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Vênus Exilada by Ana Abel · Jul 11, 2026

o que faço pra não surtar com comentários

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como um ano lidando com uma página polêmica expandiu meu sistema nervoso

comentário que recebi no youtube uns tempos atrás

caso você não me conheça, sou a dona da página vênus exilada e ela vai completar um ano em setembro. atualmente tenho 72 mil seguidores. em dezembro do ano passado ganhei 30 mil, em um mês. isso me desregulou por completo. vivi num estado de adrenalina por uns bons meses. nesse um ano, acredito que passei quase sete meses ansiosa, com medo de ser perseguida e deslegitimada. pessoas começaram a me dar muitas dicas de segurança online, me avisavam quando eu postava algo que mostrasse onde eu vivia ou frequentava, e tive que começar a pensar na minha segurança (porque meu conteúdo é um pouco polêmico), mas acreditem, o pior dos meus medos era ser chamada de burra ou incoerente. sim. o pior dos meus medos era não ser considerada super woke por mulheres de esquerda.

algumas pautas minhas são vistas como “conservadoras” e moralistas só porque generalizo homens e questiono a forma como expressamos nossa sexualidade. o pessoal de esquerda ama chamar qualquer coisa de conservadora quando não entendem a pauta ou não se conectam com o que está sendo dito. a maior parte da esquerda só reposta e adota como opiniões o que o criador de conteúdo com mais seguidores do nicho posta, sem refletir nada. é a competição woke né, quem é mais revolucionária e progressista?

confesso que isso mexeu comigo por muitos meses. eu tinha medo de ser vista como incoerente, despreparada etc. toda mulher que conheço tem os mesmos medos. ela pode falar de nutrição, cozinha, moda, finanças, ela sempre vai ter medo de parecer menos preparada do que é. mas, como um ato de rebeldia, decidi pra mim mesma que não me importaria em parecer desequilibrada rs. é um ato revolucionário permitir que as pessoas me julguem e não deixar isso afetar meu bem-estar.

eu sou só uma pessoa.

tem gente bem mais inteligente do que eu por aí, tem gente melhor do que eu (e do que você) aos montes. mas isso não importa. não é sobre isso. EU NÃO SOU uma página. eu não sou meu conteúdo. eu sou uma pessoa se comunicando. me permito ser um portal de ideias, insights, debates. eu não sou o debate. eu não sou nada. na verdade, eu sou. eu sou uma mulher, com medos, sentimentos, desejos etc. bem normal, bem igual a você. eu sou uma pessoa, e só. eu decidi tirar o peso de ser o portal da sabedoria feminista e feminina. não preciso ser. assim como você não precisa ser o portal de nada também.

eu decidi tirar o peso de ter que ser ALGUÉM. eu quero falar, escrever, gravar podcasts etc. eu quero falarrrrrrrrrrrr. meu deus! existe um demônio que se apossa deliciosamente do meu corpo toda vez que começo a falar. meu best friend mora comigo e disse que pareço estar dando um culto quando estou lendo mapas. eu entono a voz, faço storytelling, entro numa coisa meio teatral. tenho mercúrio em sagitário e só quero saber de falar, falar, falar.

com isso, entendi que preciso me conectar com o que me trouxe vida e inspiração em tudo isso que criei. não vou me concentrar em respostas, feedbacks, comentários, sugestões e correções. eu sou aberta a críticas e aprendi muita coisa nesse último ano, mas não vou ceder a expectativas alheias porque criei essa página por necessidade de VIDA, por necessidade de criar uma relação intensa comigo mesma, com a minha capacidade de criar. overthinkers, ansiosas, neurodivergentes precisam se expressar. minha mente adoece se eu não colocar pra fora.

a internet é ridícula e repetitiva.

os comentários na internet são absolutamente repetitivos. é óbvio que sou absolutamente grata por todos os comentários e mensagens positivas de apoio que recebo, obrigada e podem continuar mandando! isso me inspira MUITO! a minha crítica é sobre comentários negativos, críticas, projeções etc.

a internet é um lugar muito clichê. todo tópico tem uma reação óbvia. as reações negativas são sempre as mesmas, as positivas também. tudo é absolutamente repetitivo em QUALQUER NICHO. se você criticar a laranja, vai vir a galera da maçã fora de contexto te encher o saco. se falar da maçã, a galera da laranja vai falar que você tá sendo enviesada pela galera da maçã. ninguém entendeu, ninguém leu, todo mundo se acha importante e quer desabafar. essa é a internet. todos se acham inteligentes (mas ninguém tem a sua coragem de ser protagonista, de dar a cara a tapa, e por isso, você venceu).

ação sempre supera pensamento.

só aceito críticas e sugestões de pessoas com a mesma coragem de exposição que eu (a não ser que seja uma mensagem inspiradora de uma seguidora, como por exemplo, já me disseram que eu estava diminuindo minha forma de me expressar, e eu amei esse toque, me inspirou).

todo mundo é muito frágil na internet. todo mundo quer ser ouvido. todo mundo quer “acolhimento” e você será considerada uma tirânica por qualquer coisa. eu nunca ofendi ninguém e sempre que respondo dms coloco todo mundo em anônimo, mas já fui perseguida e difamada por bem pouca coisa. inclusive, por mulheres de esquerda, feministas, revolucionárias etc.

me irrita a falta de foco, a falta de propósito. falar pra mulheres me inspira e não quero perder esse objetivo ouvindo críticas e comentários de quem acredita que o feed do instagram é a realidade do mundo.

então, por isso, eu não leio nem 10% dos comentários. não costumo ver na hora, e se vou consultá-los, gosto de ver uns dias depois pra prevenir meu sistema nervoso de reagir intensamente. quando você acaba de postar algo, está mais sensível a rejeição. por isso, me preservo. aprendi a não responder pessoas quando estou muito irritada, porque me sinto sobrecarregada e acabo projetando meu estresse em quem não tem nada a ver com ele. não é sobre respostas grossas ou ofender, mas me percebo com uma visão mais negativa quando estou estressada.

aprendi que nada é urgente. você não precisa responder nada nem ninguém. você não é obrigada a nada. a internet faz parecer que tudo é vida ou morte porque seu sistema nervoso está conectado com todos os seus seguidores em momentos de sensibilidade. por isso, aprendi a me sentir segura mesmo quando parecer que o mundo está pegando fogo.

ter uma página e ter esse nível de exposição me ensinou muito! criar conteúdo e se expor é um shadow work pesadíssimo. se você quer evoluir ao seu máximo, se exponha, lide com rejeição diariamente. é por isso que tantas celebridades parecem ter uma aura tão estável, tão calma, tão inabalável. seu sistema nervoso começa a permanecer o mesmo independente dos acontecimentos. é um processo, sempre vai ter algum desafio, mas o barulho de fora não precisa ser o barulho de dentro.

eu amo trabalhar com isso e estou só começando. amo o que isso tudo me trouxe. eu decidi, ano passado, que queria tornar a minha vida a coisa mais extraordinária possível, e estou conseguindo. quero explorar tudo, principalmente meus medos.

a vida é interessante, comentários na internet são chatos e repetitivos, nem tudo é sobre você. se divirta.

espero que esse texto te inspire.

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obrigada por me ler. se quiser acompanhar meus vídeos e insights mais de perto, me segue no instagram venusexilada. também tenho um podcast (mais íntimo, com episódios longos) onde falo sobre amor romântico, espiritualidade, astrologia e filosofo sobre a vida, disponível no youtube também.

Read on anaabel.substack.com

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