Metida. Arrogante. Delusional. Se acha. Não faltam palavras para atribuir a mulheres ambiciosas.
Ambição é imoral, precisa ser censurada como mamilos. Não é legal sair exibindo por aí que você deseja mais do que a sua realidade te permite, que você deseja o impossível.
Se você é mulher, então, espera-se de você modéstia. Você é ensinada a se reduzir, a se diminuir (não por acaso a magreza é uma das maiores ambições que você tem a permissão de perseguir). Buscar a grandeza é algo que você precisa aprender sozinha.
Assumir e perseguir suas ambições pode te tornar um alvo: vai aparecer gente no caminho para te colocar para baixo, tentar te desqualificar, te apagar, te tirar de doida, ingênua, te ridicularizar.
Qual pode ser a mais perigosa das ambições para uma mulher? Conquistar o mundo? Ser reconhecida pelos seus talentos? Ou simplesmente não ser invisível?
Convidei a maravilhosa , escritora contemporânea de literatura fantástica, para conversarmos sobre outra escritora que, ao perseguir sua ambição, pisou no território do fantástico e fez Ficção Científica antes mesmo do termo existir.
Falamos sobre a obra de Margaret Cavendish, sobre bruxas, sobre ser mulher no século 17 e duras verdades sobre ser uma autora de literatura fantástica no século 21.
Parafraseando o grande filósofo Chorão, a autora de fantástico no Brasil não é levada a sério.
Dá o play:
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Em outras palavras
🏔️ Saiu um artigo na Revista Especular relacionando meu conto “A mulher que vestiu a montanha”, que saiu na coletânea Irmãs da Revolução, com o Manifesto Ciborgue, da Donna Haraway.
🪼 “A vida é uma eterna margem entre o medo de perder e a necessidade de encontrar a imensidão”, escreveu Victor Crnkovic em um ensaio muito sensível sobre meu romance As águas-vivas não sabem de si.
💸 Neste artigo do site O Odisseu sobre Orides Fontela, poeta homenageada na Flip, o autor Kaio Phelipe articula sobre o dilema de ser uma intelectual pobre ao destacar que nem uma artista premiada e reconhecida escapou de passar por dificuldades financeiras. Uma das minhas ambições mais loucas é parar de ver a narrativa do artista fodido se repetir.
Uma questão de lógica
A indústria tem vários truques para fazer as pessoas se adequarem e aceitarem o que ela precisa vender. Ultimamente, tem sido apelar para a ameaça de que, quem não usar o produto milagroso da vez, vai ficar para trás.
Seguir uma tendência e fazer o que está todo mundo fazendo é justamente a definição de ficar para trás. Quem apenas segue não pode estar à frente.
Estar à frente é procurar seu próprio caminho, é se desprender do bando e sair para explorar o desconhecido, tateando no escuro. Ninguém passou por ali antes para iluminar o caminho, dar direções.
Estar à frente, na verdade, pode ser bem solitário e assustador.
Quando ouvir o episódio, me conte o que achou! Você pode deixar um comentário ou responder este e-mail que ele chega para mim.
Beijos resplandecentes,

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