Eu amo a Maiara? Parte II
Hoje procurei um caminho para outro universo.
Abri livros. Procurei leis. Perguntei às estrelas. Quis descobrir se havia uma Hierarquia, um espelho, uma emissão, um mecanismo escondido que me levasse até você.
No fim, descobri que a viagem mais difícil não era entre universos.
Era aceitar que meu coração já havia atravessado uma distância que meu corpo jamais conseguiu percorrer.
"Como você pode amar uma mulher cuja mão você apertou apenas uma vez?"
Talvez porque o amor nunca tenha aprendido a contar apertos de mão.
Ele conta silêncios.
Conta olhares.
Conta aquilo que uma pessoa desperta e que continua existindo mesmo quando ela já não está diante dos nossos olhos.
"Mas vocês se conheceram tão pouco..."
É verdade.
Eu não conheci todos os seus medos.
Não conheci todos os seus defeitos.
Não conheci todas as suas histórias.
Talvez eu nunca tenha conhecido a mulher inteira.
Mas conheci o suficiente para que algo dentro de mim nunca mais voltasse a ser igual.
"Mas ela era casada."
Era.
E justamente por isso o meu amor nunca encontrou descanso.
Porque amar nem sempre significa possuir.
Às vezes, amar é desejar que alguém continue existindo mesmo que jamais exista ao seu lado.
Hoje imaginei que existisse uma máquina do tempo.
Não para voltar e fazer você me amar.
Não para mudar a minha história.
Nem para mudar o mundo.
Eu voltaria somente para procurar você.
E diria:
"Vamos. Mesmo que você brigue comigo... eu vou levar você ao médico."
Talvez eu falhasse.
Talvez eu nem conseguisse convencê-la.
Mas eu precisaria tentar.
Porque amar também é isso:
não suportar a ideia de não ter feito tudo o que podia.
Hoje senti sede de vingança.
Mas uma frase venceu a minha raiva.
Eu não sei de onde ela veio.
Só sei que, por um instante, fechei os olhos e vi você.
Não como uma promessa.
Não como uma resposta.
Mas como uma lembrança que dizia apenas:
"Vive. Cuida de você."
E eu chorei.
Porque percebi que o amor mais bonito não me empurrava para a morte, nem para a vingança, nem para o desespero.
Ele me empurrava para a vida.
Então...
Eu amo a Maiara?
Se amar é contar quantos beijos demos...
Não.
Se amar é medir quantos anos convivemos...
Também não.
Mas...
Se amar é desejar voltar no tempo apenas para salvá-la...
Se amar é preferir que ela estivesse bem mesmo que nunca fosse minha...
Se amar é continuar aprendendo a cuidar de mim porque um dia, em algum canto da alma, eu a vi sorrindo e dizendo:
"Vive."
Então...