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Amanda Mol - Por dentro do Atelier · Jul 10, 2026

meus cacos agora são estrelas

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Amanda Mol · Amanda Mol - Por dentro do Atelier

Tenho uma mania incurável de poetizar meu caos. E talvez eu não queira mesmo uma cura pra essa propensão. Fui documentando minha vida através do meu trabalho desde os 20 anos quando escolhi a arte como plano A. Quando estou em plena tempestade, me sinto representadíssima pelo meme “vou dar um jeito de transformar

isso

em piada já já". Sempre dou meus pulos. Vim de uma família materna com dom pro deboche, pra gargalhadas altas, pra claquetes tão autênticas dignas de stand-up que se repetiram por anos nos cafés. Coleciono histórias, bordões e piadas que só consigo rir com eles. O senso de humor que herdei dessa união de cariocas e mineiros é das coisas que mais gosto em mim.

A alegria é a minha vingança. De qualquer mal. Do que eu nem sonhava e me derrubou. Dos desassossegos que me acompanham. Do desamor. De dias dias de profunda solidão. Não há nada que uma boa gargalhada, um corpo se remexendo com qualquer faixa do álbum Dominguinhos e uma roda de amigos contando histórias não possa curar. Essa é a poesia que me tira pra dançar todos os dias. Por isso não perco a fé em poetizar os caos que me visitam. Enquanto ainda dói, escrevo. E quando vira cicatriz, gargalho. Esse é o meu antídoto. Foi assim que cheguei até meus quase 36 sem abandonar a arte que me manteve sã em cada olho de furacão. É assim que não deixo essa criança se decepcionar com quem estou me tornando.


Postei um reels no instagram essa semana sobre essa tal mania incurável. Tudo pra explicar a minha audácia de transformar uma pazinha de lixo em objeto de arte, uhum. PAZ é uma ed. limitada numerada que apropria-se de uma pá de lixo para poetizar a dualidade da vida. Inspirada na ideia de que “sem lama não há lótus” escrevi versos que enfatizam a poesia depois do caos. Pendurar este objeto em destaque também é um convite a pensar a mudança de superfície, do chão à parede, dos cacos às estrelas. A troca da letra – o S por Z – ao pensar o plural de pás, convoca a liberdade de multiplicarmos o que realmente desejamos. Quando varremos lixos, céus se abrem. Depois dos limões azedos, vem a limonada.

Vou amaaaaar saber o que você achou desse objeto lá nos comentários do meu vídeo. Porque eu (que sou uma louca apaixonada em puro estado artístico) já exibo a minha peça numerada PAZ aqui em casa como item digno de MOMA tá. (kkkkk risos debochados com brilho nos olhos e orgulho) ❤️‍🔥

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Coleção Céu de Minas

Read the original on amandamol.substack.com

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