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Amo News · Jul 31, 2026

Uma dose de IMprodutividade, por favor!

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Ale Garattoni · Amo News

Por um curso de como ser mais improdutiva, por favor…

Nada foi tão valorizado nos últimos dez anos como a produtividade. “Trabalhe enquantos os outros durmam”, “Vista-se não para o emprego que você tem, mas para o emprego que você quer” e “Aprenda a fazer parte do clube das cinco da manhã” são apenas algumas das frases que prometem trazer a carreira/fortuna/meta desejada em sete dias. Não, não podemos dizer que o resultado foi ver todo mundo bem-sucedido, milionário e com objetivos ticados; por outro lado não vejo muitas dúvidas de que está (quase) todo mundo exausto – e só uso o (quase) porque “todo mundo” é gente demais pra caber em uma frase.

Que atire a primeira pedra aquele que não traçou algum plano mirabolante, que não colocou ideias no papel e/ou que não contratou um mentor de alguma coisa nesta década. Eu admito que preenchi cadernos e mais cadernos e também que conheço amigas que passaram por pelo menos meia dúzia de mentorias. E, sem tirar o mérito de cadernos e mentores – os sérios –, precisei olhar para trás um pouco para uma (auto)análise válida.

Em 25 anos de carreira, destaco dois momentos claros na minha caminhada profissional: o primeiro, um blog de moda que me deu visibilidade; o segundo, um negócio de conteúdo de branding, que me deu dinheiro. E aí eu agora divido com vocês, enquanto falo também para mim, como foi o nascimento destes dois projetos e por que provavelmente nenhum dos meus cadernos conseguiu replicar tais resultados.

O ItGirls nasceu muito antes de blogueira – ou influencer – ser profissão ou sequer possibilidade de faturamento. Eu escolhi um layout gratuito no Wordpress em uma noite de dezembro de 2007, não me dei ao trabalho (ou o gasto) de sequer registrar a url na ocasião. Comecei a escrever sobre moda, beleza, etiqueta, futilidades que eu gostava de ler. Consumia muitos livros e revistas que inspiravam os três posts diários que, na minha cabeça, seriam lidos por uma centena de pessoas se tudo desse muito certo. Na época eu trabalhava no mercado editorial e poucas pessoas sabiam meu nome na área. Acho que até hoje tem gente que segue fiel às minhas invencionices de mente borbulhante apenas porque tem memória afetiva daqueles três anos, que fizeram de um simples blog caseiro uma marca, com linhas de produtos quando não se falava de collabs, e com um livro de dez mil cópias vendidas quando não havia redes sociais para empurrar a divulgação.

NOTA: caso o parágrafo acima não tenha sido 100% claro, o ItGirls não teve planejamento, não teve meta, não teve rascunho. Era só uma menina que do dia pra noite colocou um computador no colo e passou a escrever sobre coisas que faziam seus olhos brilharem.

Corta para 2014. Eu tinha um blog sem muito foco e escrevi um post chamado “Branding para pequenos negócios”, baseado na saudade que eu tinha do tema que era a minha paixão dos tempos da faculdade de Administração. O blog em questão nem tinha a mesma audiência dos tempos do ItGirls e eu tava ali sem grandes pretensões. O post rodopiou a internet, foi lido e comentado por um monte de gente, e rendeu um convite para dar uma palestra sobre o assunto em Belém. Joguei a proposta de cachê lá em cima, coisa que a gente costuma fazer quando não está muito certa de querer aceitar a proposta, tampouco certa de que deve declinar o convite. Cachê topado sem negociações, embarque quase imediato, retorno surpreendente e o nascimento de uma nova marca. O primeiro workshop aberto ao público teve suas 30 vagas vendidas em 40 minutos. A partir dali foram sete anos bastante prósperos tanto no mercado corporativo quanto no mercado direto ao consumidor final. E um setênio que, coincidência ou não, viu o branding entrar no radar de (quase) todo mundo.

A Amo Branding ensinava pessoas a planejarem seus posicionamentos, mas o posicionamento da própria Amo Branding foi acontecendo um dia depois do outro, sem meta, sem rascunho. Era só uma mulher produzindo materiais sobre coisas que faziam seus olhos brilharem.

Em comum entre as minhas duas histórias: nenhuma delas nasceu de um ímpeto que visava mais produtividade ou mais resultado. Foram apenas duas expressões de desejos criativos que surgiram enquanto eu alimentava minha alma preenchendo minha bagagem com aquilo que eu adorava. Nem mesmo saberia dizer em que momento estes projetos cruzaram a linha do hobby.

Narro estas duas histórias para dizer que, ao menos na minha vida, meus maiores resultados vieram de momentos em que eu não estava perseguindo a produtividade nem nada parecido com isto. E, depois de um julho em banho-maria, é isto que entendo que funciona para mim – e talvez para outras tantas pessoas… uma despretensão que não quer profissionalizar e aperfeiçoar tudo, que não está corporativizando as relações chamando-as de networking, que não busca começar nada apenas depois de vinte páginas rascunhadas ou duas mentorias finalizadas. O direito de apenas deixar transbordar para o mundo coisas que fazem nossos olhos brilharem.

Improdutividade costuma ser uma palavra com carga negativa, eu sei, quase um palavrão nesta era atual. Mas e se ela for (re)avaliada como algo que nos leve a mais…

  • Curiosidade, criatividade e comunicação natural (analógica, inclusive)?

  • Um olhar atento para a arte, o belo, a pessoa naturalmente inspiradora?

  • A formação natural de repertório, bagagem, especialmente naqueles temas que nada parecem ter a ver com seu trabalho?

  • Uma atenção especial à etiqueta contemporânea em relações humanas, um exercício ao saber ouvir mais do que ao aprender a falar?

  • O direito de algum momento da semana para oxigenar sua criatividade sem nenhuma pretensão específica?

  • A autopermissão para mudanças positivas, aquelas que aparecem não quando desistimos de algo, mas quando nos sentimos prontos para nos desafiar com outras coisas?

  • O hábito da comunicação analógica de volta, em algum grau, em alguma proporção?

  • Aquele cuidado no uso saudável de redes sociais: usar para quê/com quem?

  • A valorização da força de falar COM 100 pessoas em vez de PARA um milhão?

  • E, enfim, o posicionamento que vem pela imagem como consequência, não como cartaz incrementado montado pelo seu mentor?

Vamos?! Topa?!
(isto não é um convite para um curso nem muito menos uma mentoria, é apenas uma jovem senhora empilhando ideias sobre perspectivas que fazem seus olhos brilharem, tá?!)

Read the original on amonews.substack.com

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