A nova cena de Recife é formada por ao menos 50 bandas e artistas solo de música autoral, que se apresentam em 18 casas de shows espalhadas pela capital e por outras cidades de Pernambuco.
Assim como aconteceu em SP, Aracaju, Rio, Goiânia, Fortaleza e Florianópolis, este é o começo da conversa. A pesquisa foi feita por Mi Seixas, da banda LEELEE. As ilustrações são da Isabella Pontes.
O projeto já mapeou 771 artistas e 275 casas de shows em sete estados.
👉 [Baixe aqui o mapa ilustrado]
👉 [Google Maps com todas as casas de shows mapeadas]
👉 [Lista com todas as bandas de Recife com até 5 anos de atividade]
A planilha tem abas por estado. São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro, Goiás, Ceará, Santa Catarina e Pernambuco estão preenchidos.
A playlist Mapa da Cena Brasil é atualizada toda segunda-feira com novidades da música independente brasileira. Já são 615 seguidores. A cada novo mapa publicado, ela ganha destaque para artistas da pesquisa. Nesta semana, quem ocupa a playlist é a cena de Recife.
Cada cidade mapeada também terá uma playlist própria, atualizada apenas com artistas que não estavam no nosso radar no momento da publicação. Aqui está a de Recife.
A partir daqui, quem conta a história deste mapeamento é Mi Seixas, responsável pela pesquisa em Pernambuco.
Pernambuco: um primeiro retrato da cena autoral independente contemporânea
Pernambuco sempre ocupou um lugar de destaque na história da música brasileira e, para mim, seria impensável que um levantamento sobre a cena autoral não contemplasse o nosso estado. Quando tive conhecimento do mapeamento iniciado por Alexandre Bazzan em São Paulo, me coloquei à disposição para colaborar com a expansão da iniciativa pelas bandas daqui.
Sou artista independente, à frente da LEELEE, e acompanho de perto as dificuldades enfrentadas por quem produz música autoral. Conheço bandas que seguem lançando discos há anos, artistas que organizam seus próprios eventos, produtores que mantêm espaços culturais funcionando quase sempre pela insistência e pelo amor à música. Ao mesmo tempo, percebia a falta de um registro organizado dessa rede, capaz de conectar as pessoas que fazem parte dela. Foi daí que nasceu o desejo de contribuir com o mapeamento.
Um recorte da cena
A proposta do Mapa da Música Autoral é bastante clara: olhar para a produção autoral contemporânea. Por isso, neste recorte foram considerados apenas projetos autorais com até cinco anos de existência e ainda em atividade, além dos espaços que recebem esse tipo de produção. Embora eu esteja desenvolvendo, paralelamente, um levantamento mais amplo sobre a cena underground pernambucana — incluindo bandas cover, artistas mais antigos, bares, pubs, festivais e outros agentes culturais —, para esta pesquisa seguimos integralmente a metodologia nacional, permitindo que Pernambuco dialogasse diretamente com os dados dos demais estados.
Os desafios
Minha maior preocupação era não restringir o levantamento ao meu círculo de convivência. Procurei alcançar diferentes cidades, coletivos e redes de músicos para que o resultado refletisse uma amostra mais diversa da cena autoral pernambucana.
Ainda assim, tenho plena consciência de que este não é um retrato definitivo. Muitos artistas certamente ficaram de fora, seja porque não foram alcançados pela divulgação, seja porque ainda não conheciam o projeto. Mapear uma cena inteira é um trabalho contínuo, especialmente quando realizado de forma independente e voluntária. Por isso, encaro este levantamento como um ponto de partida, e não como um trabalho concluído.
A cena quer se fortalecer
Durante o processo, uma das percepções que mais me chamou atenção foi a disposição das pessoas em colaborar. Recebi indicações de bandas, coletivos e espaços culturais de diferentes regiões, além de cadastros vindos de outros estados, enviados por artistas que querem participar quando seus territórios também forem contemplados. O projeto despertou ainda a curiosidade de casas de shows e instituições ligadas à cultura, interessadas em compreender como esse banco de dados pode contribuir para fortalecer a música independente.
Embora Recife concentre parte significativa dos projetos, cidades do interior também aparecem formando bandas e mantendo circuitos locais. São artistas que, mesmo enfrentando desafios comuns ao mercado independente, continuam escrevendo, gravando, lançando e circulando.
Mais do que reunir informações, acredito que iniciativas como esta ajudam a construir conexões. Quando artistas conseguem se encontrar, produtores descobrem novos projetos, casas de shows identificam bandas da sua região e pesquisadores passam a ter acesso a dados organizados, toda a cadeia da música independente se fortalece.
Vem mais por aí
Após esta primeira etapa, passei a contar também com o apoio de Thayná Veloso e Emillany Maisla. Juntas, vamos desenvolver uma plataforma interativa para reunir e divulgar todo o material coletado e, a partir dela, buscar novas formas de fortalecer as bandas e os espaços que movimentam a cena independente. As novidades poderão ser acompanhadas pelo instagram.com/leelee.oficial.

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