Semanas atrás, Helô Pinheiro estampou todas as páginas de notícias: às vésperas de seu 83º aniversário, ela abriu e fechou o desfile de uma marca de moda praia no Rio Fashion Week. E não é que ela simplesmente cruzou a passarela… A garota de Ipanema estava de barriga (trincada!) de fora e salto plataforma altíssimo. Eu sincermente preferiria que isto nem fosse notícia, que não fosse incomum a ponto de virar manchete. Mas é. Em especial no Brasil, etarista e machista por natureza, ver uma mulher de 80 exaltar sua beleza, saúde e vivacidade é revigorante para muitas de nós.
Ainda que eu tenha me criado no bairro que deu a ela seu codinome, admito que nunca acompanhei tão de perto sua história, sua carreira. Até dois anos atrás. Em 2024, comecei a malhar na mesma academia frequentada por Helô em São Paulo. E sempre, sempre que cruzo com ela no vestiário, preciso me conter, lembrar que nós, cariocas, não temos hábito de tietar famosos, e segurar minha vontade de dizer que sou muito fã dela e que ela me inspira. Porque não é que a eterna musa de Tom e Vinícius simplesmente frequente a academia. Ela faz a aula mais difícil de todas – uma dança coreografada que já ME tira o equilíbrio só de assistir do lado de fora! –, ela vai para a quadra jogar pickleball (eu também nunca pensei em me atrever), ela sobe no transport, ela conversa com as pessoas. Em todos os aspectos, ela parece ter metade da idade que tem e eu já estudei longevidade o suficiente para saber a enorme dose de responsabilidade pessoal neste resultado.
“Aaah, mas ela tem privilégios, pode se cuidar”, “Ahh, mas tem a genética por trás”, e outras destas frases que mulheres de 30, 40, 50 podem querer usar para justificar o espetáculo de mulher que ela é, enquanto digitam isto sentadas em um sofá comendo um pote de sorvete. Ela tem, claro que tem. Privilégios, genética, acesso aos melhores conhecimentos. Mas se fosse só isso (ou, ok, tudo isto) muitas outras mulheres de 80 seriam como ela. E vamos combinar? Helô é muito mais a exceção do que a regra. É nítido que tem escolha, tem disciplina, tem amor-próprio, tem cuidado. Diário. Ando inclusive pensando em colocar minha Alexa para me despertar com a frase “levanta, moça, a Helô Pinheiro já chegou na academia”, para driblar os dias que meu cérebro surge com desculpinhas cansadas para dormir um pouco mais.
Sim, eu estou no meu momento hiperfoco 80+ e Helô Pinheiro é a presidente deste hiperfoco – Helô, não sou stalker, apenas uma admiradora discreta! Além da aula que mexe corpo e cérebro na mesma medida (vocês não estão entendendo a coordenação motora que aquilo deve exigir!), o que ela faz? Como se alimenta? Quais são seus hobbies e prazeres? Sempre se manteve nesta linha ou houve algum momento de virada? Quem a inspira? São tantas, tantas perguntas. Eu arrastaria pra cima na hora pra comprar o “curso da Helô”, podem apostar.
Quando, em abril, o mundo noticiava impressionado o retorno da garota de Ipanema às passarelas, em cima de plataformas generosas, eu não me choquei nem um pouquinho: a agilidade da minha “colega de academia” é um lembrete diário do que quero, preciso e vou fazer para ter não apenas anos de vida, mas vida, muita vida, nos meus anos.
Presentes de agradecimento ou gentileza
Sabe aquele agrado que a boa etiqueta pede na hora de fazer uma visita ou um agradecimento? Anda sem ideias para quando falta intimidade com o presenteado? Tem dificuldade de pensar em delicadezas para “pessoas que já têm tudo”? A atitude vale mais do que o bem, mas aqui vão dez ideias às quais sempre recorro…

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