo há uma playlist com músicas das bandas.
Mesmo vivendo e estudando a cena musical autoral de Goiânia/Goiás há pelo menos 15 anos, realizar este levantamento para o Mapa foi uma experiência surpreendente. Eu já sabia que a quantidade de bandas ativas seria grande. O cenário goiano é riquíssimo, com bandas, festivais e produtoras em constante movimento. Mas… quem é essa gente toda aqui?!!
Quando conversei com o Bazzan sobre expandir a iniciativa dele para Goiás e lancei um formulário para bandas e casas de shows, o movimento foi muito maior do que eu esperava. Vieram muitos cadastros, compartilhamentos e uma expectativa real tanto das bandas (ansiosas por visibilidade) quanto dos produtores (curiosos para descobrir novos nomes e renovar seus eventos).
Ainda na faculdade de jornalismo, encontrei meu nicho exatamente assim: estudando as alternativas musicais da capital e região metropolitana. Fiz documentários sobre a cena independente (rock, pop, rap e samba) e, no TCC, explorei a “Goiânia Rock City” pelos olhos de bandas goianas que estavam se destacando mundialmente como os Boogarins, além de festivais e produtores que movimentam essa história.
Goiânia é uma cidade relativamente nova, mas com uma cena musical madura, que já passou por várias fases - do punk ao stoner, do indie ao metalcore - com vários momentos em que bandas romperam a bolha e alcançaram o mainstream. O rock vindo da “terra do sertanejo” (odeio essa nomenclatura generalista) ainda causa estranhamento, mas sempre surpreende quem se abre para o que é produzido aqui.
O que me motivou a colaborar com o mapeamento foi perceber que, há algum tempo, a cena parecia um pouco repetitiva: as mesmas bandas, festivais, line-ups e público. Eu amo essa galera (inclusive faço parte dela), mas sabia que existiam muitas bandas novas que, especialmente após a pausa da pandemia, ainda não tinham espaço ou reconhecimento.
Comecei com o levantamento no formulário, mas fui além: analisei line-ups recentes, investiguei portais de notícias, explorei redes sociais de bandas e casas de shows e mergulhei no trabalho de produtoras independentes. Basicamente, virei uma stalker musical nos últimos meses… e deu trabalho, viu?!
O levantamento confirmou o que eu imaginava: tem muita gente boa esperando para ser descoberta. Mas também mostrou que eu conhecia só metade do iceberg. Descobri uma cena inteira acontecendo, inclusive eventos de metal extremo em espaços que eu nem sabia que existiam, além de bandas criando seus próprios eventos e comunidades. Tem som novo para todos os gostos, até para o “tiozão” que ouve as mesmas bandas há décadas.
Sobre as casas de shows, confirmei algo já perceptível: muitos espaços ainda priorizam covers, mas aos poucos vêm abrindo espaço para o som autoral. Torço para que essa abertura continue e valorizo quem já faz esse trabalho.
O levantamento oficial, em parceria com o Bazzan, traz um recorte de bandas de 2021 em diante. Também estou disponibilizando uma lista expandida, incluindo mais artistas do período pandêmico (2019-2020), além de abrir espaço para bandas consolidadas, produtores e agentes culturais da cena.
ACESSE A VERSÃO EXPANDIDA AQUI!
O mapeamento em Goiás continua! Ainda existem muitos espaços, bandas e artistas, tanto na capital quanto no interior, esperando para serem descobertos. Esse é um movimento contínuo, colaborativo e eu conto com vocês!
Bandas novas: continuem se inscrevendo no formulário e divulgando seus trabalhos e dos amigos de vocês (nas mídias, nos rolês, em todo e qualquer canto - quem não é visto não é lembrado).
Bandas “antigas” (e bandas cover também - vou expandir ainda mais o formulário para ter realmente uma ideia de toda a classe de artistas que temos por aqui): o questionário agora também é para vocês, para conseguirmos mapear e registrar tudo que vem rolando aqui na cidade há décadas.
Produtores: usem a planilha, conheçam novos nomes e misturem gerações nos line-ups. O público já está mudando e é visível a chegada de gente nova descobrindo o rock e a música independente. Bora abrir espaço para o novo também!
Assine O Podcast da Música aqui, e ouça a edição especial sobre a cena de Goiás:

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