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Nostalgia

“A nostalgia é um sentimento permanente. Em outras palavras, sentimos nostalgia mesmo vivendo em nosso próprio país, ao lado das pessoas que mais amamos. Apesar de um lar feliz e de uma família feliz, um homem pode sofrer de nostalgia simplesmente porque sente que sua alma está sendo limitada, que ela não se desenvolve da maneira como deseja. A nostalgia é o sentimento de impotência diante do mundo, a dor de não conseguir transmitir sua espiritualidade aos outros.”

Andrei Tarkóvski

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Esse vai ser um post diferente.

Antigamente eu gostava de compartilhar snippets de código. Hoje, com as LLMs, acho que faz mais sentido perguntar para elas do que correr o risco de dar um copy-paste de um Zé Ninguém da internet.

Não sei se é a meia-idade batendo, mas sinto muita saudade da internet dos anos 2000. Tínhamos salas de IRC sempre cheias, zines, e era praticamente obrigatório todo site ter um feed RSS. Até o Google fazer o favor de matar o Google Reader, que, na minha opinião, era a melhor rede social que eles já criaram. Sim, eu considero o Reader uma rede social. Lembro de chegar ao trabalho e a primeira coisa que ia fazer era abrir o Reader para ver os comentários dos meus amigos em notícias, tirinhas, blogs e artigos.

As tirinhas também viviam uma época de ouro. Irmãos Brain, Nerdson, Nebulosa’s Nerd Bar e tantas outras faziam parte da rotina de muita gente.

O YouTube também era diferente. Quase não existia clickbait. Quem dedicava tempo para gravar e publicar um vídeo normalmente fazia isso porque gostava do assunto, não porque queria transformar aquilo em sua principal fonte de renda ou em uma renda extra. Talvez seja só nostalgia. Ou talvez a internet realmente tenha mudado mais do que a gente percebe.

Fóruns de internet também eram muito populares. Eu frequentava bastante o unidev.com.br e o pdj.com.br. Fiz muitos amigos por lá, amizades que mantenho até hoje, mesmo depois de tantas décadas.

Vou citar apenas os nicks da época: tiozorak, tiotoddy, vertexportus, crocidb, vinigodoy, n2liquid, killguns, alext, lord eternal, zizaco, billguedes entre outros. Se esqueci de alguém, me perdoe!

E eu, o skhaz!

Acho que, por ser millennial e a maioria dos meus amigos também ser, éramos muito engajados. Gostávamos de dar pitaco em tudo, trocar ideias e fofocar. Sem contar o ócio. Não havia séries para maratonar, nem muito conteúdo no YouTube, etc. :-)

Além de participar de fóruns, eu também tentei manter um blog. Fiz alguns amigos na blogosfera e, recentemente, “restaurei” o skhaz.com em skhaz.github.io/skhaz.com.

E por falar em restauração e velharias, também restaurei algumas zines publicadas entre ~2000 e ~2010. Você pode conferi-las em: skhaz.github.io/zines.

E os e-mails? Ah, os e-mails… Que saudade de receber um e-mail escrito por um humano. Eu os usava para tudo: enviar arquivos, organizar eventos, trocar ideias ou simplesmente participar de grupos, como o Google Groups. Foi lá que também fiz vários amigos, participei de eventos e aprendi muito.

Nas lista de C e C++ Brasil, fiz amigos como Alan Silva (esse cara tem um excelente gosto musical \m/ e fazemos aniversário no mesmo dia), Rodrigo Madera, Rodrigo Strauss, Wanderlei Caloni, Mauro Persano, Wander Costa, Aleksey Covacevice (o passatempo desse cara é encontrar bugs nos compiladores), Jan Palach e Vinicius Jarina.

E não sou apenas eu que estou falando isso. Coincidentemente, o Caloni, que, além de ser um amigo das baixarias, foi uma das pessoas que me influenciaram a pôr a cara a tapa na internet, publicou algo semelhante.

Blogue do Caloni: Breve nota sobre o futuro do blogue

Os próximos que eu arriscar escrever caminharão menos em construção e passagem de conhecimento e mais em relatos de experiência.

É isso. De besta para besta.