Essa é uma pergunta que refaço para mim mesma há uns bons anos. Viver da arte não é o morango que o instagram faz parecer. Acreditar - e lutar - por um sonho passa longe de escorregar num arco-íris de dopamina. Tem dias tão áridos e desesperançosos que parece não ser possível encontrar fôlego para seguir insistindo em algo que não é tecnicamente vital pra sobrevivência humana. Por mais que eu e você saibamos que é. Trabalhar criando coisas que ninguém "precisa” ou que não se encaixa numa demanda estratégica do mercado já me fez sentir em delírio algumas tantas vezes. E mesmo assim não consegui largar o osso.
Essa semana estava conversando com colegas da yoga no chazinho pós-aula, uma delas começou a fazer cookies deliciosos pra vender. Sigo fascinada pelas “habilidades extra curriculares” sendo colocadas no mundo com amor. Elas trabalham em setores públicos e brinquei dizendo que há momentos do meu ano que imagino como seria ter passado em um concurso e me pergunto por quanto tempo ainda aguentarei a vida de artista empreendedora. De saída ouvi: te ver num trabalho formal seria como colocar um passarinho numa gaiola. Achei tão bonitinho porque naquela noite a última coisa que eu estava lembrando era das minhas asinhas desobedientes.
Falamos sobre a crise existencial que toda pessoa vive em uma determinada fase da vida, seja em um trabalho tradicional ou empreendendo artisticamente. Todas se questionam, sentem vazio, desilusões. Ouvi algo simples e poderoso numa terça a noite saboreando uma bolachinha de chocolate: “a gente fica buscando sentido no que está fazendo e as vezes não encontra, você encontra esse sentido todos os dias. É como esses cookies, nada tem me deixado mais feliz do que fazer isso agora”. Não duvido que mesmo encontrando o tal sentido, vamos atravessar tempestades. E que estabilidade financeira é o desejo de todas nós e nem sempre a arte nos dá isso. Mas afinal, porque a gente ainda insiste?
Hoje vou escolher essa resposta: elas tem razão, é porque ainda vejo sentido todo dia mes-mo. Até encharcada depois de uma tempestade vejo sentido e arranco força de chão outra vez. O chão que insiste em não sair debaixo dos meus pés. Se faz sentido, faz meu olho brilhar, faz minha barriga teimosa sentir o ventinho da coragem, faz minha Amandinha braba dar um risinho irônico de “ninguém me segura", faz meu peito acelerar de imaginar dando certo (mesmo que não dê), faz minha lágrima escorrer do olho por sentir a magia tomando conta do corpo depois da desesperança. Enquanto sentir meu corpo eletrizado de amor em fazer que faço, haverá insistência. Enquanto isso fizer sentido, não largo o osso.
E a partir da semana que vem começarei a fase de venda e divulgação. Se você já conhece o meu curso e estava aguardando a próxima oportunidade de vivenciá-lo, me envie uma mensagem por aqui, que vou te escrever dentro de alguns dias:
Estou inaugurando uma ação diária da Brava Galeria: UM ORIGINAL EM OFERTA POR DIA. Todos os dias vamos selecionar um quadro para cortar o preço por 24h. Acompanhe pelos stories pra quem sabe aproveitar a oportunidade de ter uma pintura que se encantou com desconto inédito. Essa é a oferta do dia:
Na semana passada saiu o novo episódio da Série Artistonas! Convidada da vez: Stéfany Freu. OUVIR EPISÓDIO!
Torne-se uma apoiadora-raiz para acessar o conteúdo completo da news e participar do nosso encontro ao vivo mensal com partilhas encorajadoras sobre a vida real de quem vive da arte ou está buscando esse caminho. #GangArtistonas
Nosso próximo encontro acontecerá na semana que vem.

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.