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AzMina · Jul 31, 2026

Doula da morte

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AzMina · AzMina

Aqui é Natali e essa semana a disputa por quem consegue me irritar mais está entre Damares, Alexandrismos e Christopher Nolan. Mas vem ler que (além de passar raiva) o recheio da news tem muita coisa boa, dica pra tirar a cara da tela e o corpo de casa.

Damares é a porteira

Quando o assunto é aborto, identidade de gênero e proteção da infância, quem tem decidido o que avança ou não no Senado Federal é a Damares Alves (Republicanos-DF). Desde o início da sua gestão, a cada 6 projetos aprovados relacionados aos direitos da população LGBTQIAPN+, crianças, adolescentes e pessoas que gestam um é sempre péssimo para essas pessoas.

Projetos bloqueados

As eleições brasileiras têm produzido um diagnóstico cada vez mais evidente: mulheres que disputam ou ocupam cargos públicos enfrentam níveis crescentes de violência política, especialmente no ambiente digital. Porém, os projetos de lei considerados estratégicos para enfrentar a misoginia, ampliar a responsabilização das plataformas digitais e fortalecer mecanismos de proteção às mulheres permanecem sem deliberação definitiva justamente às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

>>> Tecnologia e redes de acolhimento enfrentam a violência política digital de gênero

>>> Um serviço gratuito e seguro de assistência em segurança digital e acolhimento psicológico para mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ que enfrentam ou querem se proteger de violência de gênero facilitada pela tecnologia.

Tia Xanda

“Como em toda militância, as coisas se perderam”, disse Alexandra Gurgel, ou Alexandrismo pros íntimos, em uma entrevista. A gata antes era uma das vozes mais fortes do body positive aqui no Brasil, mas desistiu e agora quer emagrecer e usar canetinhas. Êta lêlê. Fotos trocadas e descuido jornalístico

O Jornal O Globo, por exemplo, publicou uma reportagem sobre a cientista da computação Nina da Hora. Contudo, no portal online e na edição impressa do jornal a foto não mostrava ela, mas sim a escritora Lu Ain-Zaila. Especialista em ética de inteligência artificial, Nina usou o caso para expor uma falha registrada no banco de imagens do jornal quatro anos antes da publicação de domingo. E o erro se perpetuou, com a imagem de Lu aparecendo no topo das buscas do Google como se fosse Nina. A redação trocou a imagem no site poucas horas depois de ser contatada, mas a edição impressa, que já havia circulado, permaneceu com o erro.Apagamento duplo
A autora Lu Ain-Zaila também se pronunciou sobre como se sentiu anulada após ser extensivamente tratada como “a outra mulher negra” da foto publicada errada.

📖 Uma recomendação de leitura,que localiza de forma muito crítica a questão dos modelos generativos de aprendizado de máquina, indicada por Ingrid Fernandes, gerente de tech d’AzMina.

Os jovens periféricos e o clima

O levantamento inédito Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (JUCAMP), em parceria com a Fundação FEAC, mapeou os impactos socioeconômicos do clima para os jovens das periferias. Mais da metade (58%) dos entrevistados relatam que o clima afeta planos de futuro (e 34% já questionam ter filhos), enquanto 69% relatam impacto direto na produtividade, estudos e trabalho por calor extremo ou tempestades.

Pró-controle

Além de diva, Olivia Rodrigo é uma forte ativista pelos direitos reprodutivos e o aborto lá naquele caos que é os Estados Unidos. Em uma série de entrevistas em parceria com o Centro para os Direitos Reprodutivos dos EUA a cantora conversa com especialistas para esclarecer dúvidas sobre o aborto e discutir os impactos das leis restritivas no país, que ela diz que não são pró-vida, são “pró-controle”. Claro que essa não foi a primeira vez que a queen serviu cunt feminista.

1571 vidas

A cada quatro horas, uma mulher é assassinada no Brasil. O número de vítimas de feminicídio continua aumentando e em 2025 bateu recorde novamente: 1.571 mulheres assassinadas, 4% a mais que no ano anterior. Esse é o maior número desde que a legislação brasileira reconheceu esse tipo de crime: o assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Os dados são do relatório anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em contrapartida, o número total de homicídios no país é o menor em 13 anos.

União faz a força

A polícia investiga dezenove denúncias de estupro de mulheres contra o tatuador, corretor de imóveis e músico Vinicius Roig. Após a primeira denúncia, a irmã do acusado, Juliana Roig, reuniu as histórias de outras mulheres que contam ter sido agredidas, violentadas e ameaçadas por ele numa página que chamou a atenção das autoridades. A mobilização levou à prisão de Vinicius, nesta quinta-feira (30), em Balneário Camboriú.

Terreiros urbanos

A série documental Terreiros Urbanos, produzida pelo Brasil de Fato, apresenta cinco mulheres que mantêm vivos saberes ancestrais em diferentes regiões do estado de São Paulo, mostrando como os terreiros funcionam como espaços de produção cultural e organização comunitária. Entre as personagens estão Mãe Alessandra Ribeiro, em Campinas; Mãe Luciana Bispo, na zona sul da capital; Mãe Claudia Rosa, em Valinhos; Mãe Neide Ribeiro, em Ribeirão Preto; e a ekedi Eloiza Lourenço, em Ilhabela.

Não faço críticas, mas comento as dos outros

Não sei se vocês já foram ver “A Odisseia” no cinema, e se curtiram ou não o longa de Christopher Nolan, mas saibam que Emily Wilson, a acadêmica britânica-americana cuja tradução da obra foi uma das influências para o filme, odiou. É uma ótima crítica, divertidíssima. Entre as constatações, temos: “há mais personagens femininas do que na maioria dos filmes de Nolan, graças ao material de origem. Mas nenhuma delas tem muito a dizer” e ainda sobrou espaço pra dizer que o casting racialmente neutro não é lá tão progressista.

Doula da morte

Já ouviu falar em “salões da morte” e “doulas da morte”? São espaços e mulheres que oferecem apoio emocional e prático a pessoas em fase terminal e a seus familiares. Às vezes, elas acompanham pessoas em seus momentos finais ou as ajudam a lidar com seus medos e arrependimentos. Essas pessoas acompanhadas são principalmente negras e LGBTQIAPN+, que frequentemente enfrentam o apagamento e o desrespeito de suas identidades no fim da vida. Ao centralizar o acolhimento, essas iniciativas têm garantido que esse luto respeite trajetórias de gênero e raça.

Absurdos e mais absurdos

O filho do cantor Zé Felipe, com menos de 2 anos, foi incentivado a reproduzir uma fala problemática. Claro que a família deu risadinha e adorou. AzMina deu uma explicada sobre como tudo isso é inaceitável e como implica na cultura do estupro.Uma biblioteca virtual

A Aurora Lab criou uma biblioteca para reunir materiais sobre trabalho, energia e clima, que carregam histórias reais, dados e reflexões de gente que vive e trabalha nos territórios.

/// LEITURAS FRESQUINHAS ///

👩🏾‍💻 A Todavia lançou o livro “A máquina e nós”, da escritora Tatiana Roque. Uma abordagem acessível sobre a inteligência artificial, propondo caminhos concretos para construir o futuro e suas possibilidades, considerando o mercado de trabalho, a política e a nossa relação com essa nova tecnologia.

💭 A editora Bebel Books lança no Brasil a HQ documental Três Horizontes, criada pelos autores colombianos Lina Flórez (roteiro) e Pablo Pérez (arte). A obra combina reportagem jornalística e narrativa visual para retratar a trajetória real de três mulheres de diferentes gerações que enfrentam a violência patriarcal e a desigualdade em Medellín, na Colômbia.

🧙🏾‍♀️A Editora Elefante trouxe ao Brasil o livro “Bruxas, parteiras e enfermeiras: uma história de mulheres que curam”, de Barbara Ehrenreich & Deirdre English. A obra recupera a história de curandeiras tidas como bruxas durante a ascensão da medicina e a perseguição dessas mulheres de classes baixas.

/// SIMBORA PASSEAR ///

Feira Nômades

Neste sábado (01), a Plebeu Gabinete de Leitura, em Fortaleza, recebe a Feira Nômades. O evento acontece das 10h às 17h, contando com roda de conversa e a atividade “Viva a Revolução”. Durante o mesmo horário, a Livraria Ernesto e Rosa e a Biblioteca estarão de portas abertas para visitação.

/// OPORTUNIDADES ///

Bolsa p/ curso de segurança digital

A Rede de Jornalistas Pretos está com inscrições abertas para o curso gratuito de segurança digital afrofeminina, voltado a comunicadoras e jornalistas do Brasil e da América Latina. A formação inclui apoio jurídico e psicológico, além de oportunidades remuneradas de pesquisa. Faça sua inscrição aqui.

O PRIMEIRO COLETIVO POLÍTICO TRANS DA ESPANHA

O Colectivo de Travestis y Transexuales (’Coletivo de Travestis e Transexuais’), foi a primeira organização política trans da Espanha, fundada em Barcelona em 1978. Foram ativistas pioneiros que se arriscaram à prisão e ao encarceramento em meio à persistente perseguição após a ditadura do ditador Francisco Franco.

Beijocas e até sexta :*

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Read the original on azminanews.substack.com

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