Existem camadas transparentes envolvem a escrita e a matéria.
Neste episódio, dialogo com o artista e pesquisador Ramon Sales sobre gesto, risco, caligrafia, política e arte urbana — juntos, investigamos limites entre palavra, suporte, gesto e memória na construção de uma escrita viva que reivindica o corpo da cidade como extensão do próprio ser.
Segundo Flusser, Diálogos são “primeiro, trocas livres e interessadas de informações entre duas memórias diferentes, e, segundo, a única maneira pela qual os seres humanos podem criar algo genuinamente novo.” e a captura do discurso é para Mira Schendel “viva e instantânea, repleta de vigor empírico, o símbolo imbuído no gesto é de memorabilidade e relativa eternidade.”
Entre palimpsestos, as obras de Mira Schendel e seus diálogos com Vilém Flusser, desvendamos todas essas noções, afinal, o desaparecimento também é recurso do primeiro plano do discurso.
O artigo que escrevi sobre as intensas trocas dos artistas está aqui nesta página, e se chama Desaparecer, ali você encontra mais referências para se aprofundar cada vez mais neste assunto.
Conheça o trabalho de Ramon em www.ramonsales.com.br
Escolha a noite, ou um cômodo escuro onde o silêncio caiba.
Pegue uma lanterna, um celular com a luz acesa, ou qualquer ponto de brilho que possa guiar sua mão.
Coloque uma câmera em modo de longa exposição,
(ou use um aplicativo que capte movimento com o tempo)
Respire.
Escureça ao redor.
E comece a desenhar no ar.
Pense neste segredo:
o traço não é feito para ser visto diretamente —
é o registro que importa.
É o que a luz deixou no escuro.
Escreva seu nome ao contrário.
Desenhe uma palavra que não existe.
Arrisque o gesto que seu corpo tem vontade, mas nunca fez.
A luz dança com o tempo. E a sua escrita também.
Não apresse o movimento.
Lembre-se que a letra vem do ombro, do cotovelo, da ponta do dedo e volta por dentro.
Depois, reveja o que a lente captou.
Observe o que apareceu.
Talvez seja uma escrita sua que você ainda não conhecia.
Talvez seja só um rastro de luz.
Mas talvez... seja exatamente o que você precisava ver agora.
ASSEMIAS
captação, edição, criação e idealização: Lia Petrelli.
trilha sonora: Filipe Ignatius.
apoio e distribuição: Function FM.

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