Acabei de ver esse recurso e, enquanto escrevo, a Claudinha está montando meu design system — então tudo o que escreverei aqui pode estar sujeito ao calor do momento, começando pelo meu sentimento de “e agora? minha profissão vai servir pra quê?”
Em 17 de abril (vulgo ontem — enquanto escrevo esse texto), a dona Anthropic me aparece com o lançamento do Claude Design, um novo produto de IA para criar designs, protótipos, slides e mais. Aparentemente foi criado para gerentes de produtos e pessoas em geral, sem conhecimento de design, comunicarem visualmente suas ideias. Segundo o post de lançamento, a ideia é:
Descreva o que você precisa e o Claude cria uma primeira versão. A partir daí, você aprimora o projeto por meio de conversas, comentários no texto, edições diretas ou controles deslizantes personalizados (criados pelo Claude) até que esteja perfeito.
Na prática, você fala no chat o que tem em mente, ou sobe imagens de referências, e a Claudinha cuida do resto. Quando testei, ela começou me pedindo todo o material que eu já tinha sobre determinado projeto. Como estava testando, coloquei tudo da minha marca mesmo: pasta onde criei o site, fontes, PDF do moodboard e até o arquivo do Figma (aqui você pode escolher o que quer enviar)
“As equipes têm utilizado o Claude Design para:
Protótipos realistas: os designers podem transformar maquetes estáticas em protótipos interativos fáceis de compartilhar para coletar feedback e realizar testes com usuários, sem necessidade de revisão de código ou solicitações de pull request.
Wireframes e protótipos de produtos: os gerentes de produto podem esboçar fluxos de recursos e entregá-los ao Claude Code para implementação, ou compartilhá-los com os designers para refiná-los ainda mais.
Explorações de design: os designers podem criar rapidamente uma ampla gama de direções a serem exploradas.
Apresentações e pitch decks: fundadores e executivos de contas podem transformar um esboço inicial em uma apresentação completa e alinhada à marca em minutos, e depois exportá-la como um arquivo PPTX ou enviá-la para o Canva.
Materiais de marketing: os profissionais de marketing podem criar páginas de destino, conteúdo para redes sociais e elementos visuais para campanhas, e depois envolver designers para aprimorá-los.
Design de vanguarda: qualquer pessoa pode criar protótipos com código, voz, vídeo, shaders, 3D e IA integrada."
Lembrando que, no momento, está disponível apenas pelo acesso via navegador, ou seja, acessando o Claude.ai. E só para assinantes Pro, Max, Team e Enterprise. O uso é contabilizado separadamente dos limites de chat e do Claude Code — cada plano tem uma cota semanal própria. Então sai caro usar o tempo todo. E no futuro, sabe-se Deus o quão caro será.
Mas, voltando à minha inquietação inicial: afinal, qual o futuro do profissional de design nesse contexto?
Ehhh gata, o cenário atual parece nebuloso para quem não está com a carreira consolidada. Isso porque quem foca em entregar operacional está cada dia mais lascado. Porém, na minha humilde opinião — de quem tem um tempo de mercado considerável —, ainda acredito que visão estratégica e empatia só humanos conseguem entregar. Você pode ver o copo meio cheio ou meio vazio.
Meio cheio no sentido de que, como profissional, nenhuma IA pensa como você pensa, sente como você sente e entende o mundo ao seu redor como você. Usar isso como diferencial vai ser cada dia mais crucial. Portanto, quem está iniciando qualquer carreira deve focar no que pode oferecer de valor subjetivo mesmo, porque conhecimento operacional — como saber usar determinado software ou reproduzir alguma ideia visualmente (prototipagem) — não vai fazer muita diferença no mercado de trabalho. O Claude Design afeta primeiro quem vende execução genérica: um site bonito sem estratégia, um layout sem texto inteligente e cativante, um protótipo que ninguém sabe usar porque nunca foi testado ou analisado por humanos de verdade (quem vai usar no final das contas). Esse mercado já estava ferrado e vai comprimir mais.
Em outras palavras: estude comportamento humano, filosofia, desenvolva habilidades de ouvir e traduzir pensamentos em planos de ação, entenda o que é mais inerente ao ser humano para que seu olhar de mundo seja o seu superpoder. Isso nenhuma IA consegue aprender processando dados.
Meio vazio, porque desenvolver esse olhar leva tempo, estudo, paciência e muito fluxo de erros e acertos. Não me parece um processo impossível — difícil, mas totalmente possível. Além disso, na prática, vai exigir de nós — não ricos, com a carreira em desenvolvimento e que ainda precisamos sobreviver — um esforço maior para comunicar o que fazemos e entregamos de valor. Particularmente, essa é a parte que mais me dói na espinha, visto que, se dependesse de mim, eu nem botava minha cara no mundo digital — mas isso é um processo com o qual tenho que lidar, goste ou não. Talvez seja só questão de encontrar minha galera: pessoas como você que me dão fôlego para continuar.
Mas onde estava mesmo…
Ah! Outra coisa que notei: esse anúncio pode ter gerado um frisson na galera do Figma, já que isso torna o Figma Make meio que… como diria… obsoleto. Principalmente porque, aqui no Brasil, bancar os dois chega a quase R$ 250,00 — e entre o Figma e o Claude, eu prefiro pagar por quem me oferece mais. A Claudinha, no caso.
Essa parte começo com uma fofoca: segundo uma reportagem do VentureBeat, Mike Krieger, CPO da Anthropic, saiu do conselho do Figma no dia 14 de abril — o mesmo dia em que The Information reportou que o próximo modelo da Anthropic incluiria ferramentas de design concorrentes com o produto principal do Figma. Tá passada? Essa galera do Vale do Silício é babado…
Quando o Figma Make (usando Claude Code como base) saiu, eu achei incrível. A proposta de poder prototipar meus projetos de verdade fez meus olhos brilharem. O que achava chato era não poder pegar o que o Figma Make criou e colocar no Figma Design para alterar como quisesse — coisa que eles corrigiram pouco tempo depois, colocando o designer como protagonista novamente. Mas a Claudinha como designer complica para eles.
Ainda na reportagem do VentureBeat, a ideia não é bem concorrer com o Figma. O que a galera da Anthropic diz é que “o Claude Design foi desenvolvido com foco na interoperabilidade e visa atender às equipes onde elas já trabalham, e não substituir as ferramentas existentes.”
Como consumidora, confesso que não sei se volto a pagar o Figma depois do Claude Design. Afinal, posso continuar pagando meus suados R$ 109,90 para ter uma ferramenta que me ajuda com código e com prototipagem rápida (de novo, estou escrevendo no calor da coisa toda — posso perfeitamente mudar de ideia com o tempo de uso). Na prática, eu pagava o Figma para ter acesso ao módulo dev, editar imagens com IA e ter meus arquivos bem organizados com pastas — coisas que na versão gratuita não dá para fazer direito. Pode ser que seja uma nova disputa tipo Adobe versus Affinity? Acho que é cedo para dizer isso. Bora ver no que dá. Até porque a Adobe tem muitos outros pecados mortais que me fizeram cair fora do relacionamento com eles bem antes do Affinity ser uma opção real
Chego à conclusão de que temos muito o que pensar diante desse cenário onde as IAs nos forçam a rever todo um posicionamento de mercado que nem todo mundo — inclusive eu — tinha consolidado. Me sinto como a galera da Revolução Industrial, sem saber o caminho certo para manter a paz interior na área de trabalho.
Mais uma vez, obrigado por chegar até aqui.
Espero que você esteja bem por aí e que tenha uma ótima semana.
Esse foi o resultado de uma solicitação de carrossel resumindo o conteúdo que você acabou de ler. Foi um prompt simples, mas dei algumas referencias de como queria que ficasse…
Assim… acho que Claudinha precisa melhorar.

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