O que acontece quando a voz encontra o papel?
Toda cultura da escrita nasce de uma cultura oral.
A oralidade pulsa por baixo da letra.
Toda escrita, no fundo, tenta registrar a voz.
Os grunhidos foram as primeiras expressões que comunicaram algo, e este episódio de Assemias mergulha na fronteira sutil entre o som e o signo.
Aqui investigamos a sonoridade da escrita e da fala, onde a palavra vibra como corpo e memória. A conversa passa por vozes como as de Matheus Aleluia, Conceição Evaristo, Mariângela Tostes, Carlos Rodrigues Brandão, Elena Ferrante e Roland Barthes — entre cantos, traços e escutas. Recebo também o poeta Rodrigo Qohen para um bate-papo sobre oralidade e escrita viva, e leio uma poesia de Vicente Velloso Conde que nos ajuda a sentir onde a fala pulsa na palavra.
Se a escrita pode soar, que rumor ela carrega?
Grave um áudio de 01 minuto contando alguma coisa bem banal:
uma lembrança da infância, como você faz seu café, o que você sonhou ontem.
Depois, transcreva exatamente o que você disse, incluindo:
pausas ("..."), repetições ("eu, eu acho que..."), gagueiras, risos, exclamações, variação de tom de voz, sons que não são palavras ("hmm", "ah!", "tipo").
Quando você terminar você vai ter captado o ritmo e a textura sonora da sua fala. Escrevendo como se sua boca ainda estivesse ali, na página.
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captação, edição, criação e idealização: Lia Petrelli.
trilha sonora: Filipe Ignatius.
apoio e distribuição: Function FM.

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