Há algumas semanas desabafei aqui que tenho a sensação de que, como profissional, se eu não estou o tempo todo postando, eu não existo. Então, com o compromisso de não me manter apenas na zona de reclamação, fiquei pensando em pequenas estratégias que não me anulem completamente como profissional nem como pessoa (que não tem muito carismapra ser influenciadora diga-se de passagem). Aquela coisa de encontrar um meio-termo, sabe?
Mas primeiro, um breve contexto caso não tenhamos conversado antes, fique a vontade pra pular essa parágrafo caso ache isso chato. La vai: Estou nessa terra chamada internet desde 2002, já tive blog, Tumblr, Fotolog — graças ao céus não há vestígios dessa época —, tenho instagram desde tudo era mato, abri um canal no Youtube, tenho site — **crio sites inclusive** —, mas nada nunca chegou perto de me fazer notável. Minha teoria é porque nunca me dediquei muito tempo a nada disso, eu postava o que queria, quando me dava da telha, mas por um registro pessoal e sem nenhuma estratégia. Pra te dar um exemplo que como minha cabeça gira 95% no offline, agora mesmo estou escrevendo esse texto em uma cafeteria, poderia está filmando, sinto que deveria inclusive, mas só me toquei disso agora, quando terminei a frase anterior e me senti culpada por perder a oportunidade de está criando conteúdo. Mas porque raios cheguei no ponto de sentir culpa por está na minha vivendo sem ligar uma câmera pra registrar meus passos? Ok… vou registar. Mas deixo aqui minha nota de protesto!
Mas Anna, você não quer criar conteúdo no Instagram, LinkedIn e afins, vai fortalecer tua presença física. Vai a eventos, participa de grupos, esteja ativa na cena de empreendedores da sua região! Ótima dica, cara(o) leitora(or) atenta(o). Estive mesmo por aí, ainda tenho amigas e parceiros na minha rede que me indicam e graças a essas pessoas consegui pagar minhas contas até agora. O problema é que em algum ponto da minha carreira, provavelmente na pandemia, essa parte do meu espírito quebrou. Não sei mais se me encaixo em nenhuma “cena” onde estou. Eu não tenho a energia de empreendedora que está sempre “alimentando” os contatos. Aliás, esse movimento me faz sentir artificial. Eu não consigo sustentar a personagem Anna empreendedora muito tempo. Meu estado natural é criando, é me cercando de pessoas que realmente quero abraçar e tomar um café um dia desses, sem falar isso da boca pra fora. E sendo como sou, sobraram bem poucas dessas pessoas
Ao mesmo tempo, em plenos 38 anos, tenho que admitir que essa é minha personalidade. Eu não vou dar uma de Gabriela que nasceu assim e vai ser sempre assim, me vejo mais como metamorfose ambulante, já mudei muito ao longo dessas décadas. Mas tenho que admitir que minha energia tem se concentrado em encontrar saídas, soluções pra conseguir ser eu mesma em um mundo que premia extrovertidos. Meu desafio é usar a criatividade pra isso, afinal minha formação em design diz que podemos encontrar soluções criativas para problemas complexos.
Se eu encarar isso tudo como um caso de estudo, podemos começar com a premissa de que vivemos em um mercado de trabalho onde profissionais têm mais resultado estabelecendo uma presença online. Mas esse processo leva tempo e exige constância. Uma solução é ter uma equipe com social media, RP e criadores de conteúdo, ter um departamento de marketing. Porém, quando você não tem grana e acaba sendo responsável por tudo na sua “eupresa“, você se sobrecarrega e se torna o gargalo de tudo. Então, tudo deve envolver muita disciplina até você chegar no estágio de contratar ajuda. Concordamos até aqui? Ótimo, então podemos seguir.
Já podemos encarar esse gargalo como o desafio, porém, para pessoas introvertidas como eu — e você que está lendo até aqui e deve ter se identificado — esse cenário se agrava um pouco. Tendemos a focar no operacional, por ser mais confortável. Afinal, podemos nos fechar em nosso mundo pra criar. Criando um ciclo que começa mais ou menos assim:
O cliente entra por indicação ou por já ter trabalhado com você
você foca em atender e criar uma proposta → dando tudo certo, fecha o projeto e um dinheiro cai na conta
nesse ponto você entra na caverna da criação, onde foca no cliente ou nos clientes que tem para entregar o projeto da melhor forma possível
você entrega o projeto, todos estão felizes e a parte final do acordo financeiro cai na conta
E acabou, não tem mais projeto, nem dinheiro. Afinal, você deixou o departamento de comunicação e marketing às moscas, já que a única funcionária estava apenas no operacional e atendimento.
E esse é o momento em que você se vê cara a cara com a ansiedade. Ela, que estava lá no cantinho da sala de comando do seu cérebro, te encara e solta: “E agora? O boleto vence dia 15. Esse mês tem, mas e o mês que vem? E o próximo? Você vai depender que outro cliente caia do céu?” E é aqui que pessoas como eu e você correm pra sala do marketing, limpam o pó imaginário que está lá e começam a agir desesperadamente, mas sem parecer desesperadas, pra não depender de um milagre pra aparecer um novo cliente.
Cara(o) leitora(or), você acaba de visualizar comigo cenas dos meus meses de janeiro a março e alguns do segundo semestre de cada ano, quando regularmente há baixa de clientes. Tenho encarado essa montanha-russa por tempo demais. E, voltando ao ponto da metodologia de design, essa pode ser classificada como a dor do usuário. Como quebrar o ciclo? Qual segredo não é “constância perfeita”? Como encontrar equilíbrio?
Seguimos então para a etapa de ideação, onde pesquisamos soluções já implantadas, caso existam, e enumeramos as que possam se aplicar à nossa persona (no caso, eu e você, pessoas introvertidas e quebradas) sem forçá-la a ser outra pessoa. Porque são raros os casos onde um projeto molda a forma que o usuário se comporta — estamos falando aqui da invenção do computador, telefone, eletricidade, toda revolução industrial e afins. Na maioria dos casos, o ideal é conhecer o comportamento do usuário, entender seu fluxo de pensamento e propor soluções realistas que mudem sua vida positivamente. E é o que tentaremos fazer a partir desse ponto, finalmente! Foi mal ter enrolado tanto, mas cabia uma explicação pra o que vem em seguida fazer sentido.
Tá rolando uma revista para inscritos sabia?
Considera entrar nessa comigo 💜
Não dá pra fugir da realidade. Se eu, a reclamona introvertida, pesquiso no Instagram antes de escolher um médico, por que acreditar que outras pessoas não vão procurar meu nome lá antes de cogitar me contratar? Então, a solução aqui é criar um feed de vitrine fixo, atualizado de tempos em tempos com projetos relevantes. Aqui já alivia a sensação de culpa por não postar direto, o objetivo é existir por lá, não concorrer com ninguém que quer, gosta ou pode captando cliente na plataforma. Resumindo:
Estratégia pequena: deixa 1 lugar “parado” muito bem feito (bio + link pra site/contato + portfólio) só pra “deixar a luz acesa” no Instagram.
Limite que faz sentido: você não precisa postar todo dia, nem estar disponível o tempo todo. O combinado é: ser encontrada, não performar.
Aqui é meu canto favorito. Eu consigo facilmente entrar no módulo de hiperfoco quando estou escrevendo, logo, isso é um sinal claro de que é possível pra mim criar conteúdo com qualidade. O contrário acontece quando me vejo preferindo acordar com uma gripe a gravar um stories. Então cabe tentar encontrar sua esquina aconchegante na internet e ficar por lá.
Estratégia pequena: escolhe 1 plataforma onde você consegue criar com mais facilidade (escrever, falar, compartilhar processo visual) e posta lá quinzenalmente ou mensalmente — sem culpa.
Limite que faz sentido: você não precisa estar em todas as plataformas. Escolhe onde sua energia flui melhor e ignora o resto. É melhor existir bem em 1 lugar do que mal em 5.
Ow, plataforma que detesto! Quase tudo me irrita lá, o layout é ruim, o que faz com que encontrar coisas me irrite muito. A premissa do lugar virou puxar saco e transformar tudo em “caso de estudo”. Maaaaas, não dá pra negar que ainda dá pra entrar em contato com diversos potenciais parceiros e clientes por lá. Então, a gente desfaz o bico e pensa em como criar o mínimo de conteúdo de qualidade. A minha sugestão aqui é:
Estratégia pequena: escolhe 1 série que dá pra repetir sempre: “antes/depois”, “1 erro que eu evito”, “mini estudo de caso”, “processo real”, “aprendizado da semana” esses conteúdos que engajam. “É inovador e revolucionário? Não, mas...” te mantém vivo por lá.
Limite que faz sentido: nada de inventar tema novo quando você já tá exausta. Você só muda o exemplo. É o mesmo formato, outro dia.
Estratégia pequena: define 3 “nãos” e usa isso pra decidir rápido o que entra ou não entra na sua rotina.
Limites possíveis (exemplos que fazem sentido pra mim, mas lembre de escolher os seus):
não gravar stories mostrando a vida pessoal
não fazer dancinha, trend, nem “bom dia” performático
não virar refém de responder DM como atendimento
Resultado: sua presença continua existindo, mas você não vira refém dela.
Essa é minha estratégia para não deixar o setor de comunicação em baixa esse ano. Confesso que uma das metas também é encontrar um emprego. Mas, considerando o mercado de trabalho como está—seja você freelancer como eu ou tendo sua CLT assinada—nada é 100% seguro. Então, enquanto a aposentadoria não chega, seguimos nadando.
Tudo o que falei até aqui se aplica a uma metodologia bem famosa no mundinho do design e do empreendedorismo: o design thinking. E nossa conversa de hoje aplicada nela ficaria assim:
Por hoje é isso amiga(o). Espero te ver por aqui na próxima.
Com carinho,
Anna.

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