🔒 O Banco Central publicou em 7 de agosto a Resolução BCB nº 584, que altera a Resolução BCB nº 142 e cria uma retenção cautelar de até 24 horas para transferências de criptoativos acima de US$ 10 mil. A regra vale para envios a corretoras no exterior e para carteiras de autocustódia, e alcança também os ativos virtuais referenciados em moedas fiduciárias, as stablecoins. A vigência começa em 1º de janeiro de 2027.
Autocustódia é quando o investidor guarda as próprias chaves privadas, em vez de deixar as moedas sob responsabilidade de uma corretora. É o equivalente a sacar o dinheiro do banco e guardar em casa, com a diferença de que a perda da chave é definitiva.
As obrigações são operacionais. As instituições precisam reter os ativos por até 24 horas após o recebimento do aporte, avisar o cliente sobre a retenção, manter registro diário de fraudes e tentativas de fraude e documentar a análise de risco sempre que optarem por liberar antes do prazo. A avaliação deve considerar o risco do cliente, da operação, da contraparte e da jurisdição de destino.
A norma prevê saída para os dois lados. A instituição pode liberar a transferência antes das 24 horas se tiver análise fundamentada e documentada, e o Banco Central pode fazer o caminho inverso, ampliando o prazo de retenção ou aplicando a trava abaixo de US$ 10 mil para instituições em descumprimento.
O setor reagiu mal. Regina Pedroso, presidente da ABToken, classificou a medida como “obstáculo desproporcional” e alertou para o risco de fuga de investidores do país. A resolução se soma à Resolução BCB nº 520, de novembro de 2025, que definiu as regras de constituição das prestadoras de serviços de ativos virtuais, e à classificação das empresas de cripto como instituições Tipo 3 para fins prudenciais, também a partir de janeiro de 2027. Na semana passada, ABToken, Zetta e ABFintechs já haviam pedido mais 120 dias para cumprir a 520.
🇷🇺 Vladimir Putin sancionou em 6 de agosto a primeira lei abrangente de criptoativos da Rússia. O texto legaliza a negociação por meio de corretoras licenciadas e autoriza a operação de depositárias digitais, corretoras e câmaras de compensação sob supervisão estatal.
O uso de criptomoeda como pagamento de bens e serviços continua proibido, assim como a publicidade que promova esse uso. A maior parte dos dispositivos entra em vigor em 1º de setembro de 2026, mesma data prevista para o lançamento do rublo digital.
Rublo digital é a CBDC russa, sigla em inglês para moeda digital de banco central. Diferente de uma criptomoeda, ela é emitida e controlada pelo próprio banco central, sem rede aberta nem oferta limitada. É dinheiro estatal em formato digital, com rastreabilidade total das transações.
As regras de acesso são estritas. Só entidades inscritas em registro oficial podem operar como corretora, com capital mínimo de 15 milhões de rublos, cerca de US$ 187 mil, e adesão obrigatória a um órgão de autorregulação. Quem já opera tem até 1º de julho de 2027 para se registrar. O investidor não qualificado fica limitado a 300 mil rublos por ano por intermediário, algo em torno de US$ 3.750, e todos precisam ser aprovados em um teste de conhecimento antes de comprar. O investidor qualificado não tem teto. Os bancos ficam obrigados a recusar transferências suspeitas de passar por prestadores não registrados.
O desenho tem endereço claro. A lei libera a liquidação de contratos de comércio exterior entre residentes e não residentes, além de operações com moedas mineradas, num país que vem apoiando o comércio internacional em cripto conforme a pressão das sanções aumenta. A mineração já era legal desde 2024, e agora os tribunais passam a proteger a propriedade de criptoativos independentemente de declaração prévia. Na prática, o Estado russo criou um funil supervisionado pelo banco central que autoriza comprar sem autorizar gastar.
🇯🇵 A Agência de Serviços Financeiros (FSA) e a Agência Nacional de Polícia do Japão pediram conjuntamente, em 7 de agosto, que as corretoras de criptoativos restrinjam saques por um período determinado depois que o cliente deposita moeda fiduciária ou compra ativos digitais. O pedido foi endereçado à JVCEA [associação que autorregula as corretoras japonesas] e não é vinculante, cabendo a cada casa decidir como aplicar conforme o próprio perfil de risco.
As autoridades pedem pré-registro dos endereços de saque com período de carência antes do primeiro uso, limites de retirada definidos por cliente, autenticação de múltiplos fatores resistente a phishing, verificação de que o nome do remetente bancário coincide com o titular da conta na corretora e monitoramento reforçado das transações e dos ambientes de acesso. O motivo declarado é o avanço das fraudes e das transferências de recursos ilícitos para contas em corretoras.
O paralelo com o Brasil é direto e aconteceu no mesmo dia. A Resolução BCB nº 584 ataca exatamente a mesma janela, o intervalo entre a entrada do dinheiro e a saída em cripto, com uma diferença de método. No Japão a medida é recomendação a um órgão de autorregulação, sem prazo nem obrigatoriedade. No Brasil é norma com data de vigência e sanção. Os dois reguladores chegaram à mesma conclusão sobre onde o golpe acontece.
📈 Os depósitos de ativos do mundo real tokenizados em protocolos de empréstimo e corretoras descentralizadas saltaram de US$ 2,3 bilhões no segundo trimestre de 2025 para US$ 7,4 bilhões no mesmo período de 2026. Isso representa uma alta de 222%. Os dados são de um relatório da CoinShares em parceria com a Token Terminal, divulgado em 6 de agosto.
RWA, sigla em inglês para real world assets, são ativos do mundo real representados em blockchain. Entram nessa categoria títulos públicos, fundos de renda fixa, imóveis e ações. A promessa é negociar esses ativos em frações e liquidá-los sem a infraestrutura tradicional.
O contraste com o restante do setor é o dado mais forte do levantamento. Entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, os depósitos totais em DeFi caíram aproximadamente 15% e os volumes agregados das corretoras descentralizadas recuaram cerca de 70%. No mesmo intervalo, o volume à vista de RWA cresceu aproximadamente 220%.
O Ethereum concentra quase 70% dos depósitos de RWA nos protocolos de empréstimo analisados. A Plasma aparece como o segundo maior ecossistema, apoiada pela expansão da Aave, enquanto a Solana cresce impulsionada pela Kamino. As estratégias analisadas apresentam rendimentos entre 3,2% e 5,5% ao ano, dependendo do produto e do risco envolvido.
O tamanho do mercado ainda não alcançado ajuda a dimensionar o estágio atual da tokenização. Apenas cerca de US$ 2,2 bilhões em ações estão tokenizados, diante de um mercado acionário global superior a US$ 100 trilhões. Por enquanto, a maior parte do capital permanece concentrada em instrumentos que geram rendimento, como fundos de títulos públicos, estratégias diversificadas e produtos de crédito privado, enquanto as ações tokenizadas ainda representam uma parcela pequena do mercado.
🗓 Eventos na semana que impactam o mercado de criptoativos
📈 Bitcoin (BTC): subiu 3,5% em 7 dias, de volta a US$ 65,0 mil, em alta gradual ao longo da semana e com aceleração na sexta, quando o payroll fraco nos EUA reacendeu a aposta de que o Fed não sobe mais os juros. O Fear & Greed saiu do medo extremo e marca 30 (medo no CoinCodex).
🔺 Altcoins: acompanharam em ritmo desigual. SOL +5,1% (~US$ 76) e ETH +2,9% (~US$ 1.921) subiram com o mercado, enquanto XRP -0,9% (~US$ 1,05) ficou para trás.
💸 ETFs spot: os de BTC captaram US$ 853,5 milhões na semana, com entradas nos cinco pregões (pico de US$ 244,4 milhões na quarta) e o IBIT da BlackRock puxando a fila, revertendo os resgates da semana anterior. Os de ETH somaram US$ 244,9 milhões.
🚨 Coldcard, capítulo 2: o furto via bug de firmware chegou a ~1.816 BTC (US$ 116 milhões) em quatro ondas desde 30/07, atingindo mais de 5.200 endereços. A Coinkite suspendeu envios e destruiu o estoque com o firmware afetado. Segundo a TRM Labs, quase nada foi lavado até agora, o que mantém viva a chance de rastreamento.
🏢 Strategy (MSTR): vendeu 1.638 BTC por US$ 104,7 milhões (preço médio US$ 63.957), a segunda maior venda da empresa em 2026, para pagar dividendos e recomprar a preferencial STRC, que negocia ~10% abaixo do alvo de US$ 100. Restam 842.100 BTC em tesouraria e, segundo Saylor, uma reserva em dólar que agora cobre 2,3 anos de compromissos.
🏦 Dólar bancário on-chain: o USDC atingiu US$ 73,3 bilhões em circulação (+19% em 12 meses) enquanto a Circle avança no pedido de licença de banco fiduciário federal nos EUA. Na mesma semana, o Wells Fargo anunciou depósitos tokenizados em dólar e libra para clientes corporativos, com liquidação 24/7.
⛏️ Mineração respira: o hashprice (receita por unidade de poder computacional) recuperou para ~US$ 31,6/PH ao dia, ante US$ 29 um mês atrás, e a receita dos mineradores somou US$ 875 milhões em julho, US$ 39 milhões acima de junho. O próximo ajuste de dificuldade é estimado em +1,9%, o que interromperia a sequência de quedas.
📊 Derivativos: depois do vencimento de ~US$ 9,6 bilhões em opções de BTC e ETH em 01/08, o começo da semana foi defensivo, com US$ 1,17 bilhão de posições em puts (opções de venda) no strike de US$ 60 mil na Deribit. Com o rali de sexta, o funding do contrato perpétuo voltou a rodar praticamente zerado, sinal de posicionamento neutro.
⚖️ CLARITY Act: o líder do Senado, John Thune, protocolou a moção no sábado e a votação procedimental ficou marcada para 15 de setembro. A conta que trava tudo é a dos 60 votos, que exige cerca de seis democratas, ainda divididos sobre ética e stablecoins. Na Polymarket, a chance de virar lei em 2026 renovou a mínima, em torno de 27%.
🔓 Unlocks da semana: agenda leve. YZY libera US$ 35,5 milhões no domingo (16/08), 22,8% do cronograma de emissão, e a Story (IP) destrava 17,5 milhões de tokens (US$ 3,9 milhões, 1,7% da oferta) na quinta (13/08).
🧭 Leitura: a dinâmica se inverteu em relação às últimas semanas. O dado ruim da economia americana virou o gatilho de compra, o fluxo institucional voltou a entrar todos os dias e até o setor de mineração parou de sangrar. O que era vento contrário virou, ao menos por ora, sustentação.
🇺🇸 Payroll: os EUA perderam 23 mil vagas em julho, contra expectativa de criação de ~80 mil, com revisão de -103 mil em maio e junho somados. O desemprego caiu a 4,1% e os salários desaceleraram a +3,2% em 12 meses, menor ritmo desde 2021. No mercado de juros, a probabilidade de alta do Fed em setembro caiu de 55% para 46%.
🤖 Bolsas americanas: o mercado de trabalho fraco foi lido como fim do aperto, e o S&P 500 fechou a sexta em recorde de 7.758 pontos, com +3,5% na semana, a melhor desde abril. O Nasdaq 100 subiu +4,8%, puxado por balanços fortes ligados a IA.
🥇 Ouro: disparou 7,2% na semana, a US$ 4.404, maior alta semanal em sete meses, alimentado pela leitura de que o ciclo de aperto nos EUA chegou ao fim.
🛢️ Petróleo: semana de ida e volta. O Brent caiu até ~US$ 80,50 com a desescalada entre EUA e Irã, mas devolveu parte do alívio e fechou a US$ 84,78 (WTI a US$ 78,16) com o impasse em Ormuz. A proposta em discussão barraria navios americanos e israelenses do estreito, e o parlamento iraniano ainda não votou.
💵 QRA sem sustos: o QRA (anúncio trimestral de refinanciamento do Tesouro americano) manteve os tamanhos dos leilões de títulos longos “por pelo menos os próximos trimestres”, mesmo elevando a estimativa de captação do trimestre em US$ 68 bilhões, para US$ 739 bilhões. O teste real vem nesta semana, com US$ 125 bilhões em leilões de 3, 10 e 30 anos.
🇰🇷 Coreia: o KOSPI caiu mais de 5% na semana (6.259 pontos), a sétima queda semanal seguida, maior sequência desde dezembro de 2022. A SK Hynix recuou 13% na semana, com o mercado ainda digerindo o tamanho do capex de IA.
🇧🇷 Brasil: o Copom cortou a Selic a 14,00% na quarta, por unanimidade, mas com comunicado mais duro e sem sinalizar os próximos passos. O Ibovespa caiu 3,1% na semana (172.513 pontos), pior desde maio, pressionado pela Petrobras, que lucrou R$ 52,4 bilhões e frustrou quem esperava dividendos extraordinários. Dólar na casa de R$ 5,08.
📅 Leitura geral: a inflação americana assume o centro do palco. CPI na quarta (12/08), PPI na quinta e varejo na sexta, no meio dos leilões do Tesouro que medem o apetite por Treasuries depois do payroll. Se os preços não estragarem a narrativa, o mercado consolida a troca de alta por pausa no Fed. Se estragarem, a festa da semana passada cobra ingresso.
⚖️ STJ mantém preso acusado de lavar em cripto parte do ataque de R$ 813 milhões ao Pix
A ministra Maria Marluce Caldas negou o pedido de liberdade em 5 de agosto, citando a complexidade da ação. O grupo converteu os valores em Bitcoin e USDT por múltiplas blockchains.
🇷🇺 FSB fecha nove casas de câmbio de cripto em Moscou e prende mais de 20 pessoas
A operação atingiu escritórios no Moscow International Business Center. O serviço de segurança acusa as casas de repassar recursos de aposentados golpeados a responsáveis ucranianos.
🤖 Justiça americana condena market maker por manipular cerca de 60 criptomoedas
O canadense Liu Zhou, da MyTrade, usava robôs para simular volume com milhares de ordens diárias. A pena inclui multa de US$ 10 mil e desativação das ferramentas automatizadas.
🃏 Fundador de projeto de NFT é indiciado por fraude de mais de US$ 10 milhões
Taj Tarsha, da Few and Far, teria desviado recursos de 67 investidores para cassinos online e um apartamento em Miami. O token FAR despencou a quase zero após a listagem.
🇧🇷 Projeto de Kataguiri obriga políticos a declarar cripto em plataforma pública
O PL 4.922/2026 alcança presidente, ministros, parlamentares e juízes, com atualização anual e prazo de 15 dias para reportar ao TCU movimentações acima de R$ 25 mil.
⛓️ Bifurcação da BIP-110 nasce, faz dois blocos e trava
A cadeia minoritária saiu no bloco 961.632 e produziu apenas 2 blocos em 8 horas, contra 48 da rede principal. Sem poder de mineração, levaria 350 dias para ajustar a dificuldade, e vender as moedas do fork expõe o usuário a replay attack.
🏛️ Senado marca votação do CLARITY Act para 15 de setembro
John Thune protocolou a moção no sábado e a votação procedimental ficou para as 14h15 de 15 de setembro. O texto precisa de 60 votos e faltam cerca de seis democratas.
🇺🇸 Trump Media desiste da tesouraria de CRO e do mercado de previsão próprio
A empresa encerrou dois acordos com a Crypto.com e vai apenas promover os produtos da parceira no Truth Social. O CEO interino Kevin McGurn citou as condições de mercado.
📊 ETFs de Bitcoin e Ether captam US$ 1,1 bilhão na melhor semana desde abril
Foram US$ 853,5 milhões nos fundos de Bitcoin e US$ 244,9 milhões nos de Ether, em cinco pregões seguidos de entrada, mesmo com queda no volume negociado.
🐕 Gestora de US$ 1,9 trilhão coloca Dogecoin dentro de ETF de cripto
O TKNZ, da T. Rowe Price, carrega 1,26% em Dogecoin, com Bitcoin e Ethereum somando cerca de 60% e a BNB na terceira posição. A gestora trata a memecoin como teste de estresse da capacidade das redes.
🗳️ XRP Ledger vota seis mudanças com brasileira entre as maiores emissoras
As propostas incluem transferências confidenciais e lotes de até oito operações, e precisam de 80% dos validadores por duas semanas seguidas. A VERT Capital tem US$ 116,1 milhões tokenizados na rede, a terceira maior posição.
🔐 Microsoft acha malware escondido em contratos da BNB Chain
A técnica EtherHiding guarda o código malicioso dentro do contrato e o entrega por CAPTCHAs falsos que mandam a vítima colar um comando no Windows. Como o payload fica on-chain, derrubar servidor não resolve.
📉 Futuros de Bitcoin na Binance batem recorde de 7,8 vezes o volume à vista
São US$ 57,82 bilhões diários em derivativos contra US$ 6,08 bilhões no mercado à vista, segundo a CryptoQuant. A Bitfinex Research aponta operadores de opções montando proteção para uma queda em setembro.

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