11.05.26
Eu sempre leio suas cartas no mínimo 2 vezes. Eu fico mastigando suas palavras, sem pressa, como quem degusta uma boa comida. Gosto de fazer isso, porque, de alguma forma, é como se eu estivesse mesmo saciando uma parte da fome que tenho de ter você por perto.
Conversar com você por aqui, me faz suspirar. Tenho a impressão que é quase como se eu precisasse disso. E talvez eu precise mesmo.
Eu não te falei, mas meu interesse pela leitura nesse último mês se deu pela falta das suas cartas. Tinha algo muito reconfortante em deitar depois de um dia longo e cansativo e encontrar palavras suas, como se elas desligassem minha mente por alguns instantes. Mais do que eu imaginava, isso me fez perceber o quanto eu gostava de sentir algo me atravessando de verdade nos dias comuns.
Na verdade, parando pra pensar, sempre foi assim. Aprendi a apreciar boas palavras com os textos que você deixava para mim no meio das noites, para que eu fosse surpreendida logo pela manhã. Lembro de pensar que talvez um coração pudesse arrepiar enquanto esquentava aos poucos, porque era exatamente a sensação que eu tinha.
É muito bom ter algo seu de novo. É muito bom ser envolvida pelos significados que você dá ao que escreve.
Eu tô passando por um momento difícil e tenho evitado falar sobre isso mais do que deveria. O mais confuso é que existem dias absolutamente normais. Dias sem grandes oscilações, sem muito caso. Nesses momentos eu realmente acredito na possibilidade de estar bem. Como se talvez eu tivesse exagerado o que sinto ou transformado em tempestade algo que nem era tão grande assim.
Mas basta eu me olhar um pouco mais para me desesperar. minha primeira reação é querer fechar os olhos rapidamente e fingir que aquilo não existe. Ignorar parece menos doloroso do que permanecer ali por muito tempo. Talvez seja exatamente por isso que a terapia esteja sendo tão difícil de encarar.
De qualquer forma, obrigada por se interessar por essa parte que, por mais que eu tente, não consigo esconder. Por incrível que pareça, você não me faz sentir essa necessidade. Por isso, eu aceito dividir esse fardo, para, quem sabe, descobrirmos juntos uma vida mais clara…
Eu te amo muita coisa Nathan, mais do que um dia eu conseguiria mensurar em palavras. Então, não vou te perdoar por passar uma noite tão difícil sozinho de novo. Me liga, manda mensagem, um pix de 0,1 centavos, sms, o que for. Eu quero saber. Eu quero estar. Sempre vou querer.
E preciso dizer que se você pensa algo diferente disso, isso te torna tão cabeça de vento quanto eu. Na real, não preciso de muitos argumentos pra defender essa tese, considerando que você se inscreveu para competir estando com um dedo, braço e ombro regaçados e ainda comendo igual um periquito.
Mas, isso não importa. Estarei torcendo pra você acabar com todos eles. E se alguém te machucar (mais) eu vou correndo colocar veneno no suplemento que eles tomam.
- M